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Debates Autárquicas 2005

Candidatos centram discurso na zona ribeirinha e no Seixalinho


Candidatos centram discurso na zona ribeirinha e no Seixalinho

Todos os candidatos opositores são unânimes, o essencial do programa dos socialistas do Montijo não foi cumprido e os projectos estruturantes, como a recuperação da zona ribeirinha, não avançaram um milímetro. A recandidata à cadeira da presidência, Maria Amélia Antunes garante não ter faltado à palavra e explica que “são projectos que envolvem grandes verbas e por isso têm de ser feitos em vários mandatos”. A mudança dos catamarãs, que transportam os montijenses para o Terreiro de Paço, do Cais dos Vapores para o Seixalinho fez estalar a discórdia durante o debate organizado pelo “Setúbal na Rede”, ontem. O combate político foi travado entre as candidatas do PS e do PSD, embora a segunda força partidária do concelho seja a CDU.


O candidato da CDU, Serra da Graça, refere que “as promessas feitas sobre projectos estruturais, como o parque desportivo ou a recuperação da zona ribeirinha e do centro histórico, não avançaram”. Uma posição apoiada pela social-democrata Lucília Ferra que sublinha que “os projectos se arrastam desde 1997”. Com alguma ironia, a candidata afirma que “o PS precisa de mais 20 anos para cumprir as promessas”. O bloquista Cipriano Pisco defende que perante duas maiorias absolutas “o PS tinha condições para fazer mais” e critica ainda o facto do projecto do novo parque de exposições estar parado, bem como a circular externa.


Maria Amélia Antunes argumenta que a obra desenvolvida no concelho “fala por si” e que os projectos estruturantes que apresentou no último mandato “vão demorar anos a implementar devido às avultadas verbas necessárias”. Contudo, Serra da Graça considera “inadmissível” que o parque desportivo não tenha avançado porque “desde o final da década de 90 que o Instituto Nacional do Desporto deu parecer positivo”. Sempre bastante combativa, Lucília Ferra critica o balanço “excessivamente rosa” feito pela actual presidente, numa clara alusão à cor partidária de Maria Amélia Antunes.


O PSD não concorda com o projecto socialista para a zona ribeirinha e está a trabalhar numa alternativa com técnicos. Para a social-democrata esta área “deve abranger equipamentos desportivos, comerciais e de restauração e serviços”. “A ideia apresentada pelos socialistas não vai recuperar nada”, refere. Amélia Antunes sublinha que o estudo foi feito pela Universidade Técnica de Lisboa, uma instituição que “dá cartas na área do ambiente”. O popular Martins de Almeida propõe ainda que o projecto de recuperação da zona ribeirinha “inclua boas condições para os desportos náuticos, pois estes fazem parte da tradição montijense”.


A deslocalização do Cais dos Vapores para o Seixalinho acendeu o debate. Lucília Ferra enfatiza que os catamarãs foram transferidos para o Cais do Seixalinho “sem que o executivo tivesse, até hoje, assegurado um transporte eficaz”. Cipriano Pisco acrescenta que a deslocalização do Cais dos Vapores para o Seixalinho foi “um erro” e argumenta que “só quem sofre de cegueira política é que não vê que o transporte está actualmente mais caro e mais demorado”. Em resposta às perguntas da audiência os candidatos do BE e da CDU comprometem-se a trazer de volta os catamarãs para o Cais dos Vapores. Lucília Ferra, numa posição mais cautelosa, prefere apostar “na minimização dos prejuízos da população através da criação de uma estrutura de transportes urbanos do Montijo”.


O debate fica ainda marcado por algumas altercações entre Maria Amélia Antunes e Lucília Ferra, principalmente quando a social-democrata referiu “problemas” na compra municipal de um terreno que teria sido vendido à sociedade mediadora por 300 mil euros mas apenas adquirido pela autarquia quatro meses mais tarde por 800 mil euros. A actual presidente da câmara garante que a argumentação do PSD “é mentira” e que “a câmara não perdeu um cêntimo na transacção”. A candidata do PCTP-MRPP, Manuela Parreira, verifica que Maria Amélia Antunes “não tem oposição no Montijo” e manda um recado à CDU, “os eleitores ainda não se esqueceram do que fizeram quanto ocupavam a presidência da câmara”.


Carla Oliveira Esteves - 07-09-2005 10:26

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