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Autarcas defendem aeroporto associado à plataforma logística


"Podem e devem andar associados". Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, não tem dúvidas de que o investimento na Plataforma Logística do Poceirão não pode ser dissociado do investimento no novo aeroporto de Lisboa. E voltou a defender que a Margem Sul é a opção "mais viável" para a construção do aeroporto.


A autarca de Palmela adiantou não ter qualquer preferência específica para a localização do aeroporto, sendo que, e questionada sobre se a nova estrutura aeronáutica deveria ficar localizada no concelho de Palmela, respondeu que “o aeroporto não é um projecto municipal”, pelo que a autarquia palmelense está de acordo com a Associação de Municípios da Região de Setúbal e “também com boa parte do país”, que defende que a Margem Sul “é, sem dúvida, a opção mais razoável para o desenvolvimento do país no seu todo”.

 

Esta opinião é partilhada por Luís Franco, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, que considerou que a Plataforma Logística do Poceirão “é mais um argumento para viabilizar o aeroporto a Sul”.

 

Mas subjacente à construção do aeroporto, continuou, há três pontos que devem ser preservados. Primeiro, a “prossecução do interesse público nacional”, ou seja que nenhuma região deve reivindicar o aeroporto se o projecto não cumprir um desígnio nacional. Depois, o aeroporto tem de ficar “inserido numa área dotada de uma rede internacional de acessibilidades”, o que é garantido pela Margem Sul, apesar do esquecimento a quem tem sido votada pelo governo. Finalmente, o aeroporto tem de ficar localizado numa área onde haja “predominância de terrenos públicos”, o que acontece no Campo de Tiro de Alcochete. Aliás, disse, é “incrível” que nunca ninguém se tenha lembrado de estudar os terrenos do campo de tiro para saber da sua viabilidade.

 

Luís Franco congratulou-se com a decisão do ministro das Obras Públicas, Mário Lino, em mandar o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) elaborar um estudo comparativo entre a Ota e o Campo de Tiro de Alcochete, mas realçou a necessidade de “acompanhar de forma atenta o processo, para que a decisão final seja credível”.

Isto porque considera estranhas as declarações dos autarcas do Oeste depois de uma reunião com Mário Lino, ao afirmarem que ficaram “descansados” com o que lhes foi transmitido pelo governante, o que o gabinete do ministro já veio desmentir, adiantando que não tinha sido assumido nenhum compromisso.

 

A questão, afirmou, é que para justificar a opção Ota, o governo “não pode dizer que é uma decisão política”, pois tem a obrigação de a fundamentar tecnicamente, “sob pena de cair no arbítrio”.

 

Os dois autarcas prestaram estas declarações à margem da cerimónia de apresentação da Plataforma Logística do Poceirão, na qual o ministro das Obras Públicas se recusou a abordar a questão do aeroporto e a sua relação com a Plataforma Logística do Poceirão, uma vez que está em curso o estudo que solicitou ao LNEC.

 

Já sobre a opção Portela+1, defendida pela Associação Comercial do Porto, afirmou que “não é uma solução viável” do ponto de vista operacional e do ponto de vista económico-financeiro. Manifestando a sua disponibilidade para analisar todos os estudos que lhe forem apresentados, o ministro garantiu não ter “nenhum estudo, nenhum trabalho feito por pessoas com credibilidade e devidamente fundamentado que prove o contrário”.


Paulo Morais - 19-06-2007 15:26

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