[ Edição Nº 29 ] – Marçal Grilo analisa ensino superior no Barreiro.

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barra-6608983 Edição Nº 29,   20-Jul.98

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Marçal Grilo analisa
ensino superior no Barreiro

           O Ministro da Educação, Marçal Grilo deslocou-se ao Barreiro, no passado dia 13, para participar numa reunião de trabalhos sobre a instalação do ensino superior politécnico no concelho e assistir à assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal e a Direcção Regional de Educação de Lisboa para a substituição da escola D. Luís Mendonça Furtado.

          Foi no anfiteatro do edifício da administração da Quimiparque que o Presidente da Câmara, Pedro Canário, e o Presidente do Conselho de Administração da Quimiparque, João Pires, se reuniram com o Ministro da Educação, Marçal Grilo para “analisar e apreciar as condições reais no terreno que o Barreiro tem para poder equacionar a questão de outros níveis de ensino”, explicou o autarca. A possibilidade de se vir a construir no Barreiro um Instituto Politécnico, uma aspiração antiga da autarquia, visa “proporcionar aos jovens a continuidade dos seus estudos a nível local”, disse ainda o presidente. Segundo Pedro Canário, é também “dar ao Barreiro na sua zona de influência um papel importante, dando um forte contributo para o progresso e desenvolvimento da região”.

          Na reunião de trabalhos, que decorreu à porta fechada para a comunicação social, foi apresentado pelo professor Jorge Gaspar o projecto para a criação do ensino superior politécnico no Barreiro. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, Jorge Gaspar, defende que neste ensino politécnico deve existir uma integração dos domínios do saber, isto é, “as ciências exactas, as tecnologias, as ciências sociais e humanas e as artes”, tudo isto integrado num único estabelecimento e “não por escolas diferentes”, como salientou. Confrontado com a questão de quando virá o ensino superior para o Barreiro, Jorge Gaspar afirma que “o importante é não marcar datas para inaugurações. Dar tempo ao tempo, já que tudo pode acontecer a curto ou a longo prazo” garantindo também que este ano haverá trabalho sério, e que “a partir de agora começam a ser dados passos para a concretização”. Não havendo um local proposto, o sítio ideal para o professor será no contexto da Quimiparque, pois “é num ambiente de trabalho que fica bem uma escola superior politécnica”, afirmou.



          Sem querer adiantar pormenores da reunião, e apesar de ainda não estar definido que tipo de ensino superior o concelho vai ter, Marçal Grilo afirma que “seguramente vão encontrar formas que permitam satisfazer o que são as reais expectativas, não só da Câmara, mas sobretudo dos barreirenses”. O ministro referiu que face ao crescimento que este ramo de ensino tem registado nos últimos tempos, o modelo de expansão futura deve ser feito à custa das instituições existentes. Tal crescimento, acrescentou, vai ser feito à base de “contratos de desenvolvimento com instituições de ensino já existentes que possam vir a ter escolas noutras localidades que satisfaçam os interesses das populações”.

          Nova escola D. Luís Mendonça Furtado

          Nesta visita, Marçal Grilo assistiu à assinatura de um protocolo entre a Câmara do Barreiro e a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), com vista à construção da nova escola D. Luís Mendonça Furtado, uma reivindicação com cerca de 20 anos, onde “a negociação nem sempre foi fácil”, como referiu António Sardinha, Director Regional de Educação de Lisboa. O mesmo responsável considera que o esforço de articulação entre o ministério, a autarquia e os diferentes agentes educativos e culturais da terra se revelou um “trabalho significativo no apoio ao desenvolvimento de projectos específicos”.
          A escola, cujo concurso público será lançado ainda este mês, terá capacidade para 30 turmas e ficará dotada com um pavilhão desportivo, um refeitório, um centro de recursos, um auditório, uma biblioteca e uma mediateca, num investimento orçado em 540 mil contos. Uma escola que é “no final do século, a resposta adequada às necessidades reais em termos de equipamento, relativamente à educação”, salientou António Sardinha. A DREL anunciou ainda que vai investir 350 mil contos em duas antigas escolas secundárias do concelho – a Alfredo da Silva e a dos Casquilhos.

          Câmara do Barreiro e DREL assumem responsabilidades
          A assinatura do protocolo de cedência do terreno para a construção da nova Mendonça Furtado, incumbe competências às entidades envolvidas. Assim, compete à Direcção Regional de Educação de Lisboa, todos os processos relativos à construção do edifício, lançamento do concurso, adjudicação e fiscalização das empreitadas, execução de arranjos exteriores dentro do perímetro da escola (inclui movimentos de terras, pavimentações, ajardinamentos, redes exteriores de abastecimento de água e drenagem de esgotos e águas fluviais, rede de iluminação exterior, construção de passeios e parqueamento). Este organismo deverá ainda garantir o fornecimento de mobiliário, material didáctico e equipamentos de apoio administrativo.           Quanto às competências da Câmara estas consistem no fornecimento do terreno, prestação de apoio técnico, colaborar na definição da melhor localização da escola. Tem ainda que executar por sua conta, os acessos e infra-estruturas da escola como redes de saneamento, abastecimento de água e electricidade.           O protocolo estabelece também que com a abertura da nova escola, o Ministério da Educação devolverá à Câmara Municipal, as instalações onde actualmente funciona a Escola Básica D. Luís Mendonça Furtado.

Susana Prates     

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