[ Edição Nº 40 ] – AVISO À NAVEGAÇÃO!! por Rogério Severino.

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barra-7688083 Edição Nº 40,   05-Out.98

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AVISO À NAVEGAÇÃO !!
por Rogério Severino (Jornalista do “Jornal de Notícias” e
membro eleito do Conselho Geral do Sindicato dos Jornalistas)

Setúbal: da perda do fulgor revolucionário
até à solidariedade com cuba

           Das poucas situações que Setúbal ainda mantém do seu fulgor revolucionário do 25 de Abril de 1974, a solidariedade com Cuba é uma delas. Setúbal deixou de ser ‘Cidade Vermelha’, as ocupações deixaram de se fazer (não obstante continuarem a haver casas devolutas); as manifestações vibrantes são chão que já deu uvas, mas da cidade que mais ficou marcada pela Revolução de Abril ficou algo de muito belo e muito mais importante do que as aventuras amorosas do Presidente William Clinton: Setúbal é das cidades de todo o mundo que mantém uma forte solidariedade com Cuba.           Hoje podem contar-se pelos dedos os que mantém vivos os princípios que defenderam em 25 de Abril de 1974. Normalmente as revoluções trituram os seus filhos mas no caso da revolução portuguesa é o tempo que desfaz a chama revolucionária. Hoje, grande parte daqueles que muito deram para a consolidação do 25 de Abril quase não gostam que a sua militância seja lembrada e arrastam-se pelas cadeiras de S. Bento, pelas vereações das autarquias e pelo conforto dos Conselhos de Administração das grandes empresas. Grande parte deles passaram a ter posições mais à direita e também são dos que contribuem para que hoje se pense que Setúbal é um oásis. Mas aparte destes revolucionários de conveniência ainda há, felizmente, aqueles que não hipotecaram os seus ideais e que hoje ainda se podem olhar ao espelho sem se envergonharem da imagem que neles vêm reflectida.           Uma das poucas causas que consegue unir setubalenses de diferentes quadrantes é o apoio a Cuba e, consequentemente, ao povo cubano. Para isso tem contribuído o dinamismo da delegação de Setúbal da Associação de Amizade Portugal-Cuba, presidida pela deputada Odete Santos e, se bem que a ela se deva grande parte do dinamismo a delegação de Setúbal, no seu todo tem conseguido estar sempre presente em todas as manifestações de solidariedade. Depois da Lei Torricelli e da actual Lei Helmes-Burton, que mantém o embargo a Cuba, os elementos de Setúbal da Associação têm estado na primeira da divulgação e exaltação da vontade do povo cubano. Aliás, se bem que se trate essencialmente de uma questão política não podemos esquecer que o povo cubano dá ao mundo o grande exemplo de preferir ser livre integralmente, passando as maiores privações, mas mantém-se altivo e vigoroso, não quebrando a cerviz perante o gigante americano.           O capitalismo, os revolucionários renegados, criticam a verticalidade do povo cubano porque não concebem que possam haver valores que o dinheiro não pode comprar e esse é a liberdade. Nunca na História se viu um povo tão firme nas suas convicções, tão altivo e orgulhoso na defesa dos seus princípios e em Cuba pode ou não gostar-se do regime mas é mais importante o que une os cubanos do que aquilo que os divide e esse ponto de união é o quererem ser livres.           Bill Clinton, durante as suas amorosas com a tal Lewinsky, quando utilizava os charutos como objecto de prazer, seria bom que se desse ao trabalho de pensar que há um povo que não se verga aos interesses do gigante americano e por muitos boicotes que se venham a verificar os cubanos já provaram que nada os faz vergar.

          Os setubalenses têm estado na primeira linha de ajuda de diversos géneros para o povo cubano e por isso, se algum cidadão cubano aceder ao site do “Setúbal na Rede” saiba que em Portugal e mais concretamente em Setúbal ainda há pessoas que não esquecem a luta de um povo e o admiram.

          Setúbal perdeu todas as marcas da revolução; os obreiros das acções revolucionários estão na maioria fora do activo ou tresmalhados em Partidos, cada um à procura daquele que melhor sirva os seus interesses. Mas com tudo isso ainda restou um grupo de pessoas que levam a cabo uma tarefa de Solidariedade Internacional que é digna de registo. Uma réstia da revolução portuguesa ao serviço da revolução cubana. Agora, quando o Comandante-em-Chefe Fidel Castro vier a Portugal, ao Porto, a fim de participar numa importante Cimeira, seria bom que alguém lhe dissesse que os setubalenses não esquecem os irmãos cubanos.

          A solidariedade não se apregoa, pratica-se.

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