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Santiago sugere que bairro Azul passe para gestão municipal


O município de Santiago do Cacém sugere que o Estado passe o edificado do bairro Azul, em Vila Nova de Santo André, para gestão camarária, sob pena de o bairro “não se tornar futuramente num gueto”. Vítor Proença, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, esclarece que essa transferência estatal permitiria ao concelho “ceder as colectivas não usadas a várias entidades locais e mesmo regionais, por via de um contrato de comodato”, que poderia permanecer em vigor, segundo o autarca, por um período de 50 a 70 anos.


Embora o município desconheça “o real estado do edificado do bairro Azul”, dado que ainda não foi feita uma peritagem naquele conjunto de edifícios, Vítor Proença garante que as colectivas existentes, que já são sede de várias entidades, poderiam ser a casa de cerca de cem novos organismos. “O Estado definitivamente não quer intervir ali, mas poderia deixar que alguém, como o município, tomasse essa tarefa em mãos”, reitera o edil, salientando que o bairro Azul também poderia ter, num futuro próximo, “funções sociais”.

 

Actualmente a funcionar como centro administrativo, onde está sedeada, a título de exemplo, a delegação da CCDR, do ICNB, da Segurança Social, a casa de vários partidos políticos e mesmo do Estrela de Santo André, o bairro Azul poderá estar a transformar-se, segundo Vítor Proença, num “gueto no meio da cidade de Santo André”, dada a inexistência de vida naquele local. “É preocupante o facto de o bairro Azul poder vir a constituir-se num local de refúgio para pessoas que estejam de mal com a sociedade e que possam mesmo vir a criar problemas a esse nível”, alerta o presidente da câmara municipal. No sentido de tentar resolver a questão das colectivas não ocupadas, Vítor Proença vai reunir no próximo dia 25 com Nuno Vasconcelos, presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU).

 

O processo de cedência de colectivas a várias entidades decorreria em simultâneo com os melhoramentos ao nível do domínio público do bairro, previstos no âmbito do Programa Integrado de Qualificação Urbana de Vila Nova de Santo André (PIQURB), que pretende “afirmar Vila Nova de Santo André no caminho da modernidade” e cujo investimento total ascende a 6,5 milhões de euros. Além da Liga dos Combatentes, da Quadricultura, do Espaço para Jovens e da Associação ASAS – Academia Sénior de Artes e Saberes, que poderiam usar as colectivas em questão, Vítor Proença reitera que a instalação de uma Loja do Cidadão também poderia ser feita naquele local.

 

Sobre esse processo, Vítor Proença confessa que “tem expectativas” de que uma das trinta novas lojas do Cidadão anunciadas para este ano, pelo Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, possa vir a ser a de Santo André. “Existe um espaço de 400 metros quadrados, que foi o que pediram inicialmente, e continua a reiterar-se que a Loja do Cidadão deve ter a valência das finanças”, esclarece o autarca santiaguense, que garante que, se o projecto for para a frente, “não poderá ser feito à custa da extinção de outros serviços já existentes”.


Bruno Cardoso - 11-03-2010 11:06

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