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• 19-05-2005 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Membro da Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda Seixal)


É tudo uma questão de escolhas


Esta semana que passou foi escaldante no que a escândalos do antigo executivo diz respeito. Negócios obscuros entre partidos e entidades bancárias, que mesmo presumindo a inocência até transito em julgado, não deixam de parecer aos olhos da opinião pública como muito suspeitos.


O distrito de Setúbal como capital da Lei de Murphy, onde se alguma coisa de mal acontece terá de ser (ou também) em Setúbal, não poderia ficar de for a deste imbróglio.

O empreendimento Nova Setúbal veio novamente á baila, a propósito do abate de cerca de 800 sobreiros, mas este empreendimento é muito mais que isso. È um espelho do compadrio e da cumplicidade que existe entre as autarquias e os lobbys construtores, vulgo empreiteiros e este não é certamente, um problema apenas do concelho de Setúbal, nem sequer apenas do distrito, é uma praga nacional.


Quem nunca fez a A2 entre Setúbal e Almada. Todos certamente. Já alguém se perguntou ou lembra de como era a paisagem ainda há poucos anos. Por exemplo, entre Almada e o Fogueteiro temos uma cidade apenas. Uma floresta de betão. Uma floresta sem verde. Se formos para Sesimbra, as novas construções crescem como cogumelos e a mata de Sesimbra já se tornou apetecível para os interesses imobiliários e nem a falésia escapou com a construção do Hotel. Nem o Litoral Alentejano escapa à voraz gula dos interesses. Grândola, Sines e Santiago já ameaçam tornar-se verdadeiros atentados com as construções na orla costeira.


Culpados desta situação são muitos e variados, começando desde logo por todos aqueles que têm loteado e emitido alvarás de construção, ou seja os executivos municipais. Mas não só estes têm culpas. O poder central ao não alterar as regras do financiamento autárquico e que empurra as Câmaras para a construção também não pode ser isentado de responsabilidades. Aliás parece-me que esta é sem dúvida a questão fundamental nas escolhas que os cidadãos e cidadãs vão ter de fazer no próximo acto eleitoral. A escolha entre quem defende outro modelo de financiamento e aqueles que na Assembleia da República são contra esta alteração, pois só assim se poderá dotar efectivamente os municípios de meios e liberdade de escolher o seu próprio desenvolvimento. Mas mesmo no poder central se podem e devem dividir responsabilidades. A começar e a titulo de exemplo o facto de as Secretarias de Estado do Ambiente pura e simplesmente não funcionarem na defesa do bem mais precioso e que caricatamente dá nome á Secretaria de Estado. O Ambiente.


Como se vê há muito em jogo nos próximos tempos, mas a escolha é entre duas situações. Ou se quer continuar a assistir a degradação do nosso distrito ás mãos dos patos bravos e de todos os que comem à mesma mesa ou entre uma mudança radical que preserve o meio ambiente e as nossas riquezas.


Poderão agora pensar que é redutor reduzir as questões ao urbanismo e ao ambiente. É certamente, mas este texto não tem pretensões a programa autárquico. Mas esta questão é fundamental para muito do resto. Transportes, acessibilidades, centralidades, realidades culturais, turismo, ……..

Poderão pensar que este texto é prematuro, mas não o é. À medida que se vão apresentando candidaturas os cidadãos têm o direito de saber as escolhas que estão em jogo e as candidaturas que temos visto serem apresentadas, ou são mais do mesmo ou são folclore onde o expoente máximo é a candidatura de Octávio Machado a Palmela.

Começa agora a ser altura de fazer escolhas. As do Bloco são claras e nacionais, não relativizadas aos interesses de cada um dos concelhos pois também não existem dois países diferente com pessoas diferentes. Defendemos um projecto político nacional onde o papel das autarquias é importante demais para que seja relativizado.


Daniel Arruda - 19-05-2005 09:08

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