O documento apresentado como sendo o Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2007 nada trazia de novo. Para se ter uma ideia, nas reuniões preparatórias usámos os dois documentos, 2006 e 2007, para seguir os trabalhos tal a cópia que este último representava. Poderíamos daí tirar uma primeira conclusão: a imaginação acabou. Da mesma maneira que acabou o espírito de iniciativa. Os anos vão-se repetir com as mesmas coisas, com os mesmos erros do passado. Mas não quisémos concluir isso. Quisemos dar o benefício da dúvida.
Quisemos saber o que estava por trás das coisas mais vagas, dos projectos para a prevenção da toxicodependência ou quais as actividades ligadas a este ramo. Quisemos saber o que estava por detrás das anunciadas medidas no campo da protecção civil. Quisemos saber o que se entendia por Grandes intervenções nas escolas do 1º ciclo do pré-escolar e quais as dotações que a C.M.Seixal transferia para a Junta por esta fazer trabalho de responsabilidade da Câmara.
Quisemos saber a razão pela qual o Meio Ambiente continua a ser tratado com os pés e reduzido a pequenos ajardinamentos públicos, em detrimento daquilo que deveriam ser as verdadeiras preocupações ambientais da Freguesia. Neste sentido apresentámos propostas nomeadamente sobre o uso de energia solar a começar desde logo pelo mercado do Miratejo que reúne excelentes condições para isso, para não falar nas vantagens económicas que daí advêm.
Questionámos o Executivo da Freguesia sobre as questões dos deficientes, pois nas GOP vinha referido genericamente o apoio a instituições da Freguesia quando nos parece da mais elementar justiça que seja o Poder local a dar o exemplo em questões tão básicas como o fomento da mobilidade das pessoas portadoras de deficiência.
Questionámos isto e muito mais. Desde os capítulos das despesas às receitas. Constatámos a precarierização dos vínculos laborais na Freguesia. Mas mantivemos o espírito aberto a que, se fossemos esclarecidos, poderíamos até viabilizar o Orçamento e as GOP, embora tal nem sequer fosse necessário dada a predisposição evidenciada desde logo pelo PS, que se escusou de intervir sobre o tema, em viabilizar o Orçamento, com o argumento de que esta matéria é da exclusiva competência do Executivo da freguesia. Por este andar havemos de ver o PS a nível nacional dizer também que não discutirá o Orçamento de Estado dado que esta matéria é da competência do Governo.
Esperávamos por isso alguns esclarecimentos. Preferiu o presidente da Junta falar no Torneio da Sueca e no Torneio da Malha, da Semana do Ambiente, das Festas da Freguesia, das Marchas Populares e de desfiles de Carnaval. Estava no seu direito, pois são iniciativas louváveis, mas, pensamos nós, que não são as iniciativas de fundo que a freguesia precisa e sobre as quais o questionámos e a essas não deu resposta.
O Bloco de Esquerda quando se candidatou às autarquias fê-lo com um projecto próprio e não se demitirá de o defender. Outras forças políticas acham isso muito mal, que nos deveríamos curvar perante a maioria. Não o iremos fazer. Porque achamos que podemos fazer diferente. Porque está provado que este modelo está esgotado. As iniciativas e as GOP repetem-se todos os anos. Iniciativas de fachada que o Executivo reconheceu serem para segmentos ou nichos da população.
Perante as explicações dadas, o BE não tinha outra alternativa que votar contra este documento. Porque achámos que a cómoda posição da abstenção era incoerente. Há programas e projectos. E este, seguido pela Junta de Corroios, não é o nosso. Abstermo-nos era dizermos que “não, … mas …” ou que “sim, … mas …” e nos tempos que correm, em que se pedem clarificações, essa era a pior atitude que se poderia ter. Abstermo-nos era demitirmo-nos da acção crítica que achamos que devemos ter para podermos dizer quando as coisas estão bem e quando estão mal. Abstermo-nos era dizer a quem confiou em nós que tinha deitado um voto fora porque nos tínhamos acomodado ao facto de sermos minoria e baixado os braços e deixado de lutar.
Foi isso o que fez a restante oposição. Uns por demissão completa, no caso do PS, e outros tentando dar um pouco nas vistas, mas sem agitar muito as águas, o caso do PSD. Acredito que quem confiou no nosso projecto não merece isso. Demos o benefício da dúvida o ano passado levantando questões que nos pareceram importantes e mal esclarecidas, mas não podemos aceitar que os mesmos vícios se repitam todos os anos.
Como a época é propícia não podia deixar de desejar aqui a todos os leitores do “Setúbal na Rede", bem como à sua equipa, umas Boas Festas, e deixar uma certeza à população do Distrito. É que 2007 só não será melhor para todos se não quisermos. Pela parte do BE continuaremos a lutar. Contamos com todos e todas que se nos queiram juntar.