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• 14-04-2005 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Dirigente Distrital do Bloco de Esquerda)


A centralidade do trabalho


Realizou-se no passado fim-de-semana, em Coimbra, a III conferência de Jovens do Bloco de Esquerda. Convém neste ponto esclarecer que no caso do BE não se trata de uma “Jota”, como acontece nos outros partidos.


Durante dois dias discutiram-se vários e variados temas desde as Drogas, o Trabalho, Ensino Superior e Secundário, questões LGBT, Emigração e Racismo, Ambiente, ….. e foi também eleita uma direcção política para dirigir este grupo de trabalho durante os próximos dois anos e para a qual concorreram duas listas.


Foi uma discussão séria, no verdadeiro sentido da palavra, na melhor tradição bloquista, onde se espelharam e discutiram as diferentes opiniões, que exprimiam diferentes formas de abordar os diversos problemas da nossa sociedade. Sempre com o respeito que a diversidade merece e onde a exaltação e o “combate” político foi exercido de uma forma exemplar, atrevendo-me a dizer que, em muitos casos, foi uma lição de democracia, Desta discussão diversa surgiu no entanto um ponto que a meu ver é fundamental e que deve também ser analisado noutros âmbitos e noutros contextos.


Á 1ª vista, aquilo que vou dizer pode parecer uma questão de semântica, mas é no entanto mais que isso. Quando ouvimos falar de questões laborais, muitas vezes é confundido a “prioridade no trabalho” com a “centralidade no trabalho”. Parecem á partida dois conceitos muito semelhantes que têm no seu cerne uma grande diferença. Até porque a centralidade implica uma união de todas as lutas tendo como condição central a nossa condição de trabalhadores. É o sermos capazes de unir os esforços de todos no nosso denominador comum. É o dizermos que as questões sociais são também questões do mundo laboral. Que as questões do Aborto, do Ambiente, da Saúde, entre muitos outros são também questões do mundo laboral porque interessam aos trabalhadores e lhes influencia a vida quotidiana.


Aliás esta discussão parece-me a mim da maior importância e daí ter escolhido para facto primeiro dessa discussão da conferencia de jovens do BE, por muita razões mas também por que é uma situação que define as esquerdas e as diferencia. Não é por se dizer que se dá prioridade ao trabalho e por se dizer que se é o partido dos trabalhadores que se assume a centralidade do trabalho. É no assimilar a perspectiva dos fóruns sociais, todos juntos pela luta toda, no respeito pelas diversas agendas e as diversas centralidades que se organiza uma luta anti-capitalista e anti neoliberal que se quer global.


Muito mais se discutiu e isso está no site do Bloco em www.bloco.org e seria complicado muito provavelmente discriminatório escrevê-lo aqui.

Por fim o resultado das duas listas concorrentes à direcção do grupo de trabalho jovem. Não interessa quem teve mais votos. Todos ganhámos. Os jovens na aprendizagem das lutas democráticas, os “cotas” no apreender o exemplo que lhes foi dado de debate, e acima de tudo ganhou o Bloco de Esquerda que com estes jovens militantes (e muitos mais que diariamente se juntam) é sem sombra de dúvida um força de futuro e de alternativa de e a uma esquerda portuguesa demasiadas vezes velha e cansada.


Daniel Arruda - 14-04-2005 09:29

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