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Parece-me incontornável nesta altura que se fale da situação no médio oriente. Não que faltassem em Portugal e no nosso distrito motivos mais que justificados para escrever uma crónica, mas a gravidade da situação obriga a que se fale deste assunto.
Porque o que está ali em causa não é “apenas mais uma guerra”. É um continuar de violações e de atropelos ao direito internacional. É o exemplo acabado de como uma dita comunidade internacional tenta branquear as atitudes de Israel em contraponto com aquilo que era a sua obrigação. A de zelar pelo respeito, fim da guerra e pelo direito à dignidade de milhares de civis inocentes que sofrem diariamente e que, aos poucos, não vão tendo água, electricidade, comida, ou seja, os mais básicos requisitos para viver.
Já se sabia que a viagem de Condoleezza Rice não iria levar a nada. A situação não precisa de um defensor do Estado de Israel mas sim de alguém que estivesse firmemente empenhado em resolver esta situação. O resultado dos encontros, esse foi o esperado. Um redondo Zero. A União Europeia está paralisada. Incapaz de resolver seja o que for. Falta apenas apurar se por falta de vontade ou interesses políticos. A Rússia e a China estão preocupadas em fortalecer as suas economias e posição política no mapa mundial com esta guerra. Enquanto isto assistimos a assassinatos por parte do exército de Israel.
É certo que as vidas de 4 inspectores da ONU não têm mais valor que a de qualquer Libanês ou Palestiniano mas têm um valor simbólico que não se pode negar. São o exemplo de que Israel não pretende parar de assassinar quem quer que se ponha no seu caminho. Eram os da ONU que estavam a estorvar os intentos do exército. Matem-se os observadores. Mais uma vez perante o silêncio cúmplice da dita comunidade internacional. Deu pena ver Kofi Annan sozinho a pregar aos peixes enquanto todos à sua volta se encolheram. Ele bem tentou denunciar o que se tinha passado mas o que fazer quando os “senhores do Mundo” se calam da forma que o fizeram.
Sobra um actor que pode fazer a diferença nesta teatro trágico. O Povo. É importante que nos unamos nesta altura e que funcionemos como forma de pressão. É difícil quando nós em nossa casa temos tantos e tão delicados problemas mas no dia em que percebermos que estes problemas estão todos ligados seremos mais fortes. Não se trata aqui de medidas do governo e de situação internacional. Trata-se de uma ideologia neo-liberal que urge combater em todas as suas vertentes.
Por fim uma palavra para uma campanha que tem sido feita contra o Bloco. Da nossa parte não ouvirão ou lerão uma frase que vise denegrir qualquer adversário político. Poderão, e isso é normal em política, ouvir diferenças de opinião, contestações ou mesmo um reparo, mas nunca a baixaria e o insulto. Mas registamos com desagrado o facto de, nas últimas semanas, temos lido em vários artigos de opinião na imprensa distrital, textos que insultam de uma forma inadmissível, ainda para mais quando estes insultos vêm de quem menos se poderia esperar, pois seria normal que a direita ou mesmo o partido do Governo se pudesse sentir incomodados com as críticas. Mas não é daqui que os insultos partem, e é isso que me deixa ainda mais triste.
Diz a voz popular que as atitudes ficam para quem as pratica. Assim será, mas não queria deixar de dar o recado pois não é assim que se faz política e as pessoas percebem isso. A resposta ao desespero deveria ser o trabalho e as propostas. Nós continuaremos iguais ao que sempre fomos e ao que as pessoas conhecem de nós. A coerência é sempre a melhor companhia que se pode ter na política.
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