Pesquisar



> Opinião > Assento Parlamentar > Bloco de Esquerda > Arquivo 2006 > Geração de Mudança
Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários

• 19-01-2006 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Membro da Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda Seixal)


Geração de Mudança


Faltam apenas 3 dias para elegermos um novo Presidente da República. É pois chegada a hora de fazer escolhas, tomar decisões, escolhas importantes que por si só nos obrigam a uma coisa. A não faltar à votação. O futuro do nosso país é demasiado importante para nos demitirmos de ter opinião.


Mas é chegada a hora de tomar outras decisões. Uma escolha entre mais do mesmo. De termos um Presidente da Republica que vai dar continuidade ás más políticas dos governos, funcionando na realidade como reserva moral ou pior ainda como acontece com o candidato das direitas que vai querer fazer um ajuste de contas. O derradeiro ajuste de contas que as direitas e a finança tem com a constituição emanada da Revolução de Abril.

 

Assistimos nesta campanha a muita coisa, muita coisa bizarra, quase irreal. Assistimos antes de mais a uma campanha nunca antes vista dos grandes grupos económicos e sua imprensa para entronizar um candidato que antes de ser já o era. Aquele que geriu a sua campanha durante 10 anos para chegar a este momento. Aquele que teve durante mais de um ano uma sondagem semanal que o chegou a dar com mais de 60% dos votos, sempre contra candidatos virtuais, e relembro só alguns, Guterres, Vitorino, Marcelo entre muitos outros.

 

Assistimos a uma luta de comadres zangadas, por parte de dois candidatos contra natura que mais que preocupadas em derrotar o modelo político protagonizado pela direita, fizeram e muito por se derrotarem um ao outro e ainda tiveram tempo, especialmente aquele mais dado ás letras, de atacar quem estava à sua esquerda.

 

Assistimos a uma campanha maioritariamente composta pela não ideia, pela ausência de opinião, onde os lacónicos” não comento” ou “não tenho nada a dizer sobre isso” imperaram. Assistimos a uma romaria por cemitérios, recepções encenadas por dezenas de figurantes transportados em camionetas, jantares pagos pelos milhões da campanha. Assistimos a muita coisa nesta campanha que seria fastidioso enumerá-las todas.

  

Mas assistimos também nesta campanha ao nascimento de uma Geração de Mudança. Aquela que não se coíbe de olhar Olhos nos Olhos das pessoas e dizer o que pensa, lutando para acabar com o pântano que é o centrão.

 

Essa nebulosa que ainda ninguém entendeu mas sob a qual toda a gente sofre os apertos do dia a dia. Como dizia alguém durante esta campanha, esta Geração de Mudança, é o que é estar do lado certo da esquerda, aquela que não se engana em quem combater, que sabe o que quer e para onde vai. Uma esquerda tem memória do passado recente e menos recente e por isso combate se lembrou que era preciso combater o(s) “coveiro(s) da desgraça”, uma esquerda que não tem problemas em evocar e enaltecer o passado e as suas figuras mas cujo pensamento está virado para o futuro.

 

Porque é de futuro que esta Geração de Mudança precisa. Precisa de uma segurança social que funcione e que garanta a reforma no futuro, precisa de uma educação que eduque, precisa de uma saúde que trate e previna, precisa de trabalho com direitos.

 

Chamaram de tudo a Francisco Louçã nesta campanha mas há uma coisa que tendo sido como insulto foi sem dúvida o maior elogio que lhe podiam fazer. A certa altura disseram que Louçã era um cavaco ás avessas. Mas é claro que sim. O que é que esperavam de um candidato de esquerda. Que fosse igual a Cavaco? Que fosse para os debates concordar com Cavaco como alguns fizeram?

 

Claro que Louçã é a antítese do candidato esfinge, é assim que ele deve ser. É assim que o país precisa que ele seja, é assim que os seus apoiantes o querem e por isso são seus apoiantes. Se argumentos para votar Louçã faltassem, e felizmente não faltam, seria óbvio que este era o melhor argumento a usar.

 

Porque pertenço a uma Geração de Mudança, que quer um país melhor, porque acredito em Francisco Louçã, que tem provas dadas do seu mérito e das suas ideias, porque eu não me demito de ter e dar a minha opinião no próximo dia 22 Voto Francisco Louçã a presidente.


Daniel Arruda - 19-01-2006 16:56

Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários

Veja também...

Por uma questão de coerência

Intervenção dos autarcas do BE do Distrito de Setúbal: balanço bastante positivo

Sócrates, Brecht e a manifestação de dia 25

Há batalhas que são decisivas

A revisão do PDM deve ser um processo participativo