|
Sabemos que há autarcas, dos mais variados quadrantes, que fazem tudo, do ponto de vista pessoal, para se evidenciarem. Aliás, fazem coisas tão mesquinhas e ridículas que em democracia não só não fazem sentido como são reprováveis.
Há neles uma preocupação enorme em: (i) calar as outras vozes; (ii) teimar no desrespeito pela Lei e a Constituição; (iii) e defender interesses nocivos para o concelho e os munícipes; ao invés do empenho na defesa da paisagem e do ambiente, ou seja, na salvaguarda dos direitos e do bem-estar dos munícipes.
É tão notória a sua incompetência para resolver ou minorar os problemas mais prementes das populações (e esta é uma das principais funções do poder local). Para isso as autarquias recebem verbas do Estado, bem como outras quantias provenientes das taxas e impostos das pessoas que habitam na área do município.
Mas, quando confrontados com a realidade ficam muito irritados; bracejam e mexem-se muito nas cadeiras, de tal forma que até pode levar os mais incautos a pensar que os munícipes estão a mentir ou, no mínimo, a exagerar. É também nas ocasiões em que se procuram contestar as evidências que os mecanismos de intolerância se tornam visíveis.
Este é, sem tirar nem pôr, o caso típico de Sesimbra!
Apesar do tempo do “quem não é por nós é contra nós”, estar morto e bem enterrado, começam a surgir vozes na nossa terra a dizer à boca-pequena que a Assembleia Municipal (AM) se tornou numa “força de bloqueio”. Alegam ser um escândalo o facto da Presidente da AM deixar os munícipes falar, ainda por cima para questionar o executivo, sem que lhes seja cortada a palavra.
Realmente a mediocridade do trabalho desta equipa municipal reflecte a dimensão dos seus ressentimentos e rancores. Nesse equilíbrio absurdo entre a estupidez e o preconceito se alimentam desejos veementes e presunções ridículas. A estupidez é uma insuficiência mental. E o preconceito é uma deficiência cultural.
Todavia, confrontar estes políticos com a sua demagogia é não apenas um acto de liberdade e intervenção cívica, como uma questão de consciência e higiene mental. Modernices? Não, coisas da democracia!
De toda a maneira, e como tudo na vida, a democracia aprende-se praticando-a.
Porém, o executivo municipal não está habituado a prestar contas do seu trabalho. Funciona ancorado ao século passado e de forma atrofiada. Ainda não percebeu que a sociedade mudou. Habituou-se à conivência de uns, aos aplausos de outros (com toda a legitimidade) e à indiferença de muitos. Mas nunca se habituou à verdadeira participação de todos; por isso tudo procura fazer para constranger a verdadeira intervenção dos munícipes.
Além disso, o funcionamento da autarquia mostra tiques de centralismo burocrático, enfurecido nesta luta dos contrários. Entre o conservadorismo e a realidade. Entre a censura cívica e a abertura de modernização. No fundo, reina o desrespeito pelos cidadãos.
Esta é que é a questão!
|