[ Edição Nº 13 ] – Projecto de elevação de Azeitão a concelho gera discórdias.

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Projecto de elevação de Azeitão a concelho gera discórdias

          O presidente da Câmara de Setúbal diz que não se preocupa com “acções de interesse meramente político partidário, de grupos ou partidos”.
          É a reacção de Mata Cáceres, reeleito pelo PS, à constituição do grupo de cidadãos, liderado pelo socialista Fernando Sacramento, e que deu origem ao projecto de restauração do concelho de Azeitão, assinado por três deputados do Partido Socialista, eleitos por Setúbal, Fernanda Catarino Costa, Aires de Carvalho e José Reis, como aliás, o “Setúbal na Rede” avançou na edição número onze.
          Em declarações ao nosso jornal, Mata Cáceres reage à constituição deste movimento com a garantia de que é presidente de uma autarquia com “muitas frentes de combate para resolver os problemas de todos os setubalenses e de todos os azeitonenses” pelo que “gostaria de não perder tempo, enquanto presidente da Câmara, com algumas acções ou intervenções um pouco avulsas”.
          Confrontado pelo “Setúbal na Rede”, com o facto de tais “intervenções um pouco avulsas” terem tido origem no seio do partido a que pertence, Mata Cáceres adianta que “o meu partido não está isento de participar em acções menos felizes, ou menos oportunas”. Questionado sobre as razões apresentadas pelo grupo de cidadãos para a restauração do concelho, que para além da componente histórica referem o “abandono” a que se sentem votados pela autarquia, o presidente da Câmara diz ser esta “mais uma oportunidade que alguns políticos, que fazem do oportunismo a sua carreira, aproveitam”. Refere ainda o autarca que “isso não corresponde à realidade, o Partido Comunista esteve cá oito anos e eu desafio-os para dizerem o que é que lá investiram”. Quanto ao facto de tais acusações terem sido proferidas por militantes do PS, Mata Cáceres interpretou-as com a possibilidade de os socialistas estarem “convencidos de que Azeitão ia ter mais dinheiro se passasse a ser concelho”. Já sobre a proposta, apresentada na Assembleia da República por três deputados socialistas eleitos por Setúbal, Mata Cáceres diz estar convencido que “não é viável e Azeitão sairia fortemente prejudicada”. Diz ainda o presidente da Câmara que o problema “é de tal maneira falso que Azeitão acaba de ser dotada de uma infra-estrutura viária, tem o museu Sebastião da Gama em construção, tem uma piscina já pronta, e Setúbal ainda não tem, e só no último mandato meti lá mais de um milhão de contos, que é aquilo que os azeitonenses nunca pagaram à Câmara em impostos”.

          Presidente da Concelhia do PS está dividido

          Catarino Costa, o presidente da Comissão Política Concelhia de Setúbal do Partido Socialista garante que “por enquanto, toda a região está bem como está” porque “Azeitão valoriza muito o concelho de Setúbal”. Para o dirigente socialista em Setúbal, “se Azeitão cá ficar, é bom para o concelho de Setúbal” mas sempre vai admitindo que compreende as aspirações dos azeitonenses. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, Catarino Costa admite que, pelo facto de já ter sido concelho “Azeitão se sinta injustiçado se não for considerada a hipótese da restauração desse estatuto”.
          Comparando a relação entre Setúbal e Azeitão, neste caso da elevação a concelho, com “as dos pais com os filhos quando estes querem independência. Embora estejam bem em casa, é legítimo que queiram sair e tornar-se autónomos”. Diz ainda o presidente da concelhia do PS que, nestes casos “os filhos, ou seja, os azeitonenses, não devem ser contrariados”.
          Questionado pelo “Setúbal na Rede” sobre se é ou não contra a restauração do concelho de Azeitão, Catarino Costa volta a ser cauteloso e a afirmar que “não tenho nada contra, mas enquanto setubalense não gostaria”. Quanto ao facto do projecto ter sido apresentado por deputados do seu próprio partido, Catarino Costa diz não estranhar porque “o projecto foi apresentado por pessoas de Azeitão e encaminhado por deputados socialistas. Isto não passa pela Comissão Política Concelhia nem pela estrutura nacional do partido. O facto de serem deputados socialistas a fazer isto é muito saudável”.

          PSD frontalmente contra

          O presidente da Concelhia de Setúbal do Partido Social Democrata manifesta-se “contrário à divisão do concelho”. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, Paulo Ribeiro diz que “por força de tudo o que Setúbal tem passado e a importância que o distrito tem vindo a perder, se partirmos o concelho em dois, Setúbal vai perder ainda mais importância”.
          Questionado pelo “Setúbal na Rede” sobre se Azeitão terá condições para subir a concelho, Paulo Ribeiro garante que não e adianta que “tudo isto se deve ao abandono a que a Câmara vota a vila de Azeitão”. Adianta Paulo Ribeiro que “neste caso há dois tipos de interesse, os de Azeitão e os de Setúbal e, sendo assim, este conflito de interesses só se resolve se Setúbal der a Azeitão as condições a que tem direito e que lhe têm sido negadas”.

          Comunistas acusam o PS de andar a reboque do PSD

          O dirigente da Organização Regional de Setúbal do Partido Comunista, Valdemar Santos, garante que “a iniciativa do PS, no momento em que se concretiza, foi a reboque de uma bandeira que os candidatos que concorreram na lista do PSD, em S. Lourenço, acenaram no decorrer da campanha eleitoral de 1997”.
          Em declarações ao “Setúbal na Rede”, Valdemar Santos relembra que, em 1985, foi o PCP que apresentou na Assembleia da República um projecto-lei para a criação do concelho de Azeitão e que, nas eleições autárquicas do ano passado assumiu “no programa eleitoral da CDU, apresentado ao eleitorado de S. Lourenço, estar aberto à discussão de tal hipótese, no quadro da regionalização do país, que defende”.
          Ainda em declarações ao “Setúbal na Rede”, o dirigente dos comunistas de Setúbal afirma “não se conhecerem, entretanto, indícios notáveis por parte da população das freguesias de Azeitão que nos conduzam a dizer que a criação do novo concelho tenha sido um objectivo suficientemente mobilizador que mereça dar suporte a qualquer iniciativa legislativa que anteceda a discussão e criação das regiões administrativas”.
          Apesar das reservas, os comunistas garantem que vão estar no debate público previsto para esta semana, “com a postura de combater precipitações que nada tenham a ver com os reais interesses das populações e da região de Azeitão”.