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• 09-02-2010 •
Economia
por Luísa Carvalho
(Doutorada em Gestão, docente na ESCE-IPS)


Os desafios para Setúbal num quadro de dualidade territorial


A partir da década de sessenta os movimentos migratórios do interior para o litoral do país, sobretudo para os arredores de Lisboa e do Porto, aumentaram a densidade populacional de diversas cidades destas metrópoles cujas actividades económicas se centravam na indústria. Com o decorrer dos anos alterações estruturais em muitas dessas indústrias, onde se destacam a metalúrgica, a química e a naval, provocaram crises económicas e sociais de carácter regional. Estas dinâmicas migratórias originaram ainda alguns problemas de ordenamento do território e de inserção social típicos de grandes metrópoles de crescimento rápido e não planeado.


De acordo com o relatório de “Prospectivas de Urbanização do Mundo”, do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas (ONU), em 2015, a Região da Grande Lisboa, onde se inclui Setúbal representará 45,3% da população portuguesa, verificando-se igualmente um crescimento e aumento do peso da área Metropolitana do Porto. Paralelamente prevê-se um aumento do número de habitantes na área metropolitana de Lisboa de 3,8 milhões em 2000 para 4,5 milhões em 2015. Esta tendência confirma os desequilíbrios e assimetrias regionais e a dualidade entre o interior e o litoral do país.

 

Um olhar crítico sobre esta tendência faz-nos reflectir sobre as politicas regionais dos últimos anos e a sua capacidade para promover a coesão social. A ineficácia das políticas públicas reflectiu-se na dificuldade em fixar pessoas no interior, sobretudo os jovens o que em grande parte se justifica por uma percepção/diferenciação clara no acesso a bens, serviços e oportunidades. Este desequilíbrio leva-nos também a pensar sobre o modelo de desenvolvimento proposto para Portugal, quando a Estratégia de Lisboa delineada pela Comissão Europeia no horizonte pós 2010 apela ao lançamento de um plano europeu para a inovação, ao desenvolvimento sustentável e às principais tecnologias do futuro, em particular a energia, as tecnologias da informação, as nano tecnologias, as tecnologias do espaço e os serviços delas decorrentes e as ciências da vida.

 

Esta estratégia assente na criação de conhecimento, na sua aplicação e comercialização está muito dependente das duas metrópoles onde se localizam os recursos e o capital humano colocando em causa um modelo de desenvolvimento integrado e extensível a todo o país e gerando fortes pressões sociais sobre as regiões mais populosas. De acordo com o mesmo estudo da ONU nas zonas rurais permanecerão apenas 22,5% da população e nas restantes cidades de média dimensão viverão apenas 8,3% dos portugueses.

 

Os números revelam uma concentração excessiva nas duas metrópoles e novos desafios para a obtenção de ganhos de competitividade num quadro de dualidade territorial. O conhecimento e a inovação tornam-se factores chave para que Setúbal possa beneficiar das vantagens desta configuração territorial.


Luísa Carvalho - 09-02-2010 12:37

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