[ Edição Nº 44 ] – Mata Cáceres rejeita co-incineração de resíduos tóxicos perigosos na Arrábida.

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barra-6069159 Edição Nº 44,   02-Nov.98

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Mata Cáceres rejeita co-incineração
Por achar que existem dúvidas sobre o processo

           Depois de ter sido acusado, durante vários meses, de não se pronunciar sobre a possibilidade de co-incinerar resíduos tóxicos na Sécil, o presidente da Câmara Municipal de Setúbal vem a terreiro garantir que não pode ser a favor do processo.

          A posição de Mata Cáceres foi dada a conhecer na sessão pública da Câmara, realizada no dia 24 de Outubro, altura em que fez saber que “não posso ter outra posição porque ainda não me provaram a bondade deste sistema”. Uma posição que o levou, inclusive, a solicitar a aprovação de uma moção de toda a vereação, um documento que foi aprovado por unanimidade e que acabou por condenar a possibilidade da Sécil co-incinerar lixos tóxicos e perigosos na Arrábida.

          Mata Cáceres explicou ao “Setúbal na Rede” as razões que o levaram a tomar tal posição, garantindo que “face às dúvidas que permanecem e face à falta de explicação para muitas das questões” é preferível dizer que não “porque em caso de dúvida nunca se recomenda seja o que for”. A decisão do presidente da Câmara de Setúbal é aplaudida por todos os vereadores da oposição, já que para Duarte Machado, do PSD, e Regina Marques, da CDU, apesar de chegar tarde, a posição de Mata Cáceres é coerente com “o sentimento da população de Setúbal”.

          Barreiro não desiste

          No concelho do Barreiro, a população e os autarcas continuam a travar batalhas contra a instalação da estação de pré-tratamento dos resíduos tóxicos na Quimiparque, tendo a última iniciativa sido protagonizada pelo presidente da Câmara, Pedro Canário, ao reunir no dia 26 de Outubro com a ministra do Ambiente. A ideia era dar a conhecer à ministra a “insatisfação dos barreirenses com este assunto” e tentar que o processo fosse interrompido para “analisar tudo de novo e procurar outras hipóteses de localização”. Uma tentativa que, segundo o presidente da Câmara do Barreiro contou ao “Setúbal na Rede”, “não deu qualquer resultado porque a ministra não se mostrou minimamente interessada nas propostas”.
          Mas apesar da falta de receptividade por parte de Elisa Ferreira, o edil barreirense garante que “os protestos vão continuar até que o processo pare e tudo volte a ser analisado”. Isto porque, se acordo com Pedro Canário, “é inconcebível que se tente implantar uma unidade industrias daquelas dentro de um centro urbano e pôr em perigo a qualidade de vida das populações”.

          Associação de Municípios protesta
          No mesmo dia em que o presidente da Câmara do Barreiro se encontrou com a ministra do Ambiente, o Conselho de Administração da Associação de Municípios do Distrito de Setúbal reuniu propositadamente para discutir a questão da co-incineração.           Do encontro saiu um documento em que os representantes dos 13 municípios do distrito protestam contra a pretensão do Governo, rejeitam por completo o processo e a eventual localização da co-incineração na Serra da Arrábida e a estação de pré-tratamento prevista para o Barreiro.

          De acordo com a associação liderada pelo presidente da Câmara de Palmela, Carlos de Sousa, que também já rejeitou o processo, “é preciso salientar a importância, para o equilíbrio e o desenvolvimento sustentado da península de Setúbal, da manutenção e da melhoria da qualidade do ambiente, alicerçados nos seus valores naturais”, como é o caso do Parque Natural da Arrábida e a qualidade de vida conquistada pela população do Barreiro.

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