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• 03-06-2009 •
Património
por Margarida Rocha
(Professora na ESE de Setúbal)


Dar um mergulho e ir ao museu


Como vem sendo habitual, comemorou-se no dia 18 de Maio o Dia Internacional dos Museus, este ano com o tema “Museus e Turismo”. Pois é precisamente sobre turismo que vou escrever neste dia ensolarado de Primavera que faz qualquer mortal sonhar com férias, sol, descanso… praia!... Praia e Museus? E porque não?!


Não creio que o turismo de sol e mar e o turismo cultural sejam incompatíveis. Bem pelo contrário. E quando para usufruir das duas modalidades nem sequer precisamos de percorrer muitos quilómetros, o enlace ainda é mais perfeito, que é o que acontece em Setúbal. Com efeito, a cidade encontra-se numa situação privilegiada para aliar estes dois tipos de turismo em virtude de contar com belas praias de areias brancas e águas transparentes e possuir uma série de excelentes e diversificados Museus.

 

Na verdade, é necessário juntar aos “principais produtos turísticos da Costa Azul (as ofertas do turismo) o sol e o mar, o golf(…)”[i], a oferta cultural, nas suas várias vertentes, para além das “(…)reuniões e congressos”[ii]. Penso que não seria má ideia associar património, turismo e desenvolvimento, tendo em conta que o tão desejado e aclamado desenvolvimento não ocorrerá sem um processo de valorização e dinamização dos bens patrimoniais. No entanto, há que ter em conta que o património, por si só, não satisfaz todas as necessidades dos turistas (nacionais e estrangeiros) nem assegura o desenvolvimento local, apenas por existir. Há que congregar esforços e delinear estratégias para criar produtos turísticos integrados, baseados em estudos sistemáticos e aprofundados que diagnostiquem potencialidades e fraquezas e avaliem a viabilidade e exequibilidade das suas metas.

 

Quando falo de oferta cultural e de património, é óbvio que não me refiro apenas aos museus, como se poderia deduzir do início desta crónica pois, para além dos museus, a cidade (e a região) de Setúbal conta com diversos eventos culturais, monumentos classificados ou não, exemplares de arte pública, edifícios, festas e tradições, etc. etc… A cidade que acolheu o 5º Congresso Mundial do clube das mais belas baías do mundo realizado entre 15 e 17 de Maio, pode e deve ser muito mais que uma das 29 mais belas baías do mundo. Deve e pode ser uma cidade que conhece, potencia e divulga o seu valioso património cultural e natural, numa perspectiva de desenvolvimento sustentável.

 

E se é verdade que “nem só de pão vive o homem” também é verdade que nem só de praia ou de gastronomia, ou de “rota dos vinhos” pode viver o turismo da região de Setúbal. Porque o turismo não é apenas uma quebra na rotina ou uma mera deslocação geográfica; o turismo é descoberta, é partilha de saberes e é intercâmbio cultural.

 

Espero que, num futuro próximo, na página electrónica da região de Turismo da Costa Azul (ou de outra entidade idêntica), em vez de se afirmar que “Com um menor nível de desenvolvimento (na óptica do turismo) temos a natureza e o ambiente, a rota de vinhos, a gastronomia, o património e os eventos populares e culturais[iii] se afirme esta oferta, a par da oferta do sol, do mar e do golf.



[i] http://www.costa-azul.rts.pt/gca/index.php?id=15 (Homepage do Site da Região de Turismo da Costa Azul)

[ii] Ibid.

[iii] Ibid.


Margarida Rocha - 03-06-2009 12:41

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