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• 27-04-2006 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Dirigente Distrital do Bloco de Esquerda)


Notas Soltas



Tema do dia: Não há. Nem pode haver. O País vive num “cinzentismo” em que tudo parece normal. Sócrates tem nisto algum mérito. Aquilo que eu muitas vezes apontei ao governo de Durão e depois de Santana era o de não entender o funcionamento dos media, é exactamente o mérito de Sócrates. Mas será mérito neste caso específico bom? Não. De todo. É como se tivéssemos de defender o trabalho de um vendedor de banha da cobra. Pode ter muito jeito para vender o que não presta mas o produto não deixa de ser mau por causa disso.


Por isso vou deixar notas soltas. Porque me apetece desabafar:


Luís Delgado rematou o seu comentário ao discurso de Cavaco Silva na sessão solene da Assembleia da República com uma frase que demonstra muito do que a direita pretende. Dizia delgado que começava a estar na hora de Cavaco seguir a política que os que votaram nele esperam. Que diferença para a expressão que o mesmo Delgado teve para com Presidentes vindos da área da esquerda e centro esquerda. Nessa altura dizia-se que passadas as eleições o Presidente deveria ser de todos os portugueses.

 

Foi aprovada no Parlamento a Lei da Paridade. Nunca concordei com esta lei pelo simples facto de para mim isso ser uma prática normal e corrente. Mas analisando os números, nomeadamente os do distrito de Setúbal vemos que esta lei faz falta. 17 Eleitos por Setúbal sendo que apenas 4 são mulheres. Mas a nível nacional as coisas também não estavam bem. Os únicos dois grupos Parlamentares paritários são o dos Verdes e o do Bloco de Esquerda. Se calhar tenho de dar a mão á palmatória e dizer que se há quem não entenda a igualdade como coisa natural ela terá de ser legislada. Não deixa no entanto de me entristecer que um valor fundamental não seja acatado por aqueles que mais responsabilidades têm no governo da nação.

 

O Governo veio nestes últimos dias fazer grande alarido por o Desemprego ter decrescido umas décimas. Não importa se para tal é preciso recorrer a engenharia dos números ou adulterar dados. Não importa se é preciso contabilizar como empregados pessoas que trabalham 10 horas por semana ou pessoas que estão em formações não remuneradas ou aqueles que já não estão inscritas no fundo de desemprego há algum tempo. Mais uma vez se mente aos Portugueses. A promessa de 150.000 novos postos de trabalho neste momento está com um saldo negativo de mais de 30.000. Foram esses os postos de trabalho que se perderam desde a entrada em funções deste (des) Governo. Torna-se por isso premente que a prioridade se vire para o mundo do trabalho. É por isso com desagrado que se vê que o PS da oposição nada tem a ver com o PS do Governo. Onde está a oposição ao código de trabalho. Muito antes pelo contrário. O lançamento do livro verde apenas vem confirmar aquilo que há muito se sabia. Mais que o apoiar o PS pretende desenvolver este código, para tornar ainda mais precária a vida de milhares de trabalhadores.
 

Por fim uma nota triste. Gostaria de em meu nome e em nome do Bloco de Esquerda de Setúbal me solidarizar com a tristeza da família e amigos de Armando Coelho da Silva, Presidente da Junta de Freguesia da Pena, assassinado no exercício da sua função e desejar as melhoras da funcionária da Junta que ainda está a lutar pela vida no Hospital. Nestas alturas não se pode discutir ideologia ou credo partidário. Tratam-se de pessoas que dão vida ao conceito de cidadania.


Daniel Arruda - 27-04-2006 14:19

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