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Movimento de pressão de Setúbal já está em marcha


Um movimento de pressão de Setúbal denominado Plataforma 21 prepara-se para organizar uma conferência, nos próximos dias 8 e 9 de Julho, destinada a debater o rumo a dar à região. Trata-se de um grupo constituído por pessoas ligadas a empresas, escolas e instituições do distrito e “de todos os quadrantes políticos”. Um dos membros, Paulo Caria, refere que o objectivo é “constituir uma cultura de inovação e de mudança no distrito” e, no fim do evento, “assinar o compromisso Setúbal 21”. O movimento quer incentivar os cidadãos a assumirem uma postura “pró-activa”, pois, como defende Paulo Caria, “a sociedade regional tem de perceber que é preciso acordar e dizer: Presente”. O Presidente da República, Jorge Sampaio já louvou a iniciativa.


Cerca de 120 personalidades do distrito vão debater o rumo a dar ao distrito de Setúbal. O movimento de pressão quer “tornar claros os vectores de mudança”, “discutir o modelo de desenvolvimento para o distrito” e fazer com que surjam “ideias geniais”. No fim, o movimento convida os participantes a assinar o compromisso Setúbal 21 perante todas as entidades locais. Entidades como o Governo Civil, as autarquias ou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT). A iniciativa conta ainda com o patrocínio do Presidente da República, Jorge Sampaio.


Raul Tavares, que pertence à organização e dirige um grupo editorial da região, explica que a assinatura do compromisso Setúbal 21”vai fazer os políticos sentirem que não estão convidados a participar, mas apenas a testemunhar”. Trata-se de uma forma de dizer que os deputados e políticos “não podem ser eleitos pela região e depois nunca mais por os pés em Setúbal”. “É uma forma de exigir aos políticos que se lembrem das responsabilidades assumidas para com a região”, argumenta. Depois da assinatura pode via a ser criado um órgão fiscalizador, um observatório que “investigará” a aplicação das medidas assumidas.


Paulo Caria é um empresário da região que considera que o distrito “precisa de um impulso novo” e de “um movimento de cidadania”. A Plataforma 21 quer que a região “onde há tudo por fazer” dê o “Grito de Ipiranga”. O professor universitário de Economia, Adelino Fortunato, também faz parte do movimento e considera que Setúbal está a viver “uma fase complicada da sua história económica, social e política”. “A fase industrial chegou ao fim e é preciso encontrar um novo modelo de desenvolvimento”, explica. Rui Dantas, empresário do sector eléctrico no concelho do Seixal, considera que a Península de Setúbal “ainda pode ter muita força no contexto nacional”.


A conferência da Plataforma 21 está agendada para os dias 8 e 9 de Julho, no auditório da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto politécnico de Setúbal. Nomes como Helenas Santos, psicóloga e consultora, Rui Dantas, e Manuel Fernandes surgem ligados ao núcleo duro do movimento. O grupo garante que “não se trata de um movimento partidário” e que “não tem qualquer intenção de interferir com as eleições autárquicas”. O nome é inspirado numa proposta para médio longo prazo, cerca de 21 anos, e ainda no facto do desenvolvimento da península poder vir a ocorrer no século XXI.


Carla Oliveira Esteves - 05-07-2005 08:16

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