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PSD teme que videovigilância seja “táctica” da câmara de Setúbal


O PSD de Setúbal receia que a decisão da câmara de Setúbal, em aceitar a instalação de câmaras de videovigilância na baixa da cidade, seja uma “táctica com fins eleitoralistas”. Paulo Calado, presidente da concelhia, considera que as declarações de Maria das Dores Meira à agência Lusa, onde admitiu essa possibilidade, são “estranhas”, uma vez que, quando o seu partido apresentou essa proposta em reunião de câmara, a edil setubalense respondeu que “era contra a videovigilância, porque punha em causa a privacidade das pessoas”.


Além disso, Paulo Calado critica o facto de Maria das Dores Meira ter revelado a intenção de as câmaras apenas funcionarem no período de encerramento das lojas, uma vez que “é no outro período que há mais violência e crimes”. O social-democrata aponta ainda o facto de isso ter sido “anunciado em parangonas”, funcionando como um “aviso” aos bandidos. Assim, apesar de confessar-se “satisfeito” com a “aproximação” da câmara à “opinião dos comerciantes e frequentadores da baixa”, Paulo Calado “lamenta a postura” da edil, que “não deu explicações nem propôs em reunião de câmara” essa questão.

 

Estas críticas de Paulo Calado surgiram durante uma “visita simbólica” à papelaria Anaisa, que, recentemente, foi alvo de um assalto infrutífero. Este gesto teve o objectivo de manifestar “solidariedade a todos os que foram vítimas de violência e furtos”. A proprietária do estabelecimento, Isabel Guerreiro, lamenta a insegurança, que “complica a actividade económica” e defende uma “vigilância de proximidade”, que “já não se vê há muitos anos”. “Setúbal necessita de segurança”, lembra, apontando outros exemplos de “colegas que já fecharam a porta” ou o facto de “já não haver turistas na avenida” Infante D. Henrique.

 

Considerando que em Setúbal os assaltos são “um acto expectável hoje em dia”, Paulo Calado sublinha que o PSD mantém a “mesma posição” para enfrentar o problema da insegurança e que passa por “uma maior vigilância de proximidade, o melhoramento da iluminação e a instalação de videovigilância na baixa”. Além disso, o social-democrata realça o facto de “as outras forças políticas têm estado a vir ao encontro” dessas propostas.

 

Confrontada com as declarações de Paulo Calado, Dores Meira esclarece que a “Câmara Municipal não mudou de posição”, uma vez que sempre foi “contrária” à instalação do sistema de videovigilância. No entanto, a autarquia “não se oporia a essa decisão, ainda que com reservas”, caso o Ministério da Administração Interna assim o decidisse. “A questão da segurança é da responsabilidade do Estado e a sua resolução implicaria a utilização de vários meios policiais, que não podem ser substituídos apenas pela videovigilância”, conclui a edil setubalense.


Pedro Soares - 22-04-2009 15:06

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