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Passado quase duas semanas sobre o acto eleitoral penso que é uma boa altura para se fazer o rescaldo do que foram os resultados eleitorais. Não que não se pudesse ou devesse fazer antes mas existem coisas que se vêm melhor a frio, sem a emotividade própria dos momentos das grandes vitórias. Sim, porque foi efectivamente de uma grande vitória que se tratou. Uma vitória da esquerda em geral e do Bloco de Esquerda em particular.
No que ás esquerdas diz respeito, e mantendo-me ainda no plano nacional não vejo apenas desvantagens neste cenário de maioria absoluta do PS. Se por um lado, e disse-mo-lo durante toda a campanha, achávamos que o país ficava a ganhar com um cenário parlamentar que favorecesse os entendimentos á esquerda, o actual cenário de 60% de lugares do hemicíclo ocupados por PS, CDU e BE permite a que todas as forças se apresentem ao eleitorado com o seu projecto e mais importante ainda, com espaço de manobra alargado. Quanto á direita, essa teve a pior derrota que se podia imaginar e depois disso quaisquer palavras poderiam ser consideradas despropositadas e irrelevantes, pois o povo, esse que é soberano, disse de sua justiça e disse-o de uma forma clara e inequivoca, dando razão ao Presidente da República aquando da dissolução do Parlamento.
O que dizer do Bloco no Distrito de Setúbal. Pedimos a confiança do eleitorado para que não nos faltassem de novo os poucos votos que nos separaram da eleição de um deputado nas últimas eleições e o povo o que respondeu?
Com uma prova de confiança elegendo não um mas dois deputados, depositando confiança e uma responsabilidade que muito nos honra e á qual esperamos corresponder cumprindo e honrando os compromissos que assumimos com a população do Distrito de Setúbal.
O Bloco cresceu neste distrito e muito. Em concelhos como Almada (10,29%), Barreiro (11,04%), Moita (11,12%), Seixal (10,56%), Sesimbra (10,44%) e Setúbal (11,40%) chegámos aos dois dígitos duplicando as votações relativamente ás legislativas anteriores e em concelhos como Alcochete, Alcácer do Sal e Sines triplicámos a nossa votação. Já o tinha dito no meu último artigo, onde referi a adesão que a campanha do Bloco estava a ter, enchendo salas ou nas iniciativas de rua onde as pessoas se moblizávam de uma forma verdadeiramente fantástica que algo estava a mudar no Distrito de Setúbal. E mudou, desde logo a correlação das forças entre partidos mas sempre, e como defendemos desde que nos fundámos como partido, a ser uma esquerda que soma ás esquerdas e não que divide. Mudou com a eleição da 2ª cabeça de lista que é uma reconhecida sindicalista, membro do Conselho nacional da CGTP (aliás, o único membro do orgão directivo da central sindical a estar no parlamento) e que vai certamente saber defender no parlamento tod@s aqueles que trabalham e que demonstra que para o Bloco as questões laborais não só são importantes como são reconhecidas como tal. Mudou porque passámos o CDS deixando para estes o lugar de 5ª força política e discutindo em muitos concelhos com o PPD-PSD o estatuto de 3ª força política. Mudou, porque agora os cidadãos e cidadãs de Setúbal têm deputdos que contam e que prestam contas a quem os elegeu.
Mas este resultado, mais que alegria, que obviamente existe, trás-nos uma responsabilidade que pretendemos ver cobrada nas próxima eleições. Porque nos afirmámos como um partido diferente, que honra os seus compromissos, uma esquerda de confiança, mas essa confiança não é uma estrada de um só sentido, o povo já a deu e nós agora queremos e vamos retribuir.
Não podia acabar este artigo sem uma palavra de agradecimento sincero a tod@s que nos nos honraram com o seu apoio e, porque não dize-lo com sinceridade, com o seu voto.
Nota: Pode não aprecer á 1ª vista importante nas numa altura em que a sociedade se diz mais aberta, mas onde a paridade ainda é regulada por lei, o BE orgulha-se de uma forma natural e sem imposições ter o único grupo parlamentar paritário. 4 Homens e 4 Mulheres. Como termo de comparação podemos ter os outros grupos parlamentares para vermos até que ponto o discurso nem sempre é igual aos actos CDU 14 deputados (11 Homens e 3 Mulheres) ou o CDS com 12 deputados (11 Homens e 1 Mulher).
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