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Concelho do Seixal aposta em rede ciclável


No próximo ano irá nascer uma rede ciclável no concelho do Seixal. O objectivo é apostar na mobilidade, acessibilidade e nas questões ambientais numa cidade que é a segunda mais motorizada da Área Metropolitana de Lisboa. O investimento previsto para 2009 é de 100 mil euros, com a construção de cerca de 10 quilómetros. No total, prevê-se que o investimento seja de cerca de um milhão com a construção de 90 quilómetros.


O plano previsto foi elaborado com base num inquérito realizado à população sobre hábitos de uso de bicicleta e irá cobrir o concelho “em articulação com os transportes públicos”, explica Alfredo Monteiro, presidente da câmara do Seixal. Entre 2009 e 2010 a aposta definida pelo município será priorizar o uso da bicicleta em toda a zona da baía, acompanhando a revitalização da área, na qual serão investidos nove milhões de euros em infra-estruturas, e acompanhar o traçado metropolitano com o objectivo de estabelecer a ligação com os transportes públicos. Alfredo Monteiro afirma que esta é “a aposta para uma década de uma rede que para além de cobrir o concelho terá ligação com os concelhos vizinhos de Almada e Barreiro”.

 

A implementação desta rede, segundo o vereador do Ambiente e Serviços Urbanos da Câmara do Seixal, Carlos Mateus, deriva de “um longo trabalho em que houve a preocupação de recolher experiências de outros países, onde existem bons exemplos, e a participação em conferências mundiais”. Alfredo Monteiro considera esta implementação “um desafio que constitui uma etapa importante em relação ao planeamento estratégico do município onde a mobilidade é essencial”. O autarca do Seixal inclui este projecto numa visão mais alargada, “em conjunto com os desenvolvimentos em termos de mobilidade e acessibilidade dos quais o Metro Sul Tejo será essencial”. O edil recorda ainda que “este é um projecto importante em termos ambientais”.

 

Joana Figueiredo, representante do Grupo de Mobilidade Sustentável da autarquia, explica que a metodologia de aplicação do plano se constitui “pensando a rede viária como suporte base, os transportes públicos enquanto local de interface, equipamentos de partida e destino e ainda a estrutura verde do concelho, procurando também promover deste modo o centro histórico enquanto ponto turístico de fácil acesso”.

 

O declive do terreno, os condicionantes do Plano Director Municipal e a continuidade do serviço foram também “pontos essenciais na aplicação do plano”, explica a responsável. Para o utilizador, “os critérios de desenho tiveram em conta a inclusão na via, a funcionalidade, a segurança e conforto e mais uma vez a qualidade ambiental”, afirma Joana Figueiredo.

 

O concelho do Seixal apresenta uma elevada taxa de motorização, com 72 por cento de utilizadores diários de viatura própria, apesar de mais de metade das deslocações entre casa e trabalho serem em média menores a cinco quilómetros. Esta é uma das conclusões feitas a partir de um estudo, realizado entre Maio e Outubro de 2006 com uma amostra representativa de 626 pessoas, que teve como objectivo perceber a possibilidade de aplicação do plano da rede ciclável no concelho.

 

Cinquenta por cento dos inquiridos revelou ter bicicleta própria, tendo 58 por cento mostrado vontade de aderir ao uso diário caso sejam criadas conclusões. Quando questionados os pais em relação a uma possível utilização pelos filhos da bicicleta como veículo para chegar à escola, 81 por cento afirmou que deixaria mas, mais uma vez, caso sejam criadas condições.

 

A falta de pistas cicláveis, a sinalização de percursos e inexistência de locais de estacionamento para bicicletas foram os factores mais apontados pela população como dissuasores do seu uso. A autarquia tem investido na promoção de estilos de vida saudáveis através do desenvolvimento do Projecto Municipal Seixal Saudável, pelo que, segundo Carlos Mateus, “esta proposta de rede ciclável vai de encontro aos princípios e objectivos promovidos pela Rede Europeia das Cidades Sustentáveis e pela Agenda 21, aos quais o Seixal aderiu em 1998 e 2003 respectivamente”. Neste sentido, “o uso da bicicleta é encorajado por melhorar o ambiente, a saúde, a equidade social e a economia dos seus utilizadores e da comunidade”.


Ana Nunes - 29-12-2008 12:24

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