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• 27-03-2013 •
Juventude
por Heliana Vilela
(Co-fundadora da Associação Meninos de Oiro)


Institucionalização, um meio para ...


Segundo o Relatório de Caracterização das Crianças e Jovens em Situação de Acolhimento do Instituto da Segurança Social, I.P., em 2009, foram identificadas 12.579 crianças e jovens em situação de acolhimento sendo que 9.563 crianças e jovens encontram-se efetivamente em acolhimento. Em 1221 crianças e jovens constata-se uma elevada prevalência de problemas de comportamento que se exprimem a partir dos 6 -9 anos, atingindo a sua expressão máxima na faixa etária dos 15-17 anos.


Sendo os Centros de Acolhimento Temporário (CAT), 86 a nível nacional e 8 no distrito de Setúbal, uma resposta social de acolhimento para situações urgentes e temporárias, mas transitórias, de duração inferior a 6 meses, não acontece, pois no que respeita aos períodos de acolhimento por escalão etário, são as crianças até aos 3 anos de idade que mais frequentemente são acolhidas por períodos inferiores a 1 ano e as crianças/jovens a partir dos 15 anos que "permanecem" por períodos de acolhimento superiores a 6 anos.

 

Relativamente às idades, o relatório do Instituto de Segurança Social revela uma tendência que se tem vindo a afirmar ao longo dos anos, no sentido de a população acolhida ser cada vez mais velha, concentrando-se tendencialmente na fase correspondente à adolescência (12-17 anos). De acordo com os dados do Plano de Intervenção Imediata do Instituto de Segurança Social (2010), nos Lares de Infância e Juventude foram acolhidos cerca de 67% adolescentes e jovens adultos com mais de 12 anos de idade, verificando-se uma prevalência no acolhimento prolongado sendo que a população "institucionalizada" é composta por adolescentes que apresentam poucas hipóteses de voltarem à família de origem.

 

Estes dados vêm confirmar uma mudança significativa no perfil das crianças e jovens acolhidas, lançando um claro desafio à capacidade de resposta dos sistemas de acolhimento preocupados na sua maioria com a saúde e segurança dos jovens, e do Estado, de modo a que este responda de forma eficaz às necessidades de cada uma criança/jovem e aos procedimentos legais morosos. Estas crianças e jovens em risco tiveram e têm uma vida marcada pela instabilidade e pela inconstância, recorrentes da desestruturação do seio familiar e são expostas, repetidamente, a situações de maus tratos físicos e psicológicos sendo por isso mais suscetíveis a desenvolverem problemas de disciplina e de mau comportamento, decorrentes dos maus exemplos do ambiente que os rodeia comunicando o seu mal-estar de forma agressiva ou com comportamentos antissociais. O modelo de Bronfenbrenner torna-se assim um pilar importante que situa a criança/jovem no contexto da família e a família no contexto mais amplo da comunidade.

 

Para Paul Alberto a institucionalização de crianças e adolescentes, faz lembrar pássaros e as instituições gaiolas, onde cada instituição é uma “casa de faz-de-conta” . Os jovens que nelas "habitam" sentem um profundo vazio, sentem falta de uma “casa de verdade”, com uma família "de verdade" e rapidamente se desmotivam e perdem o interesse pelas atividades que são desenvolvidas na instituição, alimentando um sonho constante: o de voltar a viver com a sua família.


Heliana Vilela - 27-03-2013 09:52

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