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• 22-06-2006 •
Assento Parlamentar (BE)
por Daniel Arruda
(Dirigente Distrital do Bloco de Esquerda)


Todos juntos pela luta toda


Toda a vida é feita de ciclos. Por períodos de características próprias que definem e condicionam as actividades de um partido político. Por isso acho que o Bloco de Esquerda entrou num novo ciclo. Um ciclo de consolidação.


Assistimos num passado recente a um rodopio de campanhas eleitorais e vamos agora entrar num “anormal” período de acalmia. É hora por isso de organizar, fazer balanços e trabalhar no futuro. Neste sentido o Bloco de Setúbal realizou uma assembleia distrital de discussão e de eleição da nova estrutura coordenadora distrital. Uma discussão riquíssima em que foram identificadas as situações que correram bem e as que correram menos bem para no fim podermos perspectivar com segurança o trabalho que temos para fazer em prol do distrito.

 

Os problemas deste distrito estão sobejamente identificados. Em Setúbal há problemas estruturais com décadas que estando identificados há muito continuam por solucionar contando para isso com a inércia e o abandono a que sucessivos executivos nacionais e locais têm vetado toda o distrito, do litoral alentejano a Almada. Vivemos de coração nas mãos de cada vez que a Autoeuropa espirra. Assistimos impávidos e serenos ao fecho e deslocalização de empresas.

 

Ouvimos falar diariamente de empresas que cometem atropelos à lei como a Delphi que “obrigou” os seus trabalhadores a assinar contratos individuais altamente lesivos para os trabalhadores. Assistimos ao degradar das condições de ensino dos nossos jovens que torna a “nossa escola” cada vez menos inclusa e que não forma os nossos jovens para um futuro que irá ser cada vez mais precário. Vemos aumentar o abandono escolar. Vemos desmoronarem-se as perspectivas de uma velhice com qualidade de vida devido a uma segurança que está a ser destruída ás claras e á vista de todos.

A tudo isto o Bloco não pode ficar indiferente.

 

Porque não há fatalidades. Há problemas e há soluções. Acreditamos que temos soluções para os problemas que a todos afectam. Por isso vamos fazer a Marcha pelo Emprego que ira percorrer o país de Norte a Sul e que passará pelo distrito de Setúbal nos dias 15, 16 e 17 de Setembro. Nesta marcha queremos chamar á atenção para os problemas do país e apresentar as nossas propostas. Não nos propomos a pouco.

 

Queremos criar um movimento social que seja, esse sim, o factor de pressão para que o governo não deixe o lodaçal, em que se tem tornado o mundo laboral português, alastrar-se mais. Que mostre ás pessoas que na vida não existem fatalidades. Existem problemas e soluções.

 

Existem duas formas de encarar os problemas. Ou enfrentando-os ou enterrando a cabeça na areia como as Avestruzes.

 

 

Esta última não faz parte dos genes da esquerda pelo que vamos á luta. Mas as lutas não se fazem apenas com decretos. Fazem-se essencialmente com pessoas. Com as pessoas que diariamente passam 4 horas em transportes públicos, com pessoas que não têm onde deixar os seus filhos quando vão trabalhar, pessoas que estão há anos a recibo verde ou a contrato esperando por uma oportunidade, pessoas que procuram há anos um trabalho e a quem nunca surge uma oportunidade, pessoas que trabalham 10 Horas e mais comendo atrás de um balcão para no fim do mês receberem uma migalha daquilo que são os proveitos das entidades patronais, pessoas que não têm acesso á saúde porque não podem pagar um plano privado, pessoas que trabalham há anos com limitações sem que lhes seja reconhecida a doença profissional, pessoas que gostavam de trabalhar mas que apenas porque são deficientes lhes é negado o acesso ao mundo do trabalho. Podemos achar que isto é fatalidade ou então podemos lutar e apresentar soluções.

 

A marcha pelo emprego não é contra ninguém. É pelas pessoas. Pelo que o estado neo liberal lhes tem feito. E é com pessoas que a queremos fazer. Com uma frente o mais alargada possível. Que quebre os espartilhos da luta tradicional e institucional. Que traga novos e velhos para a rua. Que traga empregados e desempregados. Que traga estudantes e reformados, que traga precários e os chamados “estáveis”, que traga portugueses e imigrantes, que traga assalariados e pequenos e médios empresários. Que traga todos e todas porque só assim seremos fortes.

 

As pessoas sabem que podem contar com o Bloco de Esquerda e nós sabemos que podemos contar com as pessoas para este desígnio nacional que é o da justiça social. Esta bandeira da esquerda que nunca poderá cair. Vamos lá estar.

 

TODOS JUNTOS PELA LUTA TODA!!!!


Daniel Arruda - 22-06-2006 17:20

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