[ Edição Nº 17 ] – Jantar de democratas celebrou 25 de Abril.

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barra-1313011 Edição Nº 17,   27-Abr.98

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Democratas celebraram 25 de Abril

          Mais de 200 pessoas confraternizaram num jantar, realizado em Setúbal, para celebrar o Dia da Liberdade. Foi na noite de 24 de Abril, em mais um Encontro de Democratas.

          O tradicional Encontro de Democratas de Setúbal, reuniu, este ano cerca de 200 pessoas, um número que excedeu as expectativas da comissão organizadora que faz questão de afirmar que “este encontro é promovido pelos que nele participam”.

          Na sexta edição, a festa teve uma das maiores adesões de sempre no que toca à juventude, um pormenor que deixou os mais antigos democratas de Setúbal satisfeitos e os fez acreditar “no futuro da democracia”. Para Valdemar Santos, da Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP, a presença dos jovens e a sua capacidade interventiva e de criação artística nas diversas edições do Encontro, leva a que se assuma o compromisso de “para o ano, submeter a concurso a obra que faz o reverso do convite para o Encontro de Democratas”, até agora com a assinatura do artista plástico Carlos Dutra.           Promovido por um grupo de personalidades de diversas cores políticas de nomes da cena cultural de Setúbal, o jantar de democratas reuniu, como todos os anos, um grupo de adultos e jovens de vários quadrantes políticos, cujo denominador comum foi a revolução dos cravos, em 25 de Abril de 1974, a recordação do antes e do depois da liberdade e as esperanças de que Portugal siga em frente na democracia.

          No encontro de democratas, onde muitos exorcizaram as recordações do cárcere, da fome e da miséria, no tempo em que foram presos pela PIDE, muitos outros aprenderam com as palavras dos mais velhos que a democracia é um valor a preservar. O ideal democrático acabou por ficar expresso nos discursos da noite, quando o comunista Orlando Curto relembrou as dificuldades dos portugueses, antes do 25 de Abril de 74, e fez o contraponto com a actual situação do país. Desde as manifestações de estudantes à luta dos trabalhadores, Orlando Curto recordou “como é bom ter liberdade, como é bom contar com o futuro” e prestou homenagem à resistente anti fascista Virgínia Moura, recentemente falecida, uma democrata a quem “se deve muito e que, desde sempre, esteve na linha da frente em todas as manifestações e acções contra a ditadura”.

          Um futuro em que todos os presentes pareceram confiar, pelo menos a acreditar nas palavras de Vitor Zacarias, da URAP, União de Resistentes Anti Fascistas que apelou à intervenção dos cidadãos na vida do país. Esta forma de garante da democracia, ainda segundo este responsável, é uma das directrizes da URAP que “não deve ser encarada como mais um grupo, porque há que lutar pela democracia todos os dias e é isso que fazemos”.           Durante cerca de quatro horas, centenas de pessoas solidarizaram-se com os discursos proferidos ao longo da noite, onde foi relembrada e apoiada a luta dos trabalhadores da Sodia-Renault, em vias de perderem o emprego, da Torralta, em Tróia, e de muitas outras empresas da região, com problemas laborais ou em vias de fechar as portas.

          Os participantes do encontro, animados pela música de Zeca Afonso e pelo espectáculo intervencionista de um grupo de jovens democratas, garantem que a exortação do espírito do 25 de Abril não se esgota por ali. Por isso, prometem aplicá-lo todos os dias, em todas as ocasiões porque “um homem nasce livre e deve morrer livre”.

Etelvina Baía     

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