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A aprovação, pelo Senado norte-americano, da reforma dos cuidados de saúde constituiu um passo histórico para a humanização da América do Norte.
Dentro do seu programa de mudança o Presidente Obama fez aprovar no dia 24 de Dezembro de 2009, no Senado, o denominado Health Care Bill. A mudança consiste na possibilidade de mais de 30 milhões de pessoas poderem aceder a cuidados públicos de saúde, que até ao momento estão vedados por força do sistema privado e da impossibilidade económica desses cidadãos, essenciais para a dignificação da vida humana e para um caminho óbvio de justiça. O processo legislativo do qual depende a aprovação final e a entrada em vigor ainda não está completo e as resistências dos "Elefantes" republicanos vão continuar, seguramente. Obama já havia sido interrompido bruscamente por um senador republicano aquando da sua intervenção no Congresso, um tal Joe Wilson, que associou o programa de cuidados de saúde a uma "mentira", em gritaria indecorosa. McCain, opositor de Obama nas últimas eleições presidenciais norte americanas, prontamente censurou a atitude desrespeitosa do senador republicano, seu companheiro de armas, para com o Mr. President, mas ficou a marca da contestação republicana a esta reforma. Na verdade, o sistema de saúde privado norte-americano, sectário por definição, é portador de interesses financeiros muito poderosos e a acção reformadora, de Obama, que alarga o serviço público de saúde é corajosa. Irá conseguir implementar o que quer? A eleição do senador republicano para Massachusetts será um sinal de uma contra mudança? Vamos ver. Wait and see ou wait to see.
Obama, continua com a sua acção presidencial marcada pela mudança. O novo imposto que quer aplicar à banca e à actividade financeira, que se fundamenta na necessidade da reposição dos biliões de euros que os contribuintes norte americanos introduziram no sistema financeiro com vista a salvar instituições da falência – bancos e seguradoras – dando-lhes liquidez, em concomitância com o corte nos bónus dos gestores financeiros e uma taxação sobre esses mesmos bónus são outras medidas emblemáticas da viragem nos EUA. Não é uma deriva Marxista, apesar da desconfiança de alguns. Obama já tinha sinalizado os "gatos gordos " de Wall Street. O seu Plano de salvação nacional tem contornos de uma intervenção governamental, aparentemente anti-capitalista, ou seja, uma intervenção estatizada no sistema financeiro muito mais que reguladora, mas muito menos, digo eu, que nacionalizadora, centralista e estatizante. Correctora, porventura. Conseguirão os conservadores norte americanos entender isto? Uma factura a pagar.
Só um complexo incompreensível impede que, em Portugal, as medidas assumidamente tributárias no sector bancário sejam uma realidade. Em conversa recente com uma americana republicana conservadora, quando lhe disse que era socialista e militante do partido socialista em Portugal, ela imediatamente me perguntou se eu era comunista. Disse-lhe para ela consultar o dicionário primeiro e um bom livro de história também. Eu penso que ela anda um pouco "aos papéis" com este seu presidente.
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