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Passado quase um semana sobre o início da campanha, penso que já se pode fazer um pequeno balanço. Por parte do Bloco de Esquerda esse balanço não podia ser melhor. A adesão das pessoas à campanha tem sido uma agradável, não diria surpresa pois só poderia ficar surpreendido quem não tem acompanhado o trabalho do BE, constatação. Se calhar tem ajudado o facto de estarmos constantemente na rua, a falar com as pessoas, a debater e a esclarecer, sem medo porque quem não deve não teme.
As centralidades que elegemos para esta campanha são outro ponto que deve ser analisado. O emprego, a saúde, o ambiente são de facto os grandes problemas deste distrito. Não é por acaso que a média de desempregados neste distrito é maior que a média nacional, que é um distrito que está dependente das venturas ou desventuras da Autoeuropa, que é um distrito cada vez mais terciarizado, que tem os problemas que são conhecidos do Hospital de Setúbal ou do Barreiro, dos Centros de Saúde sub aproveitados, inexistentes ou mal equipados. É um distrito que vive os crimes ambientais da Arrábida, de Tróia, das lamas de Sines, da destruição do sapal de Coina.
É para estes e outros problemas que o Bloco de Esquerda vira atenções. Não se preocupando com manobras de diversão que nada dizem ás pessoas. Se o ainda 1º Ministro dorme a sesta, se vai de Falcon para Monte Real, Se Fulano chama isto ou aquilo a Cicrano. E não se preocupa com manobras de diversão porque anda na rua e as pessoas dizem-nos o que as preocupa e essas não são as preocupações das pessoas. O que nos dizem é que esperam meses para uma consulta no dentista e que a mesma apenas é dada em Setúbal cidade, o que é um transtorno para quem se desloca dos concelhos vizinhos, em grande parte por causa dos transportes que não existem. O que as pessoas nos dizem é que procuram trabalho há anos sem sucesso e que agora já nem subsídio de desemprego têm. Ouvimos os jovens licenciados que trabalham em Call-Centers ou nas lojas das grandes superfícies, completamente precários. Ouvimos os idosos perguntarem o que é feito das promessas de uma reforma decente e os menos idosos a perguntarem se será mesmo verdade que existem partidos que querem que a merecida reforma chegue aos 68 anos ou mesmo na morte. Ouvimos os imigrantes que se queixam de serem discriminados apenas por procurarem uma vida melhor, por fazerem tão só e apenas aquilo que os nossos pais e avós fizeram durante anos. Apenas por imigrarem. Apenas por quererem ser felizes.
São estas as queixas que ouvimos na rua e é para estas que queremos dar resposta e essa resposta passa por algumas linhas fundamentais. Rejeitamos linearmente a privatização do Serviço Nacional de Saúde porque achamos que o estado deve ser o garante da igualdade de tratamento entre todos e para que não se continue a assistir á vergonha que é o fecho das unidades de apoio a seropositivos ou de tratamento a crianças com leucemia só porque não são rentáveis. O SNS não tem de ser forçosamente rentável. Deve, isso sim servir os cidadãos. Defendemos uma política de emprego séria, que aposte na formação e requalificação dos trabalhadores e por conseguinte uma captação de investimentos privados e também de investimentos públicos para a criação de novos postos de trabalho. Defendemos que as pessoas ao fim de 40 ou mais anos de trabalho merecem uma reforma condigna e que não sejam obrigadas a trabalhar até ao dia em que por circunstâncias normais de vida serão transportados para a última morada.
Andamos há muito tempo na rua a ouvir e a aprender com as pessoas e é esse o principal balanço que podemos fazer desta campanha. Que por muito que possamos dar ás pessoas, a riqueza do que nos podem transmitir é muito mais rica e é exactamente essa riqueza, que a representação parlamentar do BE pretende levar para o Parlamento no próximo dia 20.
Com o Bloco e o teu voto, não será apenas um deputado que vai estar no hemiciclo de S.Bento. É a população de Setúbal. És tu.
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