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• 22-06-2006 •
Assento Parlamentar (CDU)
por Bruno Dias
(Membro da Direcção Regional de Setúbal e do Comité Central do PCP)


Este é o teu Partido!


É este o lema da campanha que o PCP está a desenvolver, dirigindo-se aos trabalhadores do Distrito de Setúbal. Promovendo múltiplas iniciativas junto das empresas e locais de trabalho da região, contactando os trabalhadores, afirmando e dando a conhecer as ideias e as propostas deste partido, ouvindo os trabalhadores sobre os problemas concretos que vivem e sentem. Afirmando os ideais e o projecto de futuro deste Partido.


Na noite de 30 de Junho próximo terá lugar aquele que será sem dúvida um ponto alto desta grande acção regional do PCP: um comício na Incrível Almadense, com a participação do Secretário-geral do PCP. Entretanto, muitas têm sido as iniciativas de visita, contacto e encontro com a participação de dirigentes e eleitos do PCP, iniciativas que têm proporcionado um conhecimento que só possível a quem está lá, no terreno, ao lado dos que sentem na pele a exploração, as injustiças, as arbitrariedades que se abatem sobre quem trabalha.

 

Também assim se marca a diferença face a quem vive da “política espectáculo”, da pirueta e do fogacho mediático. Foi (e é) essa acção, esse conhecimento, que sempre esteve na base de muitas lutas, muitas resistências, muitas conquistas, antes e depois de Abril. E este é o Partido que sempre esteve, e está, nesses combates.

 

Assim se desenvolve e prossegue a luta que tem “agitando as águas” no Distrito de Setúbal, com os trabalhadores da Lisnave, da Repsol, da Transtejo, da CP e EMEF, com os professores, trabalhadores da Administração Pública. Homens e mulheres que erguem a voz em defesa dos seus direitos e aspirações, enfrentando esta ofensiva sem paralelo que patrões e governantes têm vindo a mover.

 

Este é o Partido que assume sem hesitações a defesa e a luta por melhores condições de vida para quem trabalha, para a população, para a juventude, pela construção de um futuro em que o povo seja senhor do seu destino, numa sociedade de paz, liberdade e justiça social. Ontem como hoje, assim tem sido desde aquele dia 6 de Março de 1921, em que operários vidreiros, metalúrgicos, corticeiros, empregados do comércio, fundaram o Partido Comunista Português.

 

Ao longo do caminho, foram naturalmente muitos os que recorreram à mistificação e à pura mentira para enganar os incautos, amedrontá-los face ao “perigo vermelho” representado pelo PCP. Era a famosa tese dos “agitadores-profissionais-a-soldo-de-Moscovo”, tão estafada quanto a da “ditadura-comunista-que-o-PCP-quer-instaurar”. Quem conhece o PCP e a sua história sabe que não foram poucos os comunistas – quantos e quantas deste distrito! – que morreram, que foram presos, torturados, que viveram clandestinos, que conheceram o exílio, sem desistir de lutar, pela libertação deste povo, pelo fim da repressão, do medo, da censura, da guerra.

 

Também por isso foi particularmente revoltante que, na semana em que se cumpriu um ano sobre a morte de Álvaro Cunhal, tenhamos lido nas páginas do jornal (DN, 16/6/06) um exercício de falsificação histórica, mentira desavergonhada e anticomunismo primário. Houve um senhor que disse isto: “o partido comunista não tem ideologia. O PCP tem 85 anos de história, quase todos vividos na base da defesa da União Soviética. Logo, a única ideologia a que isto corresponde é aquela que não pode ser dita: a ideologia de um partido que defendeu o estado repressivo, em que os trabalhadores não podiam ter sindicatos, não podiam ter liberdade de opinião, não se podiam exprimir, não se podiam organizar, não se podiam manifestar porque, na sequência da tragédia que foi o estalinismo, qualquer opositor seria necessariamente preso. E este modelo de sociedade – que é um modelo grotesco, pavoroso, de destruição da liberdade do povo e da própria ideia do socialismo – é o que corresponde à história inteira do PCP”.[curiosamente, a edição on-line do DN omite esta parte da entrevista, que surge apenas no jornal impresso]

Podia ter sido uma data de gente a afirmar isto. Já conhecemos quem tenha feito toda uma carreira na base deste tipo de insultos (mais do que insultos ao PCP, são insultos à própria inteligência das pessoas).

 

Podia ter sido Paulo Portas. Não foi. Podia ter sido José Ribeiro e Castro. Não foi. Talvez até José Hermano Saraiva. Não foi. Podia até ter sido o Cónego Melo. Não foi. Terá sido Mário Soares, em 1975? Não. Bagão Félix? Não.

 

Quem proferiu estas palavras chama-se Francisco Anacleto Louçã e é Coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda.

 

Quem conhece um comunista (um só que seja) sabe a importância e o valor que este atribui à liberdade, à soberania deste povo e deste país. Muitos têm colocado interesses tácticos, partidários, eleiçoeiros, acima dos interesses do povo.

 

Muitos têm promovido alegremente a capitulação de interesses nacionais ao capital estrangeiro. Nunca o PCP. Este é o teu Partido.


Bruno Dias - 22-06-2006 14:01

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