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• 09-02-2005 •
Assento Parlamentar (CDU)
por Eugénio Rosa
(Economista - Candidato da CDU pelo distrito de Setúbal)


Propostas da CDU


A CDU apresentará propostas de desenvolvimento para o distrito de Setúbal diferentes das políticas do ps e do psd/cds que levaram ao atraso crescente desta região. O distrito de Setúbal, que era um dos distritos mais desenvolvidos do nosso país devido ao importante parque industrial que possuía, com as politicas seguidas tanto pelos governos do PS como pelos governos dos PSD e CDS, de que é exemplo a politica de privatizações maciças, perdeu a maioria dessa indústria e apresenta actualmente taxas de crescimento económico inferiores quer à região da Grande Lisboa quer mesmo relativamente à média nacional.


De acordo do INE, entre 1996 e 2001, ou seja, com o governo do PS, o PIB por habitante, isto é, a riqueza criada em média por habitante, aumentou na península de Setúbal apenas 32,5%, quando na região da Grande Lisboa cresceu 45,6% e, a nível do País, aumentou 38,9%. Entre 2001 e 2002, com o governo do PSD/CDS, o PIB por habitante aumentou na península de Setúbal apenas 0,1%, quando a nível nacional cresceu 4,1%. Tudo isto a preços correntes.

 

Se a comparação for feita com base não em taxas de crescimento mas em riqueza média em euros criada por habitante o atraso verificado nestes últimos 6 anos é chocante. Em 1996, o PIB por habitante da Península de Setúbal era inferior ao de Grande Lisboa em 6.568 euros e ao do País em 1.183 euros; em 2002, portanto seis anos depois, essa diferença negativa já tinha aumentado em relação ao PIB por habitante da Grande Lisboa para 11.251 euros (mais 71%) e relativamente ao PIB por habitante do País para 2.593 euros (mais do dobro). Portanto, se a situação era grave em 1996, actualmente é muito mais grave como consequência das políticas que foram seguidas pelos governos do PSD, do PS e do PSD/CDS.

 

E esta marginalização e esquecimento do distrito de Setúbal é clara a nível do investimento público. Como se sabe o investimento público é fundamental para criar as condições de desenvolvimento e para impulsionar outro tipo de investimento tão necessário ao desenvolvimento desta região.

 

Um dos instrumentos mais importantes do investimento público é o PIDDAC (Plano de Investimento da Administração Central). E o investimento feito através dele tem diminuído drasticamente no distrito de Setúbal. Assim de acordo com o Orçamento do Estado, entre 2002 e 2005, o investimento publico constante do PIDDAC destinado ao distrito de Setúbal passou de 363,9 milhões de euros para apenas 219,9 milhões de euros, ou seja, diminuiu em 39,6% . E isto a preços correntes, ou seja, sem descontar a taxa de inflação. Se a comparação for feita a preços constantes de 2002, a diminuição é ainda maior. Assim, se anular o efeito do aumento de preços, o investimento aprovado para 2005 é inferior ao de 2002 em cerca de 44% (menos 161,1 milhões de euros). Por outro lado, em termos nacionais, ou seja, em percentagem do investimento total do PIDDAC, a parcela destinada ao distrito de Setúbal passou, entre 2002 e 2005, de 5,5% para apenas 3,3% do investimento público total constante do PIDDAC. É clara a marginalização do distrito.

 

Esta politica tem aumentado o desemprego no distrito de Setúbal (só nos centros de emprego estão inscritos mais de 42.000 desempregados) e obrigado centenas de milhares de habitantes do distrito de Setúbal a deslocarem-se diariamente para outras regiões em busca de trabalho que não encontram no seu distrito, tendo de gastar, todos os dias, longas horas com transportes que alongam a sua jornada de trabalho em média mais uma hora por dia e de suportar os elevados custos dos transportes que agravam as suas já difíceis condições de vida.

 

É esta política danosa para o distrito de Setúbal que a CDU quer alterar, apresentando propostas concretas que beneficiem a região, que a façam sair do estado de atraso em que caiu, e lutando pela sua implementação. Mas isso ficará para o próximo artigo pois o espaço que nos foi cedido pelo “Setúbal na Rede”, que agradecemos, já se esgotou.


Eugénio Rosa - 09-02-2005 13:45

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