[ Edição Nº 06 ] – AVISO À NAVEGAÇÃO por Rogério Severino.

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por Rogério Severino (Jornalista do “Jornal de Notícias”)

Os quartéis do nosso descontentamento


          Setúbal está numa verdadeira rede com os seus quartéis. Depois do Ministério da Defesa ter entendido que os quartéis deviam ser desactivados, agora ninguém sabe o que fazer deles. Por um lado e em relação ao principal, o Regimento de Infantaria de Setúbal, há várias reivindicações. O Comando Distrital da PSP pretende que no quartel possam ficar todos os serviços da Corporação, desde o Comando à 1ª Esquadra e sobretudo a Esquadra de Trânsito, que não tem condições. Ficariam também as camaratas, devidamente arranjadas a fim de permitir a novos agentes fixarem-se na cidade já que o principal obstáculo à vinda de novos agentes é a falta de casas já que os agentes não ganham para tão elevado encargo.           O mesmo entendimento não tem a LASA – Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, que pretende no antigo “Quartel do 11” um Centro Cultural com todas as valências. Sucede que o Ministério da Defesa está mais interessado na perspectiva negocista, ou seja, em vender aquela Unidade onde poderia embolsar largos milhares de contos e por isso ainda não deu luz-verde a qualquer reivindicação.           A seguir vem o Forte de Albarquel, também desactivado, e que poderia ser aproveitado para uma Pousada de Juventude dada a sua localização junto à praia. Bastava que fosse derrubado o “mamarracho” que se encontra junto à praia, construção incompleta, e muitos dos nossos jovens poderiam utilizar aquele local para períodos de férias e formação em diferentes áreas.           O mais problemático e o único em que se verificou um acordo entre os Ministérios da Justiça e da Defesa foi o quartel de Brancanes que até final do ano será convertido num Estabelecimento Prisional, a fim de descongestionar o de Setúbal, concebido para 98 reclusos mas onde se encontram mais de trezentos. Só que os moradores da zona não gostam da perspectiva de se verem em tão instável companhia e receiam consequências, tal como o próprio Hospital de Setúbal, parco em Unidades para Doenças Infecciosas não se encontra apto para receber muitos doentes infectados com os diversos vírus de que os reclusos são férteis.           Na verdade, já não nos orgulhamos dos nossos quartéis. A desmotivação da juventude para a vida militar, a motivação para o desemprego, para as novas profissões como arrumadores de automóveis (das mais em ascendência no País), políticos, e também tendo em conta que a nossa subjugação à Comunidade Europeia está livre de quartéis, não restam dúvidas de que com eles também se apaga um pouco da nossa memória. Quantos setubalenses, tal como Bocage, assentaram praça no R. I. 11? E em Brancanes? Enfim, não se pode prender a memória em sacrifício do progresso mas é necessário que se arranjem soluções globais que sirvam a generalidade pelo que no caso do R. I. 11 e do Forte de Albarquel as situações deveriam ser breves. Sobre o quartel de Brancanes, pensamos não ter sido boa ideia a sua transformação em Estabelecimento Prisional pela alteração comportamental, de instabilidade, que poderá criar nos habitantes da zona. Quarteis há muitos, mas não se sabe o que fazer com eles.