Pesquisar



> Opinião > Crónicas Antigas > Um Certo Olhar
Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários






Um Certo Olhar


Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – XIV

Ter uma conversa "com", pressupõe dois ou mais interlocutores. Quero com isto dizer que há "conversas" (de café diga-se!) em que me limito a ouvir, ou seja, com a aparência de conversa não passam de monólogos em que lá vou acabando por mover ambiguamente a cabeça apenas por educação e teste à paciência. Com frequência falam-me da "cultura" em Setúbal, talvez por acharem que sou um "agente cultural" (?) com quem vale a pena "conversar" ou trocar impressões.

Santa paciência! Será que há noção do que é política cultural, ou o que são movimentos autónomos produtores, promotores ou até mesmo agentes culturais? Duvido!

(26-10-2009 09:18)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – XIII

Há talvez quinze dias (ou mais?) vi duas entrevistas televisivas a Paula Rego que me deixaram perplexo. A meio da primeira, achei que a pintora estava um pouco "fora", mas… com o decorrer da entrevista percebi que realmente estava fora mas era desta mentalidade dominante, débil e pretensamente intelectual. As suas respostas eram simples, quase sem estória, o que deixava a entrevistadora sem argumentação e sem o "brilho" pretendido. Bem feito! Digo eu porque acredito que a pobre nem consciência deve ter tido do ridículo em que por vezes caía. A segunda entrevista foi na essência um remake da primeira. A entrevistadora à procura de explicações complexas e metafísicas de um acto, o de pintar, que para a pintora era natural, simples e directo. Apenas uma forma de estar e de interpretar a vida.

(02-10-2009 15:02)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – XII

Normalmente baldo-me a escrever sobre política, mas bolas! A coisa está cada vez mais feia (digo eu, pois há quem goste!). É território de crápulas e crédulos (os honestos), e claro de "barões". Há gente honesta? Há, conheço alguns (algumas), mas a honestidade acaba quase sempre por diluir-se no famigerado "jogo" e aí são todos iguais, ou o "jogo" perderia o sentido. Compreendo os porquês, mas não deixo de achar patético o "espectáculo". Depois admiram-se, e ficam aflitos (os políticos) com a abstenção. Aí transformam o direito de votar, que é igual ao direito de não votar, numa questão moral, num dever cívico (?). Que eu saiba ninguém lutou ou luta por deveres, e quanto à moral acontece o quê? Vai tudo p'ró inferno é? Por mim acho que, entre o Sr. José Sócrates e a Sra. Manuela Ferreira Leite do passado, do presente e do futuro, no inferno estamos nós. PS e PPD/PSD (um santanismo) foram são e serão dominantes (até ver!). E o pessoal resigna-se a isto! Dizem que a escolha é entre o mal e o mal menor. Dói não dói?

(09-09-2009 09:55)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – XIV

Tornou-se difícil viver num país onde a malta quer é "rir". Começou por ser constrangedor, agora acho na generalidade patético. Não é que eu tenha qualquer coisa contra o riso, pelo contrário, sempre me considerei um tipo bem disposto (embora já nem tanto, ai vida, a vida!), mas incomoda-me muito a confusão quase generalizada que existe com o acto de rir.

(21-08-2009 11:12)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – XI

Se gosto de viver em Setúbal!? Se gosto, porque é que me aborreço tanto? Se não gosto de aqui estar, porque é que continuo aqui a viver? Estas interrogações perseguiram-me durante anos até que descobri a resposta: Gosto de Setúbal! (10-07-2009 09:08)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – X

Nunca tive grande vontade de falar mal do que é evidente, mas desta vez não o consigo evitar. Se o objecto em questão fosse mais pequeno talvez passasse despercebido, mas não, é descomunal, apenas proporcional ao incómodo que causa apenas por existir. O que fazer com o Auditório José Afonso? (29-06-2009 09:40)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – XII

………………………………
Saber ver sem estar a pensar,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa
.…………………………………..

Alberto Caeiro (19-06-2009 09:44)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – XIII

Há uma semana atrás, estava eu a escrever um texto sobre cultura quando fui apanhado pelo Bastonário Marinho Pinto a desancar fortemente na Manuela Moura Guedes. Parei e reli o que estava a escrever. Lixo! Naturalmente e sem arrependimentos o trabalho de algumas horas foi parar ao caixote do lixo virtual.

(29-05-2009 12:39)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – IX

O passado e o seu peso!

(15-05-2009 17:59)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – VIII

POEMA EM LINHA RECTA

 

NUNCA CONHECI quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

………………………………………………………………

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,

Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes na vida

… ………………………………………………………………

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

… ………………………………………………………………

 

Álvaro de Campos

(24-04-2009 10:15)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – VII

“…se o Dantas é português, eu quero ser espanhol!..." in "Manifesto anti-Dantas" - Almada Negreiros

(23-03-2009 09:39)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – XI

No meio do desencontro flutuava o pensamento, caldo de adrenalina, misto de angústia e prazer, a incerteza dos 30 segundos futuros e paixões múltiplas, delírios em sucessões de curtas-metragens onde tudo se confunde entre encenação e realidade. E tudo se traduziu por um "Não me digas!" Vago, impreciso e um tudo-nada irónico. Fiquei a pensar o porquê desta síntese!

 

Seria uma tentativa (nem sempre inútil) de fuga, a tal fuga para a frente para consolidar mais uma ilusão reconfortante. "Não me digas!" o quê? Um lapso de consciência indefinido e que procuro tão ansiosamente decifrar? Onde andei eu a mexer que me obrigou a desencontrar? Eu, que nem grandes sonhos tenho e apenas respiro lapsos de tempo e prazeres de instante.

 

Reflicto se não será a consciência (a maldita!) que pensei livre e natural a destapar recantos e ficheiros que cuidei (estúpido!) arrumados. Será possível!? Eu que me consolo com pensamentos nobilíssimos para suportar a imagem reflectida nas montras e espelhos, alguns inventados outros que nem olho. Passa uma tipa, miúda claro, vítima do meu corpo de actor em permanência. Esforço-me sem resultado por soltar sorriso pouco sincero e nada, apenas a monstruosidade de um "Não me digas" ocasional e provocante. Recuso as respostas, a resposta. Tem que haver outra, outras. E procuro refazer a teia do silêncio universal da certeza!

 

Tenho de ter a certeza.

(13-03-2009 09:50)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – X

“…tirem-me deste filme! – parte 2" anónimo (mas menos)

(27-02-2009 10:06)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – IX

"…tirem-me deste filme!" Anónimo

(20-02-2009 10:04)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – VIII

Ainda agora começou (dizem!) e já estou farto dela – A crise – e tudo o que ela envolve e arrasta. Desde que me lembro, e refiro-me profissionalmente, senti-me em permanente crise, ora anímica, ora financeira. Dizem também, os mesmos agentes políticos e financeiros que provocaram a crise, que vai ficar pior para depois melhorar. Faço de conta que acredito para não me chatear mais, que esta gente tem o condão de me azedar, e isso eu não quero. Luto apenas para recuperar alguma serenidade que em tempos usufrui, mesmo na adversidade.

(06-02-2009 09:57)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – VI

“Qualquer música, ah, qualquer,

Logo que me tire da alma

Esta incerteza que quer

Qualquer impossível calma!”

……………………………………….

in "Cancioneiro" - Fernando Pessoa

(30-01-2009 10:29)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – VII

“ (...) O homem absurdo fixa a morte com uma atenção apaixonada e essa fascinação liberta-o.” O Mito de Sísifo – Albert Camus

(16-01-2009 09:45)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – VI

Volta não volta, dou por mim a procurar uma definição estética para o meu trabalho. Não é imprescindível, mas às vezes dá jeito; sobretudo quando perguntam que género de teatro produzo ou em que área se situa a minha música. Desconcertado digo um disparate (?) do tipo: “plausível no éter!” (Boca de um amigo meu saxofonista). O que vem a dar em nada, mas dá para galhofar um bocado. Dizer disparates resulta sempre em galhofa. Quanto mais criativo é, mais divertido se torna, apesar do vazio em que gira. Isto no meio de, um tanto atabalhoadamente, tentar descrever cenas, pedaços de texto ou cantarolar, o que piora a situação, pois tenho sempre o impulso de mimar. Enfim, possivelmente desacredito o meu trabalho! E tudo isto porque não consigo (não consigo mesmo!) sujeitar a imaginação à tipificação, a criatividade à rotulagem, a ética ao consumo. Nunca encontrei o equilíbrio possível. Falha-me a postura de encenador-sério-de-“O Teatro”.

(02-01-2009 14:57)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – V

"Não desejo pertencer a nenhum clube que me aceite como membro"

Groucho Marx

(05-12-2008 10:44)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – IV

Dei por mim radiante, a ver um filme de porrada (e muita) com o Sylvester Stallone. Deve ser pelo Natal estar próximo e isso ter o condão de me deprimir. Durante anos pensei que era mesmo o Natal mas não, é uma coisa que tem início para aí em Novembro, e que geralmente começa com anúncios que mais não fazem do que estimular a chantagem familiar – Ó pai eu quero aquilo! – dois meses nisto é muito tempo, mesmo para mim só de ver.

(28-11-2008 20:12)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – III

………

O sono da vontade de dormir,

O sono de ter sono.

Álvaro de Campos

 

Há locais onde gosto de estar e nem sempre compreendo porque não fico. Regresso sempre à origem (?), sem vontade, contrariado e cabisbaixo. Talvez se ficasse o encanto se desvanecesse, talvez! Raízes não as sinto, por isso é quase um enigma pessoal, desvendável quem sabe com uma ida a um psicólogo e isso eu não faço. Não quero! Dá uma certa cor em viver com mistérios, inquietações passageiras e personagens em vez de pessoas que também as há.

(14-11-2008 09:59)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – II

Ídolos! Tirem-mos da frente. Só os mortos não desapontam. Sabemos tudo (ou quase) e aceitamos ou não, mas desapontarem-nos já não o podem fazer. Estão quietos e mudos como devem estar os ídolos. E eu tenho e tive alguns. Um que conheci em vida – o Pacheco – que já se foi e juntou-se a uma galeria com o Pessoa no topo e vivem todos em mim. E havia um vivo que o saneei, “matei-o” porque felizmente os ídolos também se abatem. Faz agora parte de uma outra galeria onde se encontram mortos e vivos, do tipo: “faz o que ele diz (escreveu, filmou etc.), não faças o que ele faz”. Ainda há uns quantos, não muitos e ainda bem porque tento não cair nessa, mas às vezes…!

(07-11-2008 12:28)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Exterior – I

Um encenador que não fala de “ O TEATRO” !!! Por acaso conheço e, se não é o único, será certamente dos poucos que normalmente não centram as conversas ou observações n´ ”O TEATRO”. Talvez não goste de ”O TEATRO”! Pelo menos tudo, ou quase tudo, o indicia: aborrece-se como espectador, com a consequente agonia da espera p’lo final e a posterior auto-recreminação, rejeita instintivamente ver, ouvir e ler poemas serôdios de penitente glorificação do “ACTOR” de ”O TEATRO”, não sabe nem perspectiva a ideia integradora de “CARREIRA”. Uma “CARREIRA” advém do reconhecimento público e um percurso militante e quase clandestino é apenas isso – um percurso. Escuso (nem tenho lata de) fazer juízo (e logo eu!).

(27-10-2008 10:07)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – V

De uma série de televisão a altas horas, retive este curto diálogo em final de episódio:

A – …o sistema não é perfeito.

B – Mas apesar disso exige-nos perfeição

(17-10-2008 10:48)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – IV

Gosto de bandas filarmónicas. A maior parte das vezes vejo-as (será que alguém as ouve apenas?) fruto do acaso. Estou a passear e pimba, dou de caras com uma banda a tocar. Claro que é sempre, ou quase sempre, ao fim-de-semana.

(13-10-2008 09:37)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – III

A lua cheia já havia passado um ou dois dias e mesmo assim brilhava como se ainda o fosse ainda. E ali estava eu, à beira mar a comer um cachorro a altas horas. A usufruir a brisa marítima ainda cheio de sons e copos (alguns) de uma noite bem passada. A ocasião era propícia à reflexão. No meio da “jam” onde tinha estado, assisti/escutei – nestas coisas não participo – a uma acesa discussão sobre as medalhas e medalhados que anualmente a autarquia atribui. Que se danem, pensei eu na altura.

(03-10-2008 12:10)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – II

É inevitável não me pronunciar sobre esse evento anual – e já vai na sua nona edição – “Eis Bocage… Conversas de Botequim”, iniciativa do “Setúbal na Rede com a parceria do Clube Setubalense e da Câmara Municipal de Setúbal. Casa composta, quase cheia, comes e bebes, convívios, discursos e leituras de textos e poemas maioritariamente de autores locais. Um espelho de uma certa Setúbal. A coisa funciona. Um pouco em circuito fechado, o que não deve ser de todo o objectivo da organização, mas que me vai parecendo uma inevitabilidade com o decorrer dos anos. Porquê? Talvez o formato!, talvez a correcção excessiva dos participantes, em que a ousadia se resume a um cantarolar esporádico de um fado!, porventura a ausência da crítica mordaz, essa sim bocageana. É apenas uma reflexão que gostaria de deixar fluir a bem de uma grandeza que tal evento, a meu ver, carece.

(22-09-2008 10:10)



Carlos Curto Carlos Curto
(Agente Cultural)

Olhar Interior – I

É inevitável! Preferia que não o fosse, mas é. Trinta anos ligados directamente a várias formas de actividade cultural, maioritariamente em Setúbal, impedem-me o provável prazer do descanso a que o alheamento conduz. Creio até que perdi a capacidade de ser imparcial. Foram – a meu ver – anos de frustrações acumuladas e, paradoxalmente, mais como fruidor do que como criador ou promotor.

(12-09-2008 12:37)




Share |
Enviar a um(a) amigo(a)E-mail      ImprimirImprimir      FavoritosFavoritos      Adicionar comentárioComentários

Veja também...

Mens sana...

Espaço Vitória

Tiro e Queda

À Flor da Relva

Do Fundo do Corte

Ainda Há Sol no Cais

Da Caixa de Pandora

Miradouro

Diário de Lina

Em Verdade Vos Digo

Crónicas da Beira Mar

É Como Diz o Outro

Hoje Vou Ser Sincero

Aviso à Navegação