[ Edição Nº 63 ] – Desmatação em Azeitão.

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barra-1734101 Edição Nº 63,   15-Mar.99

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Caso do abate de árvores em Azeitão
Câmara de Setúbal rejeita críticas das juntas

           A vereadora do pelouro do Urbanismo da autarquia setubalense garante que a Câmara nada tem a ver com a desmatação dos terrenos da Brejoeira e afirma que os presidentes de junta precipitaram-se ao criticarem a edilidade. Para Teresa Almeida trata-se de uma matéria do foro particular, cuja responsabilidade é do proprietário dos terrenos.

          A desmatação de cerca de 100 hectares de pinhal na localidade de Brejoeira, em Azeitão, em terrenos do empresário Xavier de Lima, não passou por qualquer autorização da Câmara de Setúbal, visto que, não sendo proibido cortar pinheiros e tratando-se de terrenos particulares, “não é preciso qualquer luz verde do executivo”.

          A afirmação é da vereadora do pelouro do Urbanismo, Teresa Almeida, que garantiu ao “Setúbal na Rede” estar “indignada” com as acusações do presidente da Junta de Freguesia de São Simão, Joaquim Marcelino, e o presidente da Junta de São Lourenço, Diamantino Estanislau, de que a edilidade teria viabilizado o corte das árvores ao aceitar o pedido de alteração do uso do solo.
          Teresa Almeida acusa os autarcas de freguesia de “precipitação” nas acusações lançadas, pelo que “já lhes explicámos o sucedido e criticámos, pessoalmente, a posição que tomaram”. Apesar de reforçar a ideia de que a Câmara nada tem a ver com o assunto, a vereadora sempre vai dizendo que pessoalmente também não gostou do abate das árvores. No entanto, admite que nada pode fazer porque “as coisas foram feitas à luz da lei”.
          Entretanto o responsável pelo abate de árvores nos terrenos da Brejoeira, o empresário António Xavier de Lima, continua a remeter-se ao silêncio. O “Setúbal na Rede” tentou obter a reacção do dono dos terrenos a todos estes acontecimentos, no entanto foi-nos dito que o empresário se recusa a comentar esta matéria.           Apesar das certezas da autarquia setubalense e do silêncio de Xavier de Lima, os autarcas de freguesia, ambos da CDU, não deixaram de alertar a Direcção Regional do Ambiente e a Comissão de Coordenação da Região de Lisboa e Vale do Tejo (CCRLVT) para o abate das árvores.

          Tudo porque, segundo estes responsáveis, a desmatação ultrapassou o previsto, já que para além dos 60 hectares iniciais, “destruíram outros 40 da chamada zona de segurança”. E os dois presidentes desconfiam que esta alteração “põe em causa a estabilidade ecológica da zona”.

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