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Setúbal “culturalmente mais pobre”

Morreu o pintor setubalense Lima de Freitas


Na madrugada de Segunda feira, dia 5 de outubro, morria em Lisboa, o pintor setubalense Lima de Freitas, considerado um dos mais internacionais artistas plásticos do país. Tinha 71 anos e era patrono de muitas obras e associações artísticas do concelho de Setúbal, local onde nasceu e a que toda a vida esteve ligado.


Foi a sepultar no dia seguinte, no cemitério de Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal, rodeado de ramos de flores de papel feitos pelas crianças da Academia Luisa Todi, a quem ensinou a gostar de pintura. As cerimónias oficiais estiveram a cargo de um vasto leque de personalidades da política e da cultura setubalense.

"Setúbal perdeu um homem e um artista sem par, cujo mérito é reconhecido aquém e além fronteiras". A afirmação é do presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Mata Cáceres ao ser confrontado com a morte do pintor com quem o presidente da Câmara privou de perto durante os últimos anos.


Sentido de forma muito especial a morte do artista, Mata Cáceres garantiu ter sido com tristeza que tomou conhecimento do sucedido, até porque segundo o autarca "tínhamos uma muito boa relação pessoal, de amizade e respeito mútuo, e porque se tratava de uma pessoa boa, para além de ser uma personagem relevante no plano artístico". O bom relacionamento entre Lima de Freitas e Mata Cáceres é público, sabe-se que foi ele o autor de um livro sobre a vida e obra do santo patrono de Setúbal, São Francisco Xavier, e o autor de um dos mais belos quadros oferecidos à autarquia e que se encontra em exposição na Sala de Sessões. A amizade entre Lima de Freitas e o actual presidente da Câmara levou mesmo o pintor a aceitar o convite para ser mandatário de Cáceres nas últimas eleições autárquicas.

 
Nascido em Setúbal, na praça do Quebedo, há 71 anos, Lima de Freitas representa para muitos dos seus concidadãos, um dos maiores pontos de referência nas artes plásticas. E tanto assim é que acabou por ser convidado para presidir ao Conselho Científico da Academia Luísa Todi, uma escola particular de ensino artístico que integra centenas de crianças e jovens vocacionados para a música e as belas artes.


Durante mais de um ano, o "mestre" como assim lhe chamavam professores e alunos da Academia, privou com a escola e influenciou todo o seu funcionamento artístico, nomeadamente no quer diz respeito às artes plásticas. E o seu trabalho culminou com uma sessão de pintura colectiva com cerca de 50 crianças entre os 3 e os 6 anos, onde Lima de Freitas ensinou e ajudou a pintar uma tela que deu origem a serigrafias cuja venda reverteu a favor da própria escola de ensino artístico.


Pelo reconhecimento do peso do nome de Lima de Freitas e pela obra que deixou junto das crianças de Setúbal, a direcção da Academia Luisa Todi é peremptória em afirmar que Setúbal "está culturalmente mais pobre" e que daqui para a frente será mais difícil levar em frente o projecto pedagógico cujo fundamento assentava, em boa parte, na pessoa de Lima de Freitas.


O conservador do Museu de Setúbal, Fernando António Baptista Pereira também se sente consternado pela morte de Lima de Freitas, uma morte que considera ter um significado de dupla perda para a cultura portuguesa: "perdemos o artista plástico e o filósofo da arte e da cultura".


Lima de Freitas deixou uma obra diversificada que iniciou ainda na sua juventude, quando tocava violino e escrevia poesia e contos. Pintor, desenhador e gravador, Lima de Freitas foi responsável por mais de uma centena de obras como as capas dos livros D. Quixote, na tradução de Aquilino Ribeiro, Os Lusíadas, e todos os livros da colecção Vampiro, para além de ter sido o promotor do lançamento da colecção Argonauta.


Em 1969 criou a cerâmica artesanal de Porches e desde essa altura é reconhecido como um pintor de renome internacional. Pouco tempo depois recebia a condecoração de Cavaleiro e Oficial da Ordem do Mérito. Autor de dezenas de obras mundialmente reconhecidas, Lima de Freitas dedicou-se ao desenho, à pintura em tela, ao azulejo e à cerâmica.


Entre as funções que desempenhou esteve a de director do Instituto de Arte e Design e do Teatro D. Maria II, director geral da Acção Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, então sob a tutela de David Mourão Ferreira, e membro da Comissão Consultiva da UNESCO para a transdisciplinaridade.


Cidadão honorário em Setúbal, Lima de Freitas foi ainda agraciado com o grau de Comendador da Ordem de Santiago e Espada.


“Setúbal na Rede” - 12-10-1998 21:59

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