[ Edição Nº 42 ] – Sobem de tom os protestos conta a co-incineração de resíduos tóxicos na Arrábida.

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barra-6789985 Edição Nº 42,   19-Out.98

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Co-incineração de tóxicos em cimenteiras
Sobem de tom os protestos de políticos e ambientalistas

           A cerca de um mês do final do prazo para a consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental sobre a co-incineração de resíduos tóxicos industriais em fornos de cimenteiras, diversos partidos, autarquias e grupos ambientalistas prosseguem as acções de protesto contra a possibilidade da Sécil, no Outão, vir a queimar os resíduos e da Quimiparque, no Barreiro, vir a receber a estação de pré-tratamento desses lixos.           Na capital de distrito, os protestos foram protagonizados, no dia 17 de Outubro, pelos ambientalistas do GISA, Grupo de Intervenção e Sensibilização Ambiental, através da concentração de cerca de uma dezena de jovens na Praça de Bocage, munidos de máscaras anti-gás e cartazes contra a co-incineração.

          A ideia, segundo Amândio Pereira, dirigente do GISA, “é denunciar que se quer queimar lixos tóxicos no santuário natural da Serra da Arrábida e, principalmente, dizer que há outras formas de resolver a questão sem recorrer a esta solução”.

          Uma denúncia feita através da concentração de jovens que, depois da Praça de Bocage dirigiram-se para o Largo da Misericórdia – outro ponto nevrálgico da baixa setubalense – onde procederam à distribuição de panfletos explicativos das razões que os ambientalistas encontram para rejeitar o processo de co-incineração

          Segundo estes responsáveis, “o ambiente não se vende e, por isso há que encontrar outras formas de resolver o assunto”. E essas soluções, segundo Amândio Pereira, passariam pela aplicação da chamada política dos três erres, ou seja, a redução, a reciclagem e a reutilização.

          O mesmo dizem os responsáveis do PSR de Setúbal que, três dias antes, cortaram a estrada de acesso à Arrábida, no troço que passa pela Sécil, com o objectivo de protestarem contra o método encontrado para o tratamento de resíduos industriais. Uma solução que os socialistas revolucionários rejeitam por considerarem ser “um tapar de olhos” já que segundo a dirigente Catarina Grilo, “esta solução não trata nada, não resolve nada e apenas muda o estado físico dos poluentes”.

          “Quem perde são as populações”

          No que toca à eventual localização, o ‘não' obteve mais um apoiante. Trata-se do presidente da Junta de Freguesia de São Lourenço, em Azeitão – situada na Serra da Arrábida – que já garantiu estar contra a possibilidade de co-incinerar lixos na Sécil, “paredes meias com a freguesia”. Segundo Diamantino Estanislau, “quem fica a perder é o ambiente e são as populações que perdem a sua qualidade de vida”.
          A juventude comunista de Setúbal também se manifestou contra, em conferência de imprensa realizada no dia 12 de Outubro. Um encontro com os jornalistas para dizer que, segundo o dirigente distrital Jorge Martins, a JCP está “frontalmente contra a co-incineração de resíduos na Arrábida e o seu tratamento no Barreiro”. E para ajudar a sensibilizar a opinião pública, os jovens comunistas estão já a produzir panfletos sobre o assunto e organizar debates e discussões sobre os prós e os contras do método encontrado para resolver o problema dos resíduos industriais.
          No mesmo dia, a Comissão Política Distrital do PSD dava a conhecer o projecto de lei elaborado pelos deputados Cardoso Ferreira e Lucília Ferra, eleitos por Setúbal, onde é exigido que o Governo passe a ser obrigado a encomendar estudos de impacte ambiental sobre matérias fundamentais, como é o caso da co-incineração.
          Uma proposta que Cardoso Ferreira acredita vir a ser agendada em breve e debatida a tempo de “fazer parar este processo e permitir que se elabore estudos independentes para fazer face aos que existem e que dão resultados suaves por terem sido encomendados pelas cimenteiras”.

          Abaixo-assinado no Barreiro
          Enquanto isso, no Barreiro, os ânimos voltam a aquecer. Depois de formalizada a posição contra, do PP do PSD, do PS e da CDU, para além da própria autarquia liderada pelo PCP, vem a Assembleia Municipal liderada pelo comunista e antigo presidente da Câmara, Helder Madeira, votar por unanimidade contra a instalação de uma estação de pré-tratamento dos resíduos no Parque Industrial da Quimiparque.

          Segundo Helder Madeira avançou ao “Setúbal na Rede”, “a cidade está farta de pagar pelo progresso e não será agora, depois de anos a recuperar dos lixos deixados pela CUF, que vamos perder a qualidade de vida conquistada através da recuperação da zona industrial”. É que para este responsável, a estação de tratamento está prevista para “uma zona fortemente urbana com cerca de 30 mil habitantes, mesmo ao lado de hipermercados” e do espaço previsto para a instalação de uma escola de ensino superior.

          Convicto de que toda a população do Barreiro está contra esta possibilidade, o presidente da Assembleria Municipal do Barreiro garantiu que “o abaixo assinado posto a circular rapidamente vai ser preenchido”, e que depois disso, os protestos da população e dos políticos dos mais diversos quadrantes serão entregues ao Presidente da República, ao Presidente da Assembleia da República, ao Primeiro Ministro, à ministra do Ambiente e ao IPAMB, Instituto de Promoção Ambiental.

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