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Em 19/04/2007 escrevi um artigo que foi inserido aqui no "Setúbal na Rede" e para o qual, sem falsas modéstias, faço apelo a que aqueles que ainda o não leram, para que o façam.
O titulo desse artigo é : «O futebol é uma pequeníssima ilha de corrupção no nosso país, ou é apenas a ponta de um enorme iceberg?»
Se me refiro a esse artigo aqui publicado há dois anos e sete meses é porque ele analisava o fenómeno da corrupção, partindo do futebol. E como o futebol faz parte de um todo Nacional gerido e guiado pelo princípio do maior lucro possível, que é a religião do sistema capitalista, as mesmas causas provocam os mesmos efeitos.
Não me considero mais “esperto” ou mais inteligente que outros. Considero apenas que tive, como direi..., a “sorte” de ter encontrado o caminho do esclarecimento e da formação politico-cultural há 44 anos quando me cruzei com militantes camponeses do PCP. Já nessa altura me impressionou o seu grau de conhecimentos, o seu esforço de leitura e aprendizagem, sobre a realidade do nosso país e do mundo. Daí para cá sempre procurei aprender, estudar e participar. Sem qualquer arrogância ou pretensão, é fácil verificar hoje o grau de conhecimento, participação e estudo de um militante do PCP, comparado com o de qualquer outro partido, ou sem partido.
Foi e é esse estudo, esse esforço da participação colectiva que nos dá uma visão e um conhecimento da realidade, assim como dos meios para a transformar, dos meios para poder libertar o mundo do trabalho, do domínio ideológico das forças da grande burguesia que tudo manobram, desde as igrejas, jornais e televisões e meios repressivos, o aparelho de Estado. É esta clarividência dos militantes do PCP, são os seus objectivos, imediatos e a longo prazo que provocam da parte das forças exploradoras, toda a repressão visível e invisível que se abate sobre a sua acção, indo mesmo ao ponto de criar um PCP virtual que lhes possa servir de espantalho, perante as duvidas crescentes da população em relação ao sistema capitalista. Objectivos a curto prazo, a ruptura com esta politica de direita que em 30 anos nos arrastou da alegria participativa das massas e suas consequentes conquistas civilizacionais de Abril, para uma consternante tristeza, pobreza, miséria e falta de participação! Trinta e tal anos de politica de direita alicerçada na mentira, na pressão ideológica, através dos meios de comunicação e silenciamento ou deturpação, das propostas do PCP e numa cada vez maior corrupção financeira, moral e ideológica. É que o PCP constitui o maior obstáculo à concretização dos objectivos do grande capital e é uma força indispensável à luta pela ruptura com a política de direita, para a concretização de uma vida melhor.
Como objectivo a mais longo prazo a construção de uma nova sociedade – o socialismo e tendo a sociedade comunista como perspectiva após a construção de uma sociedade bastante desenvolvida, de abundância, culta e pacífica.
O PCP é por isso silenciado ou deturpado. Não tenho qualquer dúvida que em pé de igualdade de meios, o povo português daria a maioria ás propostas do PCP.
Aliás vê – se nas autárquicas lá onde os meios do próprio partido o colocam em pé de igualdade com os outros partidos, as vitorias aparecem. É que nas autárquicas, os grandes meios de desinformação não estão tão perto, tão presentes e o papão comunista o tal PCP virtual por eles fabricado nos meios propagandísticos tem menos efeito. Prova provada de que o anti-comunismo, ontem com Salazar e hoje com os seus descendentes, é uma arma antidemocrática porque mentirosa, ontem como hoje.
No artigo de há dois anos e sete meses que neste artigo refiro, alertava os leitores para o pacto que então se realizou entre PS e PSD sobre a justiça, pacto que facilitou toda a escandaleira nauseabunda de corrupção a que hoje assistimos.
Não sei, não posso aqui afirmar se os nomes focados são ou não culpados, no entanto o nosso povo afirma que não há fumo sem fogo.
Eu questiono, que qualificativo se pode atribuir a gente que com o nome socialista, que quer dizer em colectivo, para o colectivo, para o povo, trabalham contra o povo e para o capital?
Será que isto é corrupção?
Quando um alto quadro do PS, hoje sob suspeita de corrupção se gabava de abrir uma garrafa de champanhe a cada privatização que realizavam, isto não é por si, no mínimo, corrupção ideológica?
Hoje todos os meios são postos em acção para confundir, cansar, desinteressar a população de todos os casos desde a Casa Pia, aos sobreiros de Benavente, ao BPN e BCP, ás facturas falsas ao Freeport, à Face Oculta, aos offshores, etc... etc..., tudo isto fede.
Olhando para o artigo, que então há quase 3 anos, alertava para o que aí vinha, não resisto em transcrever aqui, alguns extractos desse artigo, certo de que despertarão mais interesse na leitura do dito: «Penso que se fossem realizadas tais escutas elas seriam bastante elucidativas e não haveria juízes nem tribunais, e no fim, prisões suficientes no país, para albergar tanta gentinha.
Já pensaram no que se ouviria nas escutas que se realizassem ao nível dos contactos entre patrões e ministros?» […] «E agora com este pacto sobre a justiça qual é o objectivo deles?» […] «Dados recentes nacionais e internacionais apontam para a grande urgência no combate à corrupção» […] «Os peritos não hesitam em afirmar que, nos crimes de corrupção, há dois pesos e duas medidas. “Na sociedade há a percepção de que só o peixe miúdo é punido” salienta Luís de Sousa. Maria José Morgado fala de vários filtros que escondem o crime».
Esta situação é agravada pela decomposição e putrefacção ideológica, dos partidos da social-democracia que ideologicamente se renderam ao sistema capitalista com tudo o que tal significa sobretudo nesta fase neoliberal correspondente ao estado imperialista, estado supremo do capitalismo.
Na sua obra “O imperialismo estado supremo do capitalismo” Lenine cita varias passagens das obras de Marx e Engels a propósito da corrupção de migalhas e corrupção ideológica. «Marx e Engels, durante dezenas de anos, observaram metodicamente de perto essa ligação, do oportunismo no movimento operário, com as particularidades imperialistas do capitalismo inglês. Assim, Engels escrevia a Marx a 7 de Outubro de 1858»: «Na realidade, o proletariado inglês emburguesa-se cada vez mais, e parece-me bem que esta nação, burguesa entre todas, queira conseguir ter, ao lado de sua burguesia, uma aristocracia burguesa e um proletariado burguês.
Evidentemente da parte de uma nação que explora o universo inteiro é de certa maneira lógico». […] Na sua introdução à segunda edição de: (a situação das classes laboriosas em Inglaterra 1892) Engels afirmava: «Estão assim claramente indicadas, as causas e as consequências. As causas: 1) exploração do mundo pela Inglaterra; 2) o seu monopólio sobre o mercado mundial; 3) o seu monopólio colonial. As consequências: o emburguesamento de uma parte do proletariado inglês; 2) uma parte desse proletariado deixa-se dirigir por homens que a burguesia comprou ou que no mínimo sustenta». […] «A ideologia imperialista penetra igualmente na classe operaria, que não está separada das outras classes por nenhuma muralha da China. Assim, os chefes do actual partido “social-democrata” da Alemanha são tratados a justo titulo de “social-imperialistas”, quer dizer de socialistas em palavras e imperialistas de facto, […]».
Penso que todos nós devemos raciocinar e colocar claramente a questão: onde começa e acaba a corrupção? Para mim, ela começa quando não se respeita a lei fundamental do país, a Constituição da Republica, quando se vai a eleições se propõe uma coisa e se faz outra. Verificar a quem servem essas violações é base essencial para tirar conclusões. Após tirar conclusões, terão de vir as acções, ou o país continuará nas mãos dos aldrabões, servindo os patrões.
Não podemos esperar que os meios de comunicação social, propriedade dos exploradores nos esclareça, eles mostram-nos as misérias causadas pelo sistema, os despedidos e desempregados, as falcatruas corruptas de altos dirigentes mas nunca por nunca discutem as condições sociais que geram tal violência e tal podridão. Também aqui impera o silêncio cúmplice da Igreja.
Por mais podre e corrupta que esteja a situação, por maior que seja a crise do sistema, ele não cai sem que tu participes no empurrão necessário.
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