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Pedro do Ó Ramos apela à “união interna do PSD” no distrito


Pedro do Ó Ramos, candidato à liderança da distrital do PSD, apela à “união interna do partido” no distrito, de modo a que se “comece já a traçar objectivos para que nas próximas eleições autárquicas se atinjam melhores resultados”. O presidente cessante da distrital, Bruno Vitorino, que se candidata agora a presidente da mesa da assembleia, não esquece a “falta de lealdade, de solidariedade e de ética” de Luís Rodrigues, que encabeça a outra lista à distrital do PSD, acusando-o de “ter roído a corda, numa busca incessante de poder e de protagonismo”.


“Ele representa tudo o que de pior existe na política”, realça Bruno Vitorino, enfatizando o facto de Luís Rodrigues, “que tem responsabilidades ao nível da conversão dos processos eleitorais internos do PSD, não suspender as suas funções agora que encabeça uma lista à distrital do partido”. Luís Rodrigues, por sua vez, realça que “não admite que coloquem em causa” a sua “idoneidade”, uma vez que ao efectuarem-se “esse tipo de críticas, só estão a colocar em causa os funcionários e os próprios serviços do PSD”. “A ele não fica bem fazer essas considerações”, afirma o deputado do PSD na Assembleia da República eleito pelo círculo de Setúbal.

 

Luís Rodrigues enfatiza também que “sempre” esteve na política “em prol da causa pública e da defesa dos cidadãos”, recordando que Bruno Vitorino, “entre outros, é que se tem candidatado ao longo dos anos a variados cargos no seio do PSD”. O líder cessante da distrital social-democrata acusa ainda Luís Rodrigues de ter “dado o dito por não dito” e de se ter “juntado aos anteriores opositores, abandonando a sua equipa”. “Ele coordena uma lista muito complicada, uma vez que várias pessoas que a integram têm visões contraditórias sobre os investimentos que se perspectivam para o distrito e sobre a aceitação de pelouros nas diversas autarquias”, reitera.

 

Todavia, Luís Rodrigues desvaloriza as críticas de Bruno Vitorino, salientando que, relativamente à questão dos pelouros, “é a distrital e as várias secções que têm de analisar caso a caso”. Quanto aos grandes investimentos para o distrito, nomeadamente o TGV, a terceira travessia sobre o Tejo e o novo aeroporto de Lisboa, Luís Rodrigues afirma “estar sempre disponível para ajudar na sua concretização, depois de o país reunir condições melhores e de alguns projectos actuais estarem melhor feitos”. “Não é uma questão que diga apenas e só respeito ao distrito, mas a todo o resto de Portugal”, conclui.

 

Pedro do Ó Ramos, por sua vez, relembra que foi o seu partido “que avançou com esses grandes investimentos”, pelo que não “pode agora vir dizer publicamente que os mesmos já não estratégicos, independentemente da capacidade financeira do país”. O candidato à liderança da distrital social-democrata sublinha que “nem todos devem avançar simultaneamente, devendo-se antes definir aqueles que, estrategicamente, são mais importantes”. “A terceira travessia entre Chelas e o Barreiro deveria avançar em primeiro lugar”, realça o social-democrata.

 

Caso seja eleito presidente da distrital do PSD, Pedro do Ó Ramos vai “apostar num projecto de continuidade que, apesar de alguns elementos transitarem do anterior mandato, conta com novas pessoas”. De entre as medidas a serem “rapidamente implementadas”, o cabeça-de-lista destaca a organização de uma convenção anual de militantes no distrito, as visitas mensais feitas pelos militantes, “de modo a fomentar a discussão em torno dos problemas locais entre a população e o PSD”, o aprofundamento da comunicação através do jornal electrónico do partido, a criação de “um grupo de apoio aos autarcas, que os auxilie e forme”, e, de igual modo, o incentivo às diversas secções para que recrutem mais militantes. “Sem militância activa, o PSD nunca crescerá”, afirma.

 

“É a altura certa para acabar com os grupinhos internos do PSD”, reforça Pedro do Ó Ramos, salientando que, para o distrito, terá de haver um maior esforço no sentido de incentivar o investimento produtivo, um combate mais eficiente ao acesso à saúde e “uma grande luta que impeça o avanço da co-incineração na serra da Arrábida”. Prestes a cessar funções enquanto presidente da distrital do PSD, Bruno Vitorino faz “um balanço bom” do mandato que finda, ressalvando “os três anos difíceis que passaram e a instabilidade nacional pela qual o partido passa, que faz com que a população não se identifique mais com as suas ideias”.

 

Bruno Vitorino admite que “não conseguiu fazer com que a direcção nacional encarasse de forma diferente a realidade do distrito”, considerando que, sem esse apoio, parte do “trabalho realizado foi inglório”. “Não foram momentos fáceis, mas sempre se trabalhou para ajudar os eleitos do PSD e de modo a fornecer a máxima informação aos militantes”, conclui. À semelhança do que já havia sido dito anteriormente ao “Setúbal na Rede” por Bruno Vitorino, Pedro do Ó Ramos afirma “não passar cheques em branco a ninguém”, no que diz respeito a uma eventual candidatura de Pedro Passos Coelho à direcção nacional do PSD.

 

O candidato à liderança da distrital afirma que “não faz qualquer sentido realizar um congresso extraordinário”, devendo “avançar-se logo para eleições directas”. “Seria um lavar de roupa suja e isso não contribuiria para a coesão que o PSD tem de procurar alcançar no seu seio”, conclui. A lista de Pedro do Ó Ramos tem como mandatário Miguel Frasquilho, da secção de Setúbal, Maria das Mercês Borges, como coordenadora do gabinete de estudos distrital, e, como presidente do conselho de jurisdição, João Afonso, da secção montijense.


Bruno Cardoso - 07-01-2010 13:07

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