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Samuel Cruz acusa autarquia do Seixal de "vitimização"


Samuel Cruz acusa autarquia do Seixal de \"vitimização\"

O candidato do PS ao Seixal, Samuel Cruz, acusou o actual executivo da CDU, liderado por Alfredo Monteiro, de ter uma “estratégia de vitimização” em relação à administração central, em que “tudo o que acontece de mau é culpa do Governo e tudo o que acontece de bom é mérito da câmara”. O socialista recusou assim, em entrevista ao “Setúbal na Rede”, a ideia de que o distrito de Setúbal tem sido esquecido pelo poder central, uma vez que “os investimentos previstos contradizem isso”, dando ainda o exemplo dos novos centros de saúde, as novas escolas, ou a ponte entre o Seixal e Barreiro integrada no projecto da terceira travessia do Tejo.


Em vez disso, Samuel Cruz entende que a câmara devia “preocupar-se com o que devia fazer”, nomeadamente “o cemitério de Fernão Ferro, o pavilhão na Amora ou as piscinas de Paio Pires”. Além disso, dá o exemplo do novo hospital do Seixal, cujo acordo para o seu lançamento foi recentemente celebrado, lembrando que o Governo, como “fazem os políticos de bem”, executou o que estava previsto, enquanto Alfredo Monteiro “não criou os mil e 500 empregos que prometeu há quatro anos”, durante o debate promovido pelo “Setúbal na Rede”.

 

O candidato socialista lamenta ainda que o Seixal não se tenha “desenvolvido com uma ideia de crescimento urbanístico e económico”, criticando o facto de o concelho ter ficado “à mercê dos interesses imobiliários”, e de “não ter acautelado a criação de emprego e a qualidade de vida” da população. Na sua opinião, “não houve capacidade de atracção de investimento económico, mas também não se poderia esperar outra coisa”. “35 anos da CDU no Seixal com capacidade de atractividade seria um contra-senso”, realça, referindo-se à “matriz estalinista” do executivo e citando o socialista Menezes Rodrigues: “Não se pode pedir aqueles cujo principal fito é lixar os capitalistas que venham em parceria connosco investir e criar postos de trabalho”.

 

Samuel Cruz acusa ainda o actual executivo seixalense de “asfixia democrática”, comparando-o à “criança que é o dono da bola e que tem de jogar sempre”. O socialista lembra que o Seixal é “o concelho da península de Setúbal com mais população, com características pendular” e, por isso, reconhece que “é bastante difícil chegar à população”. Por isso, concorda com o boletim municipal publicado pela câmara, mas acusa-o de ser “anti-democrático”, uma vez que, como “é feito com o erário público, deveria servir para todas as forças políticas fazerem chegar as suas posições aos munícipes”.

 

Em relação às “eventuais irregularidades financeiras” detectadas por uma auditoria da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), Samuel Cruz lembra que não é “justiceiro” e deixa para a justiça o que lhe compete. No entanto, questiona-se “sobre o que se passou”, porque entende que isso é que é “relevante para a política”. Na sua opinião, houve “negligência grosseira” e, referindo-se ao relatório da IGF, que considera que Alfredo Monteiro, alegadamente, autorizou o pagamento de despesas, no valor de cerca de 400 mil euros, sem a devida cobertura legal, a dois prestadores de serviços, considera que o autarca ou “desconhecia o vínculo jurídico” desses trabalhadores ou “desconhecia o quadro legal”. “Se desconhecia é um mau candidato e não merece ser reeleito”, conclui.

 

Quanto à denúncia que fez sobre o baixo valor em que estão avaliados os terrenos da Quinta da Atalaia, onde decorre a Festa do Avante, o socialista explica que esses são “terrenos rústicos e, por isso, destinam-se à agricultura”. No entanto, a Festa do Avante “é um grande negócio” e, por isso, a caracterização no ordenamento jurídico do território deveria ser “alterada”. Além disso, reitera que é “ridículo e escandaloso” o facto de estar “subavaliado”, em 185 euros, um valor “mais baixo do que a população paga de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)”. Quanto ao facto de o PCP, segundo a lei, estar isento desse imposto, Samuel Cruz considera que isso “não é justificação para a avaliação não estar correcta”, confessando que não vê razão para os partidos não pagarem IMI.


Pedro Soares - 12-09-2009 19:24

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