|
A comunicação social deu conta, por estes dias, de que um jornalista macedónio de 56 anos, Vlado Taneski, foi acusado do sequestro, tortura, violação e morte de três mulheres, de 55 a 70 anos, entre 2003 e 2008.
De acordo com a imprensa local, o homem manifestava a forma de actuação típica dum serial killer, já que todas as vítimas foram encontradas nuas e estranguladas com cabos telefónicos. Ao que parece, Taneski visitava as famílias das vítimas e falava com elas sobre o sucedido, acompanhando, desta forma enviesada, o desenvolvimento das investigações.
Esta notícia dá o mote para abordar o tema em título. Até que ponto o jornalista é hoje notícia, em si mesmo?
O caso acima descrito será insólito, mas há uma reflexão a fazer sobre a forma actual de fazer jornalismo.
Quantos profissionais conhecidos se têm disposto a vender a sua imagem para campanhas de publicidade, sem suspender a carteira profissional?
Quantos se dispõem a encetar uma incursão em cargos políticos, como deputados, por exemplo (casos de Manuela Moura Guedes, Ribeiro Cristóvão, Maria Elisa), antes de voltar à profissão?
Quantos se oferecem para vender os seus conhecimentos como assessores de comunicação, junto de membros do governo?
Quantos se dispõem a assinar colunas de opinião nos seus jornais ou noutros, ou a assegurar comentário político permanente, em programas regulares, como se isso fosse normal.
Tenho para mim que o jornalista tem alguma coisa em comum com o árbitro de futebol. Ambos serão melhores no seu desempenho, na medida em que não se der por eles no quadro dos acontecimentos.
O jornalista não é um protagonista, mas um descodificador e um veículo da notícia junto do consumidor de informação.
|