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• 28-04-2005 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Dirigente Distrital do Bloco de Esquerda)


De elefante branco a objecto de estudo


Foi amplamente noticiado esta semana o 10º aniversário da construção do 1º MPV nas instalações da Autoeuropa em Palmela. Foi capa do Jornal Público, destaque no Diário Económico, notícia da TSF, Antena1 e RTP. Não houve nem cão nem gato que não desse sentença. Até Miguel Sousa Tavares na TVI deu um ar da sua graça.


Aliás, ao longo destes 10 anos muito se tem falado desta empresa, a mais importante e a maior no distrito de Setúbal. Nem sempre bem. Lembro-me perfeitamente que em 1993, um ano depois do lançamento da 1ª pedra, não faltava quem apregoasse aos 7 ventos que aquilo era mais um elefante branco, uma empresa que dali a 2 ou 3 anos no máximo já estava fechada, bastava que terminassem os fundos comunitários. Não fechou e ainda se tornou um caso de estudo especialmente pelos acordos que foram sendo assinados entre a Comissão de Trabalhadores e a administração. Quando se fala na Autoeuropa fala-se de um novo sindicalismo. Abrangente. Mas como será isso possível numa empresa que absorveu e pratica o que de mais moderno o neo liberalismo tem para oferecer (ou retirar). Não tem sido fácil, mas é paradoxalmente o lado do espelho menos explorado por todos aqueles que analisam os acordos criados e assinados. O lado dos trabalhadores.
  

É aqui que entra a política. Não é novidade para ninguém que o coordenador da C.T. da Autoeuropa é António Chora, dirigente do BE, que ao invés de outros tem sabido manter a equidistância entre o político e o trabalhador. Tem tido uma postura aglutinadora sem excluir pela cor partidária, ao contrário de outros que, como foi divulgado em artigo num jornal brasileiro, até “introduziram” quadros na empresa para poder formar uma célula, e que constantemente têm tentado tornar as lutas unitárias em vez de unificadoras, com resultados cada vez mais desastrosos para eles e a bem dos trabalhadores.
  

Podemos chamar a esta atitude, política? Penso que sim. Política no sentido literal do termo em que tudo o quem nos influência é condiciona é política. É uma nova forma de estar. Nasceu com o BE e é prática comum nos seus activistas. A Autoeuropa apenas é mais falada porque se trata de uma empresa maior.
  

Os trabalhadores desta empresa têm sido regularmente chamados a decidir sobre o seu futuro e invariávelmente têm optado por dar maiorias áqueles que se abrem aos trabalhadores, não excluindo, que dialogam e que explicam o quê e porquê fazem as coisas. Foi assim para a Comissão de Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho e mais recentemente para a Comissão Sindical da CGTP-in. Mesmo assim há quem se queira recusar a ver a realidade e continua a bilindar estatutos de sindicatos para que a correia de transmissão do Partido não se perca.
  

Estamos nos tempos dos Fóruns Sociais, e não nos tempos dos comités revolucionários nas empresas. Estamos numa época de luta global e não sectorial. Temos de todos juntos estar pela luta toda. No Código de trabalho certamente, mas também no Ambiente, no Aborto, nas Infrastruturas Sociais, na luta dos colegas nas fábricas da Alemanha ou da Republica Checa. É este o novo Sindicalismo de que se fala mas que poucos analisam.

  

Todos aqueles que se esquecerem de globalizar a luta, não terão mais futuro que o presente.

  

Era importante prestar um tributo aos principais responsáveis pelos 10 anos de MPV’s em Palmela. Os trabalhadores daquela empresa. Sem eles e sem as suas práticas nada daquilo era possível.


Daniel Arruda - 28-04-2005 09:27

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