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Eu sou um malandro!!!!! Eu sou um mau trabalhador!!!!! Eu sou um tipo inconsciente!!!!! Eu não sou produtivo!!!!! Eu não sou competitivo!!!!!
Mas será que eu trabalhador sou mesmo tudo isso ou é o que me querem fazer crer que eu sou. Até há pouco tempo atrás sabíamos que os trabalhadores tinham um adversário na sua pretensão de uma vida digna, na pretensão de um trabalho com direitos, na pretensão de ser tratado com respeito mas na passada 3ª feira dia 20 de Dezembro ficámos a saber para além de qualquer dúvida que temos mais um adversário de respeito. O Governo, na figura do seu ministro da economia.
Mas vamos primeiro falar de uma regra democrática, que me parece essencial esclarecer, mesmo sob pena de me chamarem “naíf”. A maioria parlamentar que sustenta um governo é eleita pelo povo, cidadãos trabalhadores deste país e é perante estes que deve prestar contas e, muito importante, é estes que deve defender. Sabemos todos que nos sucessivos governos PS, PSD e CDS, são compostos na maioria por pessoas indicadas por empresas que estão lá para cumprir um dado objectivo de uma empresa ou de um sector, mas até hoje sempre tinha havido o decoro, quiçá hipócrita, de não manifestar directa e abertamente esta tendência. Manuel Pinho quebrou isso.
Claramente esqueceu-se de que lado deveria estar e de uma forma clara, despropositada e inexplicável á luz da razão e do senso comum. O que Manuel Pinho fez tem um nome. Chantagem. Pode agora vir dizer que não era bem isso que queria dizer, pode vir o Primeiro Ministro dar cobertura e dizer que está de ambos os lados, que não defende mais uns que outros, que a única verdade que fica é que este governo “borrou-se” de alto para 3000 trabalhadores directos e cerca de 8000 indirectos, pois foi isso que fez quando disse a mentira (não há que ter medo das palavras) que os trabalhadores da Autoeuropa “trocam a possibilidade de mais horas extraordinárias pela certeza de mais desemprego”. Como se ele não soubesse que o que estava em causa era muito mais que isso. O maior número de trabalho extraordinário de que fala é trabalho pago a metade do preço que até agora. É isso que está no acordo, não um aumento de horas extraordinárias.
Mas nessa terça-feira ficamos também a saber que existem sindicalistas que não sabem distinguir entre serem militantes de um partido, neste caso o PS, e serem dirigentes, secretário geral até, de uma central sindical. João Proença, o mesmo que assinou de cruz o código do trabalho e que tem viabilizado sucessivamente acordos de concertação social desfavoráveis aos trabalhadores vem agora acusar delegados e dirigentes sindicais de outro sindicato, que se recusa a especificar mas que são os da CGTP (a menos que esteja a falar dos da própria UGT) de boicotarem o pré acordo a que a comissão de Trabalhadores tinha chegado com a administração. Se o João Proença soubesse do que fala, saberia que naquela empresa até hoje, nunca houve uma divergência entre CT e sindicatos e que quando se assumiu que se devia defender uma posição esta era assumida por todos, sindicatos da CGTP e UGT mais a Comissão de Trabalhadores até porque elementos destes dois sindicatos estão na Comissão. O que não se pode querer é que a voz dos sindicalistas se sobreponha à voz dos sindicalizados. Nós explicámos ás pessoas o que estava em causa, o que constava no acordo mas não influenciamos o voto. Cada um é livre de votar como quer desde que seja em consciência.
O que Proença nas entre linhas diz é que os trabalhadores da Autoeuropa são demasiado estúpidos para pensarem por si só e que precisam de disciplina de voto. Tudo vale na defesa do Ministro e da política do governo Sócrates.
Por fim, e porque a meu ver o nome dos trabalhadores da Autoeuropa tem sido arrastado pela lama gostaria de deixar aqui algumas notas. Notas que servem para demonstrar o sentimento de quem trabalha todos os dias, que tem sido flexível, que tem sido inovador, que tem sido produtivo, que tem sido empreendedor, que tem atingido patamares de qualidade de excelência, que tem vestido a camisola na defesa de um bem comum e que agora se vê encurralado entre as feras. A Administração, o Governo e alguns sindicatos oportunistas.
São estes os mesmos trabalhadores que nos últimos 36 meses, ou seja 3 anos, vêm o seu salário não ser aumentado, que aceitaram um acordo de flexibilidade laboral que permite à empresa parar mais 22 dias por ano sem encargos, que foram estes trabalhadores que foram os 1os a aceitarem a lei de Flexibilidade e Polivalência a bem da competitividade, que são estes trabalhadores que puseram e mantêm a Autoeuropa no topo do ranking interno da VW, não foram estes trabalhadores que proporcionaram lucros a esta instalação fabril.
Não serve este artigo de opinião para exprimir a minha posição sobre o pré acordo. Essa exprimo-a no local próprio, na altura própria e só depois é que pela minha parte o problema virá para a praça pública.
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