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Aos poucos, os contornos menos claros das várias decisões da C.M. Seixal vão aparecendo à luz do dia. Foi assim com a questão da Quinta da Princesa, com a Flor da Mata e agora com a Quinta da Trindade. Promessas eleitorais assentes em mentiras e na má fé. Poderei, porventura, ser acusado por alguns de usar palavras que não se usam no léxico político mas que terão forçosamente de ser usadas com este executivo camarário. A história não são eleições de quatro em quatro anos. A história de um executivo municipal faz-se também das promessas não cumpridas, das frases que se disseram e atitudes que se tomaram.
Este é um comunicado do grupo Libertas, (e que está disponível na net) o grupo que tem ao seu encargo a construção da urbanização que vai ocupar aquilo que em tempos foi a Quinta da Trindade, no Seixal, e data de 16 de Outubro de 2005.
“A dois passos da cidade faz-se cidade e não subúrbio
A Urbanização da Quinta da Trindade propõe-se como expansão e complemento da centralidade já existente no núcleo antigo do Seixal. Como tal, apresenta-se com forma assumidamente urbana e uma sólida estrutura clássica de rua e quarteirão, alternando o fecho ou a abertura destes últimos consoante a sua envolvência imediata.
Ruas amplas e arborizadas, com estacionamento organizado e bem equipadas contribuem para o harmonioso equilíbrio entre espaço público e privado tendo sobretudo em conta que o edificado não ultrapassa, em média, os seis pisos.
Esta estrutura urbana densa, apoiada numa malha viária polarizada por uma praça comercial circular, aberta ao parque do Museu da Trindade, é envolvida por uma ‘cintura’ de espaços verdes contentores de equipamentos (escola, complexo desportivo do Seixal, Centro de Estágio do S.L. Benfica, parque e Museu da Trindade) que permite a todos os moradores fácil e rápido acesso a espaços verdes de descompressão, lazer e recreio.
O quadro paisagístico esplendoroso, com o rio Tejo e o esteiro de Coina em plano intermédio, enquadrados pela paisagem urbana de Lisboa e Barreiro, forneceu uma directriz forte no sentido da maximização do desfrute dessas arrebatadoras vistas. A suave ondulação do terreno colaborou, obrigando à inclinação das vias e consequente desalinho dos edifícios.
Assim, onde menos se espera, aparecem vistas longínquas de grande beleza, perenes para muitos dos moradores dos apartamentos, fugazes para o transeunte, mas que conferem a este lugar uma especial identidade.”
(www.libertas.pt)
Mas será que isto coincide com o que o então candidato à reeleição, Alfredo Monteiro, disse na campanha eleitoral das eleições de 9 de Outubro de 2005, ou seja uma semana antes deste comunicado? Não coincide de todo. No resumo do debate efectuado no Seixal, a jornalista do Setúbal na Rede disse isto das intervenções de Alfredo Monteiro:
“O candidato salienta ainda a importância de continuar o ‘projecto de requalificação da área urbanística’. Um projecto sustentado por uma ‘estratégia ambiental’ com a preservação de toda a reserva ecológica, do património histórico e industrial do concelho.”
(http://www.setubalnarede.pt/content/index.php?action=articlesDetailFo&rec=2046)
Mas quem assistiu ao debate sabe que, em discurso directo, Alfredo Monteiro foi mais longe e disse, quando questionado por mim sobre esta temática, que o espaço da Quinta da Trindade era um dos pulmões do concelho e que ali seria instalado uma área de lazer para todos os Seixalenses. Qualquer semelhança entre isto e a frase do comunicado”aparecem vistas longínquas de grande beleza, perenes para muitos dos moradores dos apartamentos, fugazes para o transeunte”…
A pergunta que fica é esta. Será que nos querem fazer acreditar que Alfredo Monteiro, no dia 9 de Outubro, não sabia ainda o que era para fazer ali e que no espaço de uma semana as decisões que tinham sido tomadas foram alteradas? Das duas uma. Ou Alfredo Monteiro mentiu descaradamente e conscientemente ou então é de uma incompetência gritante. Em ambos os casos fica mal na fotografia. Mas duvido que ele se preocupe com isso. Afinal está há tantos anos no Poder, num poder absoluto que não presta contas a ninguém, que agora já não se preocupa com isso. O despotismo dá nestas coisas.
Os Seixalenses vão acordando para os atropelos à lei e podem com estes antecedentes ter uma ideia do que os espera no futuro. Para os menos atentos é bom lembrar que toda aquela zona do Seixal começou a ser urbanizada por um regime de excepção, pois encontrava-se em terrenos proibidos à construção. Pelo interesse que o centro de Estágio do SL Benfica teria para o concelho. A cavalo nesta excepção a Quinta da Trindade foi demolida, ficando só e apenas o velho palacete quase em ruínas. Árvores seculares enterradas por “catrapilas”. No dia 6 de Outubro de 2005 já não restavam árvores na Quinta da Trindade mas, no debate, Alfredo Monteiro garantiu que aquele seria um espaço de lazer.
Hoje assistimos a um processo em tudo idêntico na Quinta da Flor da Mata, com a evocação de um regime de excepção para construção de casas ao abrigo do PER, mas que já se sabe que, afinal, são casas sociais a custos controlados e não para realojamento. Já sabemos também das intenções do executivo para a construção do Hospital. As semelhanças são evidentes e não me parece que o resultado seja diferente. Betão e mais betão naquela que é uma das poucas zonas ainda não urbanizadas.
Está na altura de Alfredo Monteiro responder pelas mentiras. Já não tem crédito (isto não é uma piadinha à banca pois isso dava para outro texto) e, acima de tudo, deixou de ter credibilidade à medida que as mentiras vão caindo. Por muito menos o PCP correu, saneou ou como lhe quiserem chamar, Carlos de Sousa em Setúbal. Ou será que no Seixal não é preciso rejuvenescer o executivo?
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