[ Edição Nº 18 ] – Municípios a sul do Tejo juntos pelo Aeroporto em Rio Frio.

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barra-7548048 Edição Nº 18,   04-Mai.98

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Municípios a sul do Tejo
juntos pelo Aeroporto em Rio Frio

           Associações de Municípios do Alentejo e Algarve estão em sintonia com a Associação de Municípios de Setúbal quanto à instalação do futuro Aeroporto Internacional de Lisboa em Rio Frio. Esta tomada de posição foi expressa no decorrer da conferência de imprensa realizada no dia 28 de Abril, em Palmela, onde os representantes destas associações manifestaram o seu total apoio a uma opção que trará “vantagens e impactos positivos quer em termos gerais, quer no que diz respeito ao desenvolvimento da Área Metropolitana de Lisboa, quer no Alentejo e Algarve”. Foi este o objectivo principal do encontro que, segundo Carlos de Sousa, presidente da Associação de Municípios de Setúbal “vem dar mais força à nossa pretensão”.

          Presentes na conferência de imprensa estiveram as Associações de Municípios do Distrito de Setúbal, Litoral Alentejano, Évora, Beja e Algarve, juntos para divulgar um documento no qual expressam as vantagens e impactos que a opção Rio Frio poderá proporcionar ao país. O documento salienta que em estudos realizados anteriormente, eram apontadas algumas desvantagens quanto a Rio Frio, no entanto, hoje estão ultrapassadas e provou-se ser possível a alternativa de localização da pista que “não põe em causa o Campo de Tiro de Alcochete nem a Base Aérea do Montijo” tal como referiu Carlos de Sousa, actual presidente da Associação de Municípios de Setúbal. Para além disso, ao contrário da Ota, Rio Frio localiza-se no interior da Área Metropolitana de Lisboa, “mas numa zona exterior ao seu limite urbano definido pelo eixo Setúbal, Palmela, Montijo e Alcochete, não estando por isso sujeita a pressões de expansão demográfica”.

          Os autarcas presentes salientaram também a importância que poderão adquirir as acessibilidades. Para além da Ponte Vasco da Gama, do IP7 e da Ponte 25 de Abril, e concluída que esteja a ligação Pinhal Novo – Lisboa, a circulação poder-se-à fazer com os eixos ferroviários e rodoviários internacionais e também com os portos de Lisboa, Setúbal e Sines. Outro dos pontos a destacar do documento entregue pelos autarcas é o facto do futuro aeroporto se localizar junto ao principal itinerário rodoviário internacional, IP7, a menos de uma hora e meia da fronteira, e assim sendo, o seu “Interland” terá uma dimensão Ibérica, “viabilizando um maior número de carreiras aéreas, e permitirá ao futuro Aeroporto Internacional de Lisboa em Rio Frio, concorrer com Madrid e Sevilha”.
          Entre as diversas razões apontadas pelas Associações de Municípios surge o facto de a localidade de Rio Frio se situar e projectar para toda a região Alentejana, a mais desfavorecida do país, e na qual é “mais urgente promover o desenvolvimento económico e turístico e para dinamizar o projecto do Alqueva”, para os autarcas se a opção recair sobre Rio Frio irá de encontro “à tão falada e adiada deslitoralização do país”. É ainda, dizem, fundamental para o desenvolvimento do Algarve, devido á situação da pista de Faro e a aparente dificuldade do seu alargamento, para mais quando estiver concluída a auto-estrada para o Algarve e o prolongamento da Via do Infante que permitirá “a ligação de Rio Frio a toda a costa Algarvia em pouco mais de duas horas”.
          Os impactos ambientais não são esquecidos e as associações estão preocupadas em encontrar a solução que seja mais sustentável do ponto de vista ambiental, “procurando salvaguardar ao máximo o montado de sobro do Rio Frio e indo ao encontro das preocupações ecologistas”.
          Para Carlos de Sousa este é um processo pouco transparente, até porque, como Presidente da Câmara de Palmela só agora está a assinar as credenciais dos técnicos das universidades que vão para o terreno fazer os estudos dos impactos ambientais, o autarca duvida ainda que seja em Agosto próximo que o Governo tome uma decisão definitiva, a não ser que “pretenda tomar uma decisão sem ter em linha de conta o que os estudos ambientais dizem”. Para o edil a qualidade de vida passa pelas atribuições e competências dos municípios e, afinal “nós temos de ter, naturalmente, uma palavra a dizer em relação a este processo”. A Associação de Municípios de Setúbal pretende pedir uma reunião com o Ministro do Equipamento, João Cravinho, à Comissão da Assembleia de República, formada especificamente para acompanhar todo o processo de localização, e uma reunião com todos os deputados eleitos pelo círculo de Setúbal. Carlos de Sousa já disse que aquilo que pretendem transmitir ao Ministro do Equipamento é que consideram fundamental “um acompanhamento, da nossa parte, em todos os estudos que estão a ser feitos, para que este processo seja completamente transparente”.

Susana Nascimento     

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