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Para que não haja más interpretações queria deixar aqui como ponto prévio uma constatação de um facto. A esquerda perdeu estas eleições. Mas para as direitas unidas aquilo que era para ser um simples passeio de Domingo, afinal revelou-se um parto mais difícil que o esperado.
A diferença entre a eleição e uma 2ª volta foi de apenas 30.000 votos, o que no universo de votantes é manifestamente pouco.
Não quero aqui alongar-me sobre as razões da vitória de Cavaco, mas há dois pontos, entre outros, que tenho de destacar. Em 1º lugar a vergonhosa prestação dos órgãos de comunicação nacionais que desde Janeiro passado deram o candidato da direita eleito com margens folgadíssimas, relembro que chegaram a dar 62% a Cavaco Silva. Até no dia de reflexão e no próprio dia das eleições o Correio da Manhã e o DN fizeram campanha publicando textos que davam como certa a vitória de Cavaco á 1ª volta dando a entender margens folgadíssimas. O outro ponto que me parece fundamental referir é a contribuição que o PS deu para esta vitória. Não basta reconhecer agora que a candidatura de Mário Soares foi um erro, porque há erros que não se admitem, porque são de tal maneira gravosos que as consequências são fatais, como foi o caso. Como referi no início haveria várias análises a fazer ás causas da vitória da direita mas não é isso que me interessa.
Ouvimos muitas barbaridades na noite eleitoral, muitas provocações “baratas” e muita análise descuidada. Ouvimos por exemplo Miguel Sousa Tavares referir-se ao resultado eleitoral do Francisco Louça como sendo a luta para chegar á barreira económica dos 5% como se isso fosse o fundo da questão, ou ainda referir o resultado do Francisco Louçã como sendo o pior, e fazendo a analogia com o BE, resultado eleitoral que esta esquerda nova tinha tido. A realidade é que não é bem assim. Nem para o Francisco Louça esta batalha era monetária, nem o resultado dele foi como o querem pintar. Vejamos porquê:
- Os 5,3% obtidos por Francisco Louçã representam a segunda melhor votação de sempre na área política do Bloco de Esquerda, em número de votos e em percentagem.
- A votação das últimas autárquicas é quase duplicada. A das presidenciais de 2001 é mais que duplicada.
- Em vários distritos, Francisco Louçã é o quarto candidato mais votado (Aveiro, Bragança, Castelo Branco, Açores, e em particular na Madeira, com 7,8% na região e 9,8% no Funchal). Também na Guarda e em Vila Real são obtidos os melhores resultados de sempre. A subida eleitoral em Braga significaria a possibilidade de eleger um deputado pelo distrito, e em Aveiro e Faro esse objectivo ficaria muito próximo. (se tratassem de legislativas)
Claro que também houve descidas como foi o caso dos distritos de Lisboa, Porto e mesmo Setúbal. Esta situação decerto não é alheia a forte votação e a implementação que a candidatura de Manuel Alegre teve nestes distritos. Aliás esta tendência é comprovada após uma análise aos resultados por mesas de voto das freguesias tipo do distrito de Setúbal.
Agora é tempo de olhar para frente para as duras batalhas que se aproximam no dia-a-dia. Vamos entrar num período de 3 anos onde salvo situação anormal não haverá eleições. Tempo para fazer aquilo a que nos propusemos, nos últimos combates eleitorais mas acima de tudo para crescer, como movimento, como plataforma de diálogo entre os diversos vectores da sociedade civil, para criar bases ainda mais sólidas para sermos a cada vez mais a esquerda socialista e popular que Portugal precisa.
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