Pesquisar



> Notícias > Assento Parlamentar > Bloco de Esquerda > Arquivo 2005 > Encerrados para férias
Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários

• 29-12-2005 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Dirigente Distrital do Bloco de Esquerda)


Encerrados para férias


A menos que se fale de presidenciais parece que nada se passa neste país. Não sou eu que o digo. São os nossos órgãos de comunicação social. Basta desfolhar o Público, o DN ou o JN para vermos a pasmaceira que este país chegou. Esta pasmaceira ainda é mais ridícula quando ouvimos o ano todo dizer que "isto está mal" ou " é preciso produzir mais riqueza". Obviamente que só podemos já estar na retoma. Só um país pujante se pode dar ao luxo de parar 15 dias para férias. Sim, porque é disso que se trata. O país fechou para férias, quiçá influenciado pela liga de Futebol que também encerrou para férias.


As notícias que nos chegam nos últimos dias falam de SMS, de records de levantamentos bancários, de portugueses que por cada 100 Euros que recebem gastam 118, que se endividam para lá do aceitável. Chegam-nos notícias de um aumento dos lucros da banca na ordem dos vários milhões, da abertura de novos balcões mas ironicamente a notícia de que o já emagrecido sector da banca tem este ano menos 800 funcionários parece que não é notícia.


Um país que está a pensar nas filhós e no bolo-rei. Que compra passas para poder pedir à meia noite de dia 31 o mesmo que tem pedido nos últimos 8 anos. Nestas “férias” o país pensa em Dakar, nos todo o terreno e espera que isso traga algum reconhecimento para o país e consequentemente para eles próprios, afinal este evento foi vendido ao povo como potenciador da actividade económica em Portugal, esquecem-se que esse argumento já foi usado no Euro 2004 ou no Masters de Ténis. No Euro 2004 até foi apregoada a queda da taxa de desemprego durante o evento mas nunca nos foi dito o aumento que esta sofreu depois de terminado o trabalho sazonal.

Um país que está a pensar nas filhós e no bolo-rei que é confrontado, nesta altura de “férias” com a imposição do governo de um aumento de 1,5% para a função pública. Claro que o timing deste anúncio é perfeitamente casual. Ninguém se acredita que a coincidência deste anuncio com o período estival estava prevista, afinal as pessoas do governo já deram provas de ser pessoas de bem. Quem não se lembra do aumento de impostos depois de se ter dito o contrário ou do aumento da idade da reforma.

Um país que está a pensar nas filhós e no bolo-rei que não se apercebe que o governo está a atirar para a rua centenas de idosos e reformados que não vão ter dinheiro para pagar a renda quando for aplicada a nova lei das rendas. O mesmo governo que aumenta 2,5% as reformas de miséria decreta o aumento de rendas nalguns casos de mais de 50%.

Um país que está a pensar nas filhós e no bolo-rei assiste impávido e sereno ao facto de ser anunciado que o candidato presidencial do rigor, o Professor Cavaco, vai gastar mais de 2 milhões de Euros nesta campanha, quando comprovadamente 500 mil chegam para a fazer, pois é esse o orçamente de Louça, e ele não deixará de fazer campanha por isso.

Um país que está a pensar nas filhós e no bolo-rei que não se incomoda a ouvir as notícias que nos chegaram sobre a revisão em baixa do crescimento português e sobre o aumento do número de desempregados. Afinal é época de festas e quem é que se quer incomodar a ouvir notícias tristes se até é o vizinho que ficou sem emprego ou vê o seu poder de compra diminuído. E até porque ouvimos logo de seguida dizer se a situação está assim a culpa é certamente do governo anterior, e de governo em governo cá vamos nós alegremente pensando nas filhós e no bolo-rei.


Felizmente que as “férias” estão a acabar e para que pelo menos tenha valido a pena fechar o país para balanço espero que todos entrem bem no novo ano, que venham pujantes e com força, porque a liberdade e o bem estar não nos cai no colo. Temos todos de lutar por ela. Por isso cá estivemos em 2005, por isso vamos continuar a estar em 2006 com todos aqueles que queiram juntar a sua voz de indignação á nossa. Cá estaremos. Todos juntos pela luta toda.


Daniel Arruda - 29-12-2005 10:30

Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários

Veja também...

Calem-se e não digam disparates

Olhos nos Olhos

Infelizmente sobram temas

O Trabalho na China e as consequências no Mundo

Bloco presta contas em Almada