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O concelho do Seixal descobriu uma nova industria. A industria das rotundas. Um negócio em franco crescimento, pois já não sobra cruzamento nem entroncamento que não tenha uma, construída ou por construir, definitiva em cimento ou provisória com aqueles separadores de plástico vermelhos e brancos, com 20 metros de raio ou com 1 apenas.
O que importa é mostrar obras, sejam elas necessárias ou não. Resolvam elas problemas ou causem problemas. Mas a industria das rotundas tem uma coisa contra. É que é um negócio datado. Quando acabarem os cruzamentos e entroncamentos acaba-se a construção destas coisas circulares pelo que o Município do Seixal já se está a adaptar aos novos tempos que aí vêm. A industria de transformação de rotundas. Este negócio ainda é mais rentável que o anterior e consiste basicamente no desfazer o que estava feito para fazer de novo. A esta actividade deu-se o nome de requalificação de espaços. Por exemplo. Hoje trata-se do arrelvamento de uma dessas estruturas e passado um ano tira-se a relva para por árvores, para um ano depois achar-se que as arvores não servem porque cortam a visibilidade, por exemplo, e voltar-se á relva ou então a um ornamento de cascalho colorido. Existe ainda uma outra hipótese que é a de se construir rotundas para depois destruir porque afinal vai ali passar uma linha de metro ou um túnel. Esta versão é a mais apreciada pois nestes casos é impossível não reparar que se está a fazer obra pois com os problemas que isto causa na circulação rodoviária dentro do concelho quando chegamos ao trabalho e temos de justificar o atraso, lembramo-nos da obra. Quando desesperamos no trânsito, lembramo-nos da obra, quando ouvimos a suspensão a “gemer” nos buracos, lembramo-nos que estamos numa obra, num estaleiro gigante chamado concelho do Seixal.
Um estaleiro que se repete ciclicamente de 4 em 4 anos, por altura das eleições. De uma forma cíclica e cínica também. Como se fosse justo e normal que a inércia de 3 anos e meio dê lugar a uma actividade desenfreada, desorganizada e inadequada ás necessidades de uma população carente de tanta coisa, especialmente de se sentir viva neste espaço que deveria ser congregador e não exclusor.
Existem milhares de coisas, que não confundir com obras, que poderiam e deveriam ser feitas.
Seria bom que nos lembrasse-mos destas obras de fachada quando moramos em Sta Marta do Pinhal e não temos uma escola para os nossos filhos, quando estamos junto á baia do Seixal e o cheiro nos faz lembrar que a maior parte das aguas que é despejada para o arco ribeirinho do Tejo não é tratada, pois não há ETAR’s que cheguem ou quando ou quando vimos a Amora (apenas como exemplo, pois isto passa-se em todas as freguesias) a degradar-se com prédios devolutos e para os quais a autarquia não consegue encontrar dinheiro para os recuperar. Quando precisamos de um espaço de cultura ou de lazer e temos de nos deslocar para longe de nossa casa ou tão simplesmente quando tentamos empurrar um carrinho de bebé ao longo de um passeio e não conseguimos ou porque carros ocupam esse espaço ou porque há desníveis que são praticamente inultrapassáveis.
Eu concordo que toda a indústria é bem vinda ao nosso concelho como factor de desenvolvimento, ou melhor, quase toda. A “indústria das rotundas” e o que representa era dispensável. Não acrescenta nada, pelo contrário, apenas nos empobrece.
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