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Soares dos Santos, o “patrão” da Jerónimo Martins (Pingo Doce, Feira Nova, Recheio, Biedronka) não é definitivamente o (tacanho) empresário português típico. Além de vários episódios mais distantes, a sua recente posição sobre o salário mínimo e o lançamento da Fundação Francisco Manuel dos Santos, tendo como objectivo principal constituir um “think tank” sobre os problemas actuais do País, conferem-lhe decisivamente esse mérito.
No entanto a escolha (por ele) dos principais protagonistas não me parece a mais adequada (neste momento) para os fins em vista. Na realidade estamos num período em que a chamada “classe politica” se entrincheirou completamente no Poder, tanto politico como económico, não permitindo qualquer possibilidade de “intromissão” pela sociedade civil, criando vários “factos políticos” sem interesse para ir entretendo o Povo, e desviar as atenções do essencial : “O QUE FAZER?”. Se duvidas houvesse ouvir Marcelo a comentar futebol ou Nuno Rogeiro tudo e mais alguma coisa, mostram bem a táctica das primeiras linhas de defesa de protecção dos “iluminados”.
Neste momento seria assim para mim de esperar que a FFMS desse prioridade e voz exactamente a esses “silenciados” com muito mais experiência e algumas ideias realmente úteis em vez de se rodear dos “suspeitos do costume”, em geral bem comprometidos
ou dependentes do regime vigente e portanto com a sua independência coarctada. A escolha de Álvaro Barreto, um “maverick” institucional, embora não simpatize com o personagem, até é uma certa garantia de independência, mas confesso que Valente de Oliveira, António Borges e mesmo Artur Santos Silva me parecem apenas “mais do mesmo”, o que não deve ser a ideia de Soares dos Santos. Não lhes conheço a experiência no terreno para analisar realmente a realidade nacional e fazer propostas úteis, mas posso
estar enganado.
Reconheço que tem de haver alguns nomes sonantes no “núcleo duro” mas preferia Belmiro, Ângelo Correia, Roquette, Henrique Neto, Ventura Leite, Rui Godinho e mesmo Camilo com o seu liberalismo, etc.
O que se necessita é de propostas alternativas credíveis de rotura e não de continuidade disfarçada.
A ideia da FFMS é excelente mas uma Rand Corporation à portuguesa não interessa.
Já um verdadeiro ninho de estratégias e acções audaciosas não podia ser mais bem – vindo.
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