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Utentes lamentam que câmara do Montijo não reivindique hospitalA comissão de utentes de saúde do Montijo e de Alcochete lamenta que a Câmara Municipal do Montijo “não tenha vontade política” para reivindicar a necessidade de um novo hospital, que sirva “melhor” as necessidades das populações daqueles dois concelhos. Celina Figueiredo, porta-voz da comissão, acusa o executivo montijense, liderado por Maria Amélia Antunes, de estar “completamente colado à vontade do Governo”, sendo, por isso, “conivente com suas as políticas socialistas”. Celina Figueiredo acrescenta que é “incompreensível” que a maioria socialista no Montijo tenha inviabilizado uma moção da CDU, que “reclamava a necessidade de o novo equipamento ser construído”, ao contrário do que Maria Amélia Antunes terá, alegadamente, dito em 2005, aquando da visita ao concelho de António Vitorino, então cabeça-de-lista do PS pelo distrito à Assembleia da República. “É incompreensível a presidente afirmar, nessa altura, que já havia terreno para o equipamento e agora tomar uma posição destas”, desabafa.
Por isso, a porta-voz da comissão dos utentes afirma estar “bastante satisfeita” com a posição de Luís Franco, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, e da restante Assembleia Municipal de Alcochete, que “aprovou, por maioria, uma moção, que reivindicava o apoio financeiro do Governo para várias obras e serviços indispensáveis à vidas das populações do munícipio”. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, o presidente alcochetense considerava “imprescindível” que o Governo incluísse na sua “lista de prioridades” o novo hospital dos dois concelhos, devido à “construção do novo aeroporto de Lisboa” e “até pela necessidade de optimizar a actual rede de saúde”.
Celina Figueiredo realça ainda que aquilo “que poderá estar no horizonte é a construção de um hospital privado”. Uma situação que, a ser levada para a frente, “entristeceria” a comissão, dado que “nem toda a população poder ir para o privado”. “Se ninguém fazer nada, a luta vai endurecer”, promete a activista da comissão, antevendo a possibilidade de existirem “inúmeros abaixo-assinados, manifestações públicas, reuniões entre a população e pressão sobre o Ministério da Saúde e sobre as autarquias locais”. Segundo Celina Figueiredo, a necessidade de um novo hospital é também explicada “pelo facto de o actual não dar as respostas mais adequadas”.
“As urgências foram encerradas, não há serviço de pediatria, ainda não existem as valências de oftalmologia e de ortopedia, os tempos de espera são muito grandes e existem casos de negligência médica, em que pessoas são mandadas para casa com diagnósticos e tratamentos errados”, sublinha. Izabel Pinto Monteiro, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo esclarece, por escrito, que, na urgência básica da unidade do Montijo, “faz-se tudo o que está ao alcance” na especialidade de pediatria, apesar de tal caber “ao serviço de urgência médico cirúrgica existente no serviço de urgência da unidade do Barreiro, como por lei lhe compete”.
Izabel Pinto Monteiro afirma que as “urgências da unidade do Montijo não foram encerradas”, continuando os utentes a ter “o nível de atendimento que sempre tiveram”. “O serviço está sobrecarregado até por utilização indevida de alguns utentes que ali ocorrem em circunstâncias em que não há critérios de urgência clínica”, adianta a presidente do conselho de administração, reiterando que os tempos de espera da consulta externa “variam de consulta para consulta”, embora sejam as menos frequentes que “tenham um tempo máximo de trinta dias de espera”.
Relativamente às consultas de ortopedia e de oftalmologia, Izabel Pinto Monteiro adianta que as mesmas começaram em “Abril de 2009”, podendo os utentes “comprovar que as suas necessidades foram asseguradas”. “Não existem também quaisquer casos de negligência de que o conselho de administração tenha conhecimento”, assegura. Maria Amélia Antunes, presidente da Câmara Municipal do Montijo, não quis prestar declarações sobre o assunto ao “Setúbal na Rede”. Contactado, o Ministério da Saúde também não prestou, até ao momento, quaisquer explicações sobre esta matéria. |
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Bruno Cardoso - 29-01-2010 12:40 |
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