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PSD é única força da oposição a aceitar pelouros no Seixal


O PSD foi a única força da oposição com lugar na vereação na câmara do Seixal a aceitar o convite do presidente, Alfredo Monteiro, para assumir pelouros. O vereador social-democrata, Paulo Edson Cunha, que fica com o pelouro da Protecção Civil, justifica a sua decisão com o facto de terem ficado “reunidas as condições políticas e pessoais necessárias para um trabalho com dignidade”. Por sua vez, enquanto o bloquista Luís Cordeiro revela que a sua recusa se deveu a “motivos pessoais, políticos e profissionais”, Samuel Cruz, vereador do PS, considera que a proposta feita ao seu partido “não foi honesta”.


Na sua opinião, o pelouro para o qual foi convidado a assumir, o da Defesa do Consumidor, “não corresponde aos 22 por cento de votação do PS”, criticando ainda o facto de ser um pelouro cujo orçamento seria inferior ao vencimento do próprio vereador. Por isso, Samuel Cruz considera esse gesto “ridículo e que não abona nada à boa gestão da câmara”. Além disso, acrescenta que o processo foi “atabalhoado”, uma vez que o prazo que o PS pediu para responder “não foi respeitado”, o que também “não abona da boa-fé” do executivo da CDU.

 

Samuel Cruz compara ainda o pelouro oferecido ao seu partido com o que foi oferecido ao PSD, cujos orçamentos são de dez mil euros e de um milhão e 400 mil euros respectivamente. Por isso, considera que a Defesa do Consumidor é apenas “uma espécie de pelouro”, entendendo que o presidente da autarquia quis “humilhar a oposição”. Edson Cunha não quis prestar comentários sobre o facto de as restantes forças da oposição terem recusado os pelouros oferecidos, uma vez que “cada partido toma as suas posições em consonância com as suas vontades e as dos seus vereadores”.

 

Luís Cordeiro reconhece “a atenção” do executivo comunista para com a oposição, “mesmo tendo maioria absoluta”. No entanto, explica que a sua recusa se deveu ao facto de entender que, em função das suas competências profissionais, “não se ajustava” o pelouro da Intervenção Veterinária, além de que, caso aceitasse, iria haver “um conflito com a sua situação profissional”, uma vez que é técnico superior dos quadros directivos do Instituto de Emprego e Formação Profissional.


Assim, Luís Cordeiro garante que irá “continuar a trabalhar em prol da autarquia e dos munícipes”, mas como vereador sem pelouro. Por sua vez, Samuel Cruz refere que o PS vai “liderar a oposição”, manifestando-se “confiante” no seu trabalho, enquanto oposição “credível e respeitável”. Quanto a Edson Cunha, realça que o seu trabalho “deve, por um lado, solidariedade ao executivo, e por outro, ao seu eleitorado”, mostrando-se satisfeito pelo pelouro que assume, o qual permite fazer um “bom trabalho”.

 

O executivo da Câmara Municipal do Seixal refere, por escrito, que a decisão de delegar competências por todos os vereadores da oposição, a exemplo do que sucedeu em mandatos anteriores, “pretende estimular uma maior interacção, estabelecer pontes e diálogo permanente entre todas as forças políticas”. Apesar de o socialista Samuel Cruz e de o bloquista Luís Cordeiro não assumirem pelouros, o “executivo da câmara municipal irá continuar a trabalhar com todos, construindo o desenvolvimento sustentado do município do Seixal”.


Pedro Soares - 12-11-2009 11:15

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