[ Edição Nº 29 ] – Guterres visita Lisnave.

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barra-5321348 Edição Nº 29,   20-Jul.98

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Guterres de visita a Setúbal
Ouviu críticas dos trabalhadores da Sodia

           O Primeiro Ministro esteve no dia 13 de Julho, em Setúbal, para uma visita aos estaleiros da Lisnave. À entrada esperavam-no dirigentes da União de Sindicatos para reclamarem contra a forma como está a ser conduzida a revisão da lei laboral, e os trabalhadores da Sodia, a antiga fábrica da Renault, que exigem emprego depois da unidade fechar as portas, no final deste mês.

          Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Sodia esperaram Guterres à entrada dos estaleiros navais em Setúbal para lhe dizerem que “mentiu aos portugueses ao prometer postos de trabalho”. Um recado entregue minutos antes a Pina Moura, o ministro da Economia, e a Vitor Ramalho, o secretário de Estado da Economia, que chegaram à frente do Primeiro Ministro para a visita aos estaleiros.

          Pina Moura foi apelidado de “incompetente” e Vitor Ramalho de “mentiroso”, pelos trabalhadores exaltados com o facto de “ninguém dar resposta aos pedidos para que sejamos todos integrados”, disse ao “Setúbal na Rede”, o dirigente sindical Carlos Ricardo. Em causa, segundo o mesmo dirigente da Comissão de Trabalhadores, está “a precariedade das ofertas que nos fizeram de colocação noutras empresas e sabermos que, pelo menos 140 pessoas ainda não tiveram qualquer oferta”.
          Por isso, os trabalhadores que no dia 31 deste mês vão ver fechadas as portas da fábrica (encerrada porque o Governo, que a dirige depois da saída da Renault, não encontrou comprador) sentem-se “enganados”, avança Carlos Ricardo, “porque prometeram-nos que não tínhamos os postos de trabalho em causa”.



          Esse mesmo recado foi dado a António Guterres que foi confrontado com as duras acusações tecidas ao ministro e ao secretário de Estado da Economia. Aconselhado a demitir “quem não é competente”, numa alusão a Pina Moura e a Vitor Ramalho, António Guterres respondeu com a promessa de que “os postos de trabalho estão garantidos” e que todos os trabalhadores terão possibilidades de escolher o futuro, através das ofertas que “o Governo tem desbloqueado”.
          Depois de escutar os gritos e as críticas de dezenas de homens da Sodia, alguns metros à frente Guterres apanhou com uma manifestação de dirigentes da União de Sindicatos de Setúbal que decidiram entregar-lhe uma carta aberta sobre a revisão da legislação laboral. É o protesto formal da estrutura regional da CGTP contra a decisão do Governo de “legislar sobre esta matéria, quando isso é da competência da Assembleia da República”, garantiu Rui Paixão, coordenador da União de Sindicatos. Dizem os sindicalistas que o Governo está a “usurpar os poderes do parlamento” e garantem que “essa manobra não vai passar, porque os trabalhadores não deixam”.

Foto de Flávio Andrade     

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