[ Edição Nº 68 ] – In Situ cantam poemas de Abril.

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Poesia de Abril em Setúbal
Musicada pelo grupo In Situ

           “O Sítio Poético de Abril: cantigas de amor e inquietação” é o espectáculo que o grupo setubalense In Situ preparou, a convite da Câmara Municipal, para assinalar as comemorações dos 25 anos da revolução dos cravos e que vai ser apresentado na noite de 24 de Abril, no Museu do Trabalho.

          Com base numa recolha de poetas que cantaram Abril nas suas obras, os In Situ acabaram por escolher onze poemas, de autores como Ary dos Santos, Natália Correia, Manuel Alegre, Alexandre O’Neill e Sophia de Mello Breyner, que depois de devidamente musicados pelo grupo, serão apresentados no sábado em primeira audição.

          Já habituados a lidar com poesia de gente famosa, depois de terem feito espectáculos dedicados às obras de Bocage e Sebastião da Gama, os In Situ tiveram a preocu-

“Loira Fílis”
com poema de Bocage
(em Real Audio)

pação que “O Sítio Poético de Abril” fosse um trabalho com uma perspectiva apartidária da revolução portuguesa, em que se realçasse os “principais valores de Abril”, como “a liberdade, a solidariedade, a cidadania e o humanismo”.
          Nesse sentido, Salvador Peres, elemento dos In Situ, explica que a escolha dos poemas foi condicionada pela opção de não recorrer a “obras panfletárias”, mas que transmitissem a “forma particular de estar e de ser do povo português”.
          Para o músico, os portugueses deram uma prova de grande maturidade “com a sua característica universalista que fez com que a revolução de 1974 fosse diferente de qualquer outra, sem violência nem derramamento de sangue”. E é essa mensagem, “pacifica mas inquieta”, que os In Situ querem transmitir com este novo trabalho.           Além da música, o espectáculo dedicado ao 25 de Abril pelos In Situ vai ainda incluir outros poemas declamados por Carlos Medeiros e João Completo, enquanto os pintores Eduardo Carqueijeiro e Nuno David irão pintar ao vivo uma tela inspirada pelo ambiente criado no momento.

          Este espectáculo surge numa fase decisiva da vida do projecto, que sempre tem desenvolvido a sua actividade como grupo amador, mas que agora se “vê no limite das suas capacidades de crescimento”, pelo menos enquanto não tiverem um disco editado.

          Por isso, esse é agora o grande objectivo do grupo, pelo que vão passar a ter os destinos na mão de um agente musical, conhecedor do meio, com vista a abrir outras perspectivas, embora conscientes de que os In Situ nunca serão um projecto de grandes objectivos comerciais. “Nunca iremos participar no Big Show SIC, nem é isso que queremos, mas sabemos que temos um público”, afirma Salvador Peres.
          Confiantes no trabalho que fazem, que afirmam ser diferente de qualquer outro, os In Situ sentem-se compensados pelo percurso que já fizeram, numa sensação de dever cumprido para com a sociedade, mas afirmam que agora “está na altura de sair para fora do contexto da cidade”.
          Críticos em relação à apatia reinante em Setúbal, para o que não encontram muitas justificações, não deixam de apontar o dedo às entidades, defendendo que, “quando há valores que podem ser potenciados, então devem ser apoiados”. “A Câmara, por exemplo, deve estar atenta aos novos valores, mas não é a ela que lhe cabe toda a responsabilidade”, afirma Salvador Peres.
          Até porque os In Situ não se podem queixar muito da autarquia, já que o espectáculo dedicado ao 25 de Abril surgiu precisamente de um convite da edilidade, mas lembram que em muitas ocasiões foi o grupo que se propôs, numa atitude que muitos outros artistas não tomam.