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• 18-01-2010 •
Assento Parlamentar (CDU)
por Paula Santos
(Deputada do PCP eleita pelo Círculo de Setúbal)


Pelo fim da desregulamentação dos horários de trabalho


Nas conclusões das Jornadas Parlamentares do Partido Comunista Português, realizadas a 12 e 13 de Janeiro de 2010 em Viseu, foi anunciado que o agendamento potestativo de 21 de Janeiro será sobre o projecto de lei que elimina os mecanismos de aumento do horário de trabalho, introduzidos no Código de Trabalho pelo anterior Governo PS.


O Código de Trabalho aprovado pelo Partido Socialista constitui o maior ataque aos direitos dos trabalhadores, com a criação de mecanismos que permitem o aumento da exploração dos trabalhadores.

 

A desregulamentação dos horários de trabalho é um exemplo das alterações para pior do Código de Trabalho, permitindo que a entidade patronal possa determinar os tempos de trabalho, podendo a jornada de trabalho diária alargar até 12 horas, ou seja, mais 4 horas por dia, e a jornada de trabalho semanal até 60 horas. Isto é possível com a introdução de novas figuras, a adaptabilidade individual, a adaptabilidade grupal, o banco de horas e os horários concentradas, aplicando-se sempre no sentido de beneficiar a entidade patronal.

 

Esta alteração abriu caminho para que as horas de trabalho suplementar ou extraordinário deixem de ser pagas. Acresce ainda o facto, comprovado em vários estudos técnicos e científicos, que o aumento do horário de trabalho põe em causa a saúde dos trabalhadores e a sua segurança, podendo levar ao aumento de doenças profissionais e de acidentes de trabalho.

 

O Governo PS demonstra assim, não respeitar o tempo de descanso dos trabalhadores e a organização da sua vida pessoal e familiar. Passa a ser a entidade patronal a organizar as jornadas de trabalho do trabalhador, de acordo com os seus interesses, e a impor quando o trabalhador descansa, ou seja, é a entidade patronal que organiza e planeia a vida dos trabalhadores. Os trabalhadores ficam impossibilitados de o fazer.

 

O Partido Socialista criou o espaço para a destruição de uma das mais importantes conquistas dos trabalhadores, a jornada de 8 horas de trabalho. Há 48 anos, em Maio de 1962, os trabalhadores agrícolas do sul, em pleno fascismo, com a luta conquistaram as 8 horas de trabalho no campo. É sem dúvida uma conquista histórica na luta pelos direitos dos trabalhadores, obrigando o fascismo a recuar, o que o fragilizou.

 

A conquista das 8 horas de trabalho constituiu uma grande melhoria nas condições de vida dos trabalhadores e das suas famílias, permitiu criar mais postos de trabalho e dar ânimo e esperança às populações, demonstrando que a luta é o caminho.

 

A Constituição da República Portuguesa consagra o direito «ao repouso e aos lazeres, a um limite máximo da jornada de trabalho, ao descanso semanal e a férias periódicas pagas». ´

 

Neste sentido, o PCP propõe a eliminação das normas que permitem a desregulamentação do horário de trabalho, determinando que não pode ser unilateralmente alterado o horário de trabalho individualmente acordado. Combateremos este retrocesso social, pois está em causa a vida familiar, a vida política, a vida social e o descanso dos trabalhadores.


Paula Santos - 18-01-2010 14:47

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