[ Edição Nº 56 ] – Universidade Popular realiza debate sobre a auto-estrada da informação.

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barra-7014601 Edição Nº 56,   25-Jan.99

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Universidade Popular de Setúbal organizou debate
Sobre novas tecnologias e a auto-estrada da informação

           Promovido pela associação cultural Universidade Popular Bento de Jesus Caraça, decorreu no dia 22 de Janeiro, em Setúbal, um debate sobre a Internet, o hipertexto e a interactividade. Carlos Castelo, um estudante da Escola Superior de Educação de Setúbal foi o convidado do debate que abriu um ciclo de iniciativas da associação, sobre novas tecnologias e sociedade de informação.

          Surgido da necessidade de dar a conhecer a toda a gente, “independentemente da idade”, as várias vertentes da nova sociedade de informação, o debate promovido pela Universidade Popular de Setúbal saldou-se por um balanço positivo.

          Quem o diz é Manuel Salazar, da direcção da associação e promotor do debate que, em declarações ao “Setúbal na Rede” afirma estar satisfeito com a participação do público e com o grau de qualidade da iniciativa.
          Considerando o tema “muito aliciante”, Manuel Salazar explica que a opção pelo ciclo de iniciativas sobre as novas tecnologias, decorre de “um conjunto de avaliações” feito pela associação, no sentido de trabalhar nos mais diversos campos de conhecimento, com especial ênfase para os assuntos da actualidade.
          Carlos Castelo, o estudante convidado para o debate promovido pela Universidade Popular também está satisfeito com a iniciativa. Em declarações ao “Setúbal na Rede”, o estudante diz ter sido “muito positivo” o facto de entre o público se encontrarem algumas pessoas de meia idade.
          Segundo este responsável, trata-se de um bom sinal quanto à afirmação das novas tecnologias porque “hoje em dia, seja qual for a idade”, as pessoas precisam de perceber a sociedade de informação “para não se sentirem excluídas”. E é por razões como esta que Carlos Castelo considera importante este tipo de iniciativa, especialmente porque o público ficou “com vontade de saber mais” sobre a auto-estrada da informação.
          Questionado sobre as assimetrias sociais criadas pelas novas tecnologias, este responsável admite tratar-se de uma preocupação geral, tendo em conta que “é uma situação complicada e difícil de resolver” embora, ao longo do tempo, tenham surgido diversas soluções.
          É que, por mais que se faça “nenhuma das soluções é a mais correcta”, já que se torna difícil “abarcar a população de todo o mundo”. E se, em termos de mudanças tecnológicas a Revolução Industrial “não foi coerente” em tudo o mundo, o jovem estudante entende que “muito menos o será a sociedade de informação”.
          Sobre a questão da alegada anarquia na Internet, um dos temas que mais discussão provocou no debate, Carlos Castelo afirma tratar-se de “uma anarquia controlada”, tendo em conta que “por trás de tudo, há valores impostos por quem concebe as páginas”.
          Já quanto à ideia, avançada durante o debate, de criação de uma comissão de fiscalização da Net, Carlos Castelo considera-a um absurdo, porque não faz sentido existir uma comissão auto-reguladora quando “a Internet é a desregulação”.

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